Groselha on the Rocks
"Soul of a GT. Body of a 9 to 5"
terça-feira, 21 de julho de 2026
"Segue o baile" de Magô Pool
Essa hq é importante pra caramba e que bom que ela já está tendo reconhecimento tanto de público quanto crítica. Ela é uma denuncia de uma realidade corrente, acontecendo agora, enquanto voce aí le essas mal traçadas linhas. Há menos que façamos algo de drástico, isso vai continuar se repetindo momentos, dias, meses depois de você terminar a leitura.
Na trama, um grupo de adolescentes da favela vão de carro pro baile antes de um deles deixar a comunidade pra ir jogar em um time de futebol de base. No caminho, decidem gravar uma live pra promover a imagem do rapaz e tals, quando são parados por um grupo de PMs e aí ... aí é inferno na terra...
A autora, Magô Pool (roteiro E arte) usa as tecnologias de nossos dias como um elemento na narrativa conferindo um clima de "agora", uma "presentidade", se é que essa palavra existe, a essa trama.
A arte dança entre o expressionismo e a crueza tipica de um zine. E essa é uma escolha acertadíssima, já que do primeiro, temos o terror em rostos e reações maiores que a vida. E afinal, essa É uma hq de terror.
Do segundo, o, novamente, me perdoem a licença poética, "cheiro de rua", aquele aspecto cru que confere autenticidade à obra. Tu sabe que a autora não tá escrevendo de longe, não tá narrando essa história do alto de uma torre de marfim, como ocorre com algumas obras de suposto caráter de "crítica social". Aquilo é a realidade de alguém que conhece aquela dor, aquele horror, aquele medo na pele.
Ao mesmo tempo, ainda sobre a trama, o twist final confere um aspecto de labirinto kafkaesko ao negócio, parecendo que todos ali estão, independente do ponto dentro da pirâmide, em um perpétuo ciclo, achando que são inimigos e adversários mas são todos peças no mesmo tabuleiro em que as mãos diferentes de um mesmo corpo controlam os dois lados. O título se justifica aí. "Segue o baile", de fato. Apenas outra segunda-feira.
Fora que consegue escapar da armadilha de acabar adotando em determinado momento algum tom professoral ou proselitista, sempre um risco com obras dessa natureza.
AO MESMO TEMPO....e vcs sabiam que ia ter uma conjunção adversativa vindo em algum momento.... eu to começando a entender galera que fala que tá cansado de obras protagonizadas por minorias que SÓ retratam sofrimento.
E sim, eu sei que a crítica, aí, não é à obra e sim, em certa medida, à cena. De artes em geral. Fui sem saber nada da hq e tinha uma esperança de ser de fato, sobre meninos indo pro baile funk, tá ligado?
"mas aí o problema é teu e da tua expectativa"
sim
"......como assim '"sim'"?"
Sim, qual parte de que o problema sou eu, lá em cima, vc não sacou kemosabe?
E veja bem: não só nada disso reflete na qualidade do gibi, como, na real, essa hq é uma resposta dialética a essa expectativa minha. Provavelmente a autora e todos os demais autores de alguma minoria adorariam poder retratar as próprias vidas em obras leves e divertidas, slices of life com pequenas aventuras adoráveis sobre o cotidiano. Mas não dá e o que tais obras fazem é nos lembrar do porquê disso.
Pq o sistema não deixa.
E nunca percamos isso de perspectiva: não é um sistema quebrado. É um sistema funcionando EXATAMENTE como foi concebido para funcionar. E dai vem o horror dessa hq. Do quão mundano eram as pessoas assistindo online aos eventos que ocorrem na trama. Ou do quanto ESSE episódio acaba soando só "mais um" e no horror de um mundo que normaliza esse tipo de barbaridade. Ou do profundo terror de saber que as expressões demoníacas nos rostos dos policiais não estão lá pra bestializa-los, pra dizer que são monstros e, portanto, maçãs podres, exceções à regra, mas para nos lembrar que eles estão numa máquina de moer gente cujo objetivo final é produzir monstros EXATAMENTE como eles. As máquinas de matar desumanizadas são, novamente, o produto final desejado de um sistema que precisa deles. Que não opera sem eles.
E sem a oposição a eles. Novamente, um campo circular onde grupos acham que estão competindo em linha reta mas seguem girando ao infinito. Ou bonecos brigando nas mãos de um mestre de marionetes que lucra com o caos.
E segue o baile, de fato.
Uma das melhores coisas que eu li esse ano, e veja bem, eu tenho tido a sorte de ler MUITA coisa legal recentemente.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Vamos abordar o elefante mutante flamejante e com poderes telecinéticos na sala?
So....
Krakoa acabou.
A era Krakoana teve sua conclusão. Já vai pra dois anos, na real.
Acho que não vai ser uma surpresa pra ninguém que os textos mais lidos aqui do blog são minhas looooongas reflexões sobre hqs, né?
E que os mais lidos dentre estes sejam aqueles centrados no lore dos discípulos de Charles Xavier.
Também não acho que ninguém vá se surpreender de que minha opinião sobre os títulos mutantes pós krakoa pode ser resumida na imagem abaixo protagonizada por Ru Paul Charles..
So... como ficamos? Paro com os posts "em rumo a Krakoa" ou me forço a seguir, como uma elegia por uma era que foi inquestionavelmente mais curta do que deveria ser e que obviamente acabou por causa dos desígnios de um criativo preocupado com alinhamento dos gibis com os futuros filmes baseados nos x-men e...
...deus do céu, eu já disse o quanto eu odeio o MCU? Vocês também acham, as vezes, que falir seria um destino mais digno pra Marvel do que ser comprada pela companhia do rato Mickey?
E eu digo isso plenamente ciente de que minha saga favorita da Marvel foi uma escrita uma década depois de tal aquisição (As Secret Wars do Hickman).
Nos meus dias mais cínicos eu me vejo pensando isso...
Enfim, divago...
Eu não vou mentir, eu queria muito seguir com a série de posts mutantes, até por ganas de talvez um dia, compila-las na forma de um e-book ou algo do tipo.
Agora? Eu não sei. Admito que minha empolgação foi de 1000 a zero muito rápido. Mas sei lá... amanhã é outro dia e eu sou extremamente mercurial em termos de humor.
Mas, salvo meia duzia de titulos, se muito, a Marvel de 2026 perdeu muito do gás que tinha uns 3 anos atrás. Foi só a DC exorcizar Dan Didio de suas fileiras que ela voltou a exalar criatividade. Mas como a balança raramente está equilibrada, enquanto a DC se reencontrou depois de um tempo perdida com a bobagem que foram os new 52 - salvo um ou outro gibi mais legal aqui e acolá - a Marvel se acomodou.
Ainda tem alguns títulos legais, mas a palavra que norteia o editorial da Casa das Idéias atualmente parece "confortável". Se manter no seguro. E vocês sabem o que eu penso a esse respeito...
Enfim... HOJE, meu impulso é dizer que "Em rumo a Krakoa" acabou.
O que pode mudar é que agora, eu tenho um período, entre 2019 e 2024, com começo, meio e lamentavelmente, fim, sobre o qual posso me debruçar. Talvez seja hora de uma nova série talvez chamada "Krakoa is here" ou qualquer coisa do tipo, falando sobre os gibis desse período?
Talvez.
To be continued, com certeza....
Acabou de me ocorrer que eu tenho produzido conteúdo perfeitamente adequado pra cá mas que eu só tenho postado nas redes sociais evil, da meta, do zucker e os caraios...
alimentando o deus algoritmo quando na real, tem esse espacinho firmeza aqui pra poder voltar...
Logo logo eu posto coisa aqui de minhas jornadas (geralmente em dias que eu não venho pro trampo por causa de uma reunião em algum canto da cidade ou, mais recentemente, por causa das minhas férias).
Tem o dia em que eu fui na exposição do hip hop lá no sesc, visitas à galeria do rock...
E quaisquer outras aventuras que eu tiver, em minha complicada e sempre ocupada vida de "produtor cultural/bibliotecário" em regime CLTista de 44 horas semanais.
Quem tem um par de polegares opositores, um sorriso cativante e de acordo com meu neurologista, OFICIALMENTE pode dizer que tá no espectro autista???
Crianças das trevas...
Eu já disse isso antes, mas eu ODEIO pegar uma série de mangá pra ler, me encantar com o negócio e só depois, quando eu já estou devidamente fisgado, descobrir que o negócio ainda está saindo.
Pior só quando eu descubro que a obra em si tá na temida "pausa" de publicação (o que, geralmente, significa que o autor teve que se distanciar do negócio depois de anos sendo triturado vivo pela indústria de quadrinhos japonesa) e sem data de retorno (Blue Period foi um que eu embarquei com gosto pra descobrir que o título tava em hiato. Acho que enquanto eu escrevo essas palavras, o mangá já retornou).
Enfim, se isso não for um problema pra vocês, e eu sinto que é outra instância em que eu estou chegando no meio da festa e agindo como se tivesse aberto a balada, vão ler #DRCL.
Mano, que parada absurdamente mágica. Uma recontagem do conto do vampiro mais famoso do mundo mas com alguns twists. E eles nem são o que tem de mais mágico no gibi. A arte de Shin-Ichi Sakamoto é.... olha, eu normalmente não tenho pudores em encher meus posts de imagens, mas vou me conter aqui e apenas pq eu quero muito que vcs tenham o primeiro impacto ao lerem, na hora certa, do jeito intencionado pelo autor.
Sério, tem página ali de encher os olhos. O traço de Sakamoto é lindo e ele enche os painéis de referências a cultura pop, desde mais obvias até mais sutis e, sério.... faz tempo que eu não ficava tão encantado com uma hq como eu fiquei com essa...
Sérião, serião, é referencial, respeitoso à obra original, mas também é subversivo, é clássico mas atual. É grotesco mas sexy, sublime mas macabro na mesma medida...
Talvez seja a melhor coisa que eu li esse ano...
...o que só piorou o impacto da notícia de que o negócio não acabou. Saco.
Enfim... recomendo pra caramba. Até o momento, 6 volumes publicados. Botem a trilha sonora do filme do Nosferatu de 1979 de fundo e já é...
Ah sim: já saiu aqui no Brasil. Está sendo publicado pela Panini e se se interessarem, podem achar lá no site oficial da editora ou, de preferência, na comic shop mais próxima de sua residência.
domingo, 24 de maio de 2026
quinta-feira, 21 de maio de 2026
O Vampiro Lestat
E já que falei de Kaiju...
Mano... os otakus de kaiju lendo isso aqui...
Ceis já jogaram Giga Bash?
Tem pra xbox e ps4.
Maluco, eu não vou falar mal aqui do tipo de joguinho de kaijus que nós, pessoal 40+ da primeira geração de nintendinho e master system teve, pq, justiça seja feita, tinha um jogo bem legal do Godzilla feito pro console de 8 bits da Nintendo. Eu lembro que eu passava tardes inteiras tentando zerar o negócio.
De lá pra cá, admito nunca ter animado com jogos que saíam por aqui