terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

"Sentences: The life of MF Grimm"



Sentences é uma biografia e normalmente, eu não gosto de biografias. Mentira, tenho um monte de livros biográficos. Pq não? Eu vivo querendo me conectar com algo maior que mesmo e, não acreditando em religião, me sobra a arte. Ler biografias é - e eu jamais vou admitir isso em voz alta, apenas pros parças lendo isso aqui - uma forma de tentar, meio que por osmose - na verdade, se minha memória das aulas de biologia nao me traem, por difusão, mas divago - tentar entender como gente grande acessou essa força maior que fez delas o que são e tentar, eu mesmo, no alto da minha mediocridade, achar um shortcut pra acessar esse portal pro sublime. E hey, se no meio do processo, eu me acabo de rir com alguma história do Keith Richards, narrada por ele próprio, de quando ele cheirou coca o suficiente pra matar um kaiju, só alegria. 
Meu ponto é: biografias precisam ter algo a mais do que apenas a jornada de vida do biografado para serem especiais. E sim, eu sei o quão escroto isso soa. Além de querer que o sujeito viva uma vida cinematográfica e o mais próxima possível de uma estrutura de 3 atos possível, ainda quero que a história dessa vida seja o mais fora da caixa possível. A história de Sentences é foda não apenas pq a vida de Percy Carey, a.k.a. Mad Flows Grimm foi igualmente foda, mas pq a história é contada de uma forma muito fluída, com texto e arte progredindo com a cadência do hip hop, voz e melodia, batida e rima, texto e desenhos. 



O gibi, escrito por Carey e com arte em p&b de Richard Wimberly, narra a história de Grimm, desde seu nascimento, nos anos 70, até mais ou menos lá pelos idos de 2006. E que vida, man. Que vida. Moleque da periferia, encrenqueiro mas com um livro sempre embaixo do braço. Talentoso pra porra mas igualmente tentado pelo $$$ "fácil" da thug life. A gente vê sua história e, por tabela, a história do hip hop, já que as duas são meio que inseparáveis, até pelo momento histórico em que o guri nasceu (e pela localização, nascido em NY). Das block parties nas periferias da big apple até sua mudança pra California, onde Percy cresce, tanto como rapper, participando das primeiras rap battles, quanto na vida no tráfico, vendendo maconha. Junto com as primeiras vitórias e a notoriedade, vem as primeiras tretas. os primeiros shows, as primeiras rimas vendidas, os primeiros contatos com players como Snoop Dogg, Suge Knight e Dre, sua parceria com um dos meus rimadores favoritos, MF DOOM. E quando tudo parece que vai decolar, vem a tragédia. 
O gibi abre mostrando - e é uma biografia, então, não me venham com "hey, spoiler alert" - o atentado que quase matou Grimm e o colocou numa cadeira de rodas pelo resto da vida e se divide em duas partes: como chegamos até esse momento e o que o rapper fez da vida após o ocorrido. 
Longe de ser uma vítima, ponto que o biografado em pessoa levanta mais de uma vez durante a trama, sua história tem o lance de "evolua ou morra" e aquela necessidade darwinista de adaptação que compõe boas biografias. Mas antes que alguém aqui ache que essa é uma história linda de superação e que poderia render livros como "o Tao de MF Grimm" ou "Percy Carey para empreendedores", só um toque: a retomada da vida do cara envolve reaproximação com o crime e uma passagem pela cadeia que chegou perigosamente de render-lhe uma perpétua, não fosse por uma série de fortuitos fatores. "Evolua ou morra". Se a vida "honesta" não te dá as oportunidades pra se levantar, vc faz o que pode com as ferramentas que tem. Joga o jogo com as regras que a vida te dá. Simples assim. 



MAAAAAS, ao mesmo tempo, o gibi também reconhece que essa é uma opção de merda, que é um caminho escolhido por alguém só quando todas as outras portas se fecham e, como o próprio artista afirma, dá pra vencer no rap sem ter que abraçar o lado gangsta da coisa. Aliás, a proposta da graphic novel é mostrar quais caminhos NÃO seguir. 
E, além disso, celebrar todo mundo da familia do Grimm, os de sangue e os adotados no caminho, tanto os que tão até hoje na vida dele quanto aqueles que caíram e que vivem em sua memória, seu coração e perceptivelmente, na arte que ele produz. 
Isso é um gibi então, OBVIAMENTE, preciso gastar uns tostões do tempo dos senhores falando da arte desse livrão (121 páginas que fluem suave). Meu amigo, que arte linda. Preto e branco, com uma energia cinética que me lembra Tex Avery, Chuck Taylor, Kyle Baker, fusionando isso com grafite e street art. Além desses nomes, tomem também como referências pros senhores o traço cru, mas paradoxalmente, igualmente refinado de Eduardo Risso. Os momentos de intimidade dos personagens soam confortáveis. Os de tensão, são grandiosos e assustadores. E o final, pqp, aquele final. Apoteótico. convergindo com perfeição, texto e desenho, novamente, como rap faz com ritmo e melodia. Uma história de - okay, eu me rendo - "superação" mas na mesma medida que é um "cautionary tale"
Sentences é gangsta pra cacete, com tudo de bom e de ruim que esse termo traz. 
Como diria o Paper Boi de Atlanta, uma história que "keep it real". Recognize. :-)

Conheçam Cassandro, "el exotico luchador"

Vcs sabem que eu acho o Lucha VaVoom o lugar mais legal da Terra e um dos meus sonhos nessa vida é ir me acabar lá por uma noite, certo? Bom, agora sabem. E foi xeretando o roster do bar e procurando videos sobre, que eu ouvi falar de Cassandro pela primeira vez. "Exoticos" existem vários no cenário da Lucha Libre. Mas nem todo mundo se destaca, tanto como comedy act quanto pelas habilidades técnicas no ringue. E sobreviver nesse business, NESTA industria, tão machista, tão "macho alpha"? E é aí que o luchador brilha feito neon..... ou glitter, que seja. :-)
Esse documentário da Vice é a celebração de uma história bem legal e de uma carreira incrível, deitando preconceitos na porrada. 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

The Boondocks: 20 anos depois.

Ontem postei sobre Aaron McGruder retomando as comic strips dos Boondocks pra comentar sobre o atual contexto político de merda em que nos vemos enfiados. Enquanto procurava imagens sobre, achei essas preciosidades abaixo e não tinha como não compartilhar isso aqui. O artista Marcus Williams realizou uma série de imagens imaginando como estariam os personagens da série de McGruder, duas décadas depois do final da série. Abaixo, temos as versões imaginadas de todo o clã dos Freeman: Huey, Riley e Grandpa, e tb de Jazmine, filha dos Dubois, a família vizinha dos protagonistas. A página do Williams tem link pra um site com camisetas com algumas das artes abaixo, além de uma pá de outros desenhos bem legais (tenho particular carinho pela série em que ele imagina o cast de Avatar: the last airbender em versões africanas). 





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Digital warm up featuring an early 20's Jasmine DuBois from the Boondocks. After her parents divorce during her teen years, Jasmine, like many mixed kids in this country, reached a point in her life where she had to decide for herself which side she wanted to identify with for her adult life. Consequently, it just so happens that she had been far more influenced by a certain radical revolutionary (Huey) than any of her topical friendships throughout high school, so the choice was pretty simple. To her father's dismay, she made quick work of switching her college major from law to history, and became the newest campus radical revolutionary with a vengeance. Huey was pleased to say the least, though much guidance and deprogramming was still needed to point her in the right direction. More to come, peace ya'll. #Marcusthevisual #boondocks #adultswim
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More art featuring Grandad from the Boondocks 20 years later. Upon Huey and Riley's departure from his home, Grandad wasted no time searching for a live-in nurse to care for him. After the many wonderful tales from Riley of what a wonderful life he'll have with a fine nurse at his beck and call, Grandad was ecstatic. The reality of finding said "fine nurse" was not so easy a task. After many failed attempts at finding someone that was "qualified" (aka attractive enough), he was overjoyed that his last attempt was a young inexperienced nurse that was perfectly priced. Janice Lopez was everything that Grandad was hoping for and more, as she was not only a bombshell, but a caring individual with her heart full set on nothing but the best treatment of him. Months passed and Grandad was in heaven. The good times were threatened to end abruptly one night when Janice began tearing up after a random phone call during Grandad's sponge bath. After attempting to spare him of her troubles, she broke down in despair. She explained that she was living/working here as an illegal immigrant and that her and her children were depending on her new job as a nurse to save up and build a life here in America. Somehow, she had been found out, and was now being threatened with deportation if she did not become a citizen asap. As she packed her bags while sobbing hysterically, she thanked Grandad for his wonderful generosity and opportunity to live in such a wonderful home for the time she has. With the overwhelming weight of the reality that his sponge baths would forever come to an end, Grandad stopped Janice at the door begging her to stay. Within weeks, Janice and her 3 children were moved in and Grandad's peace of mind moved out as her children were the embodiment of menaces. Too old to effectively whoop the trio, Grandad has come to terms with his new arrangement. Stress during the day for Sponge baths during the night. What we'll do for a Sponge bath. Peace ya'll. #Marcusthevisual #boondocks
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O retorno dos Boondocks.....

De acordo com Aaron McGruder, o criador da série, tem mais strips da série vindo. Já podemos dizer que pelo menos uma coisa boa veio do contexto político de merda em que estamos atualmente.




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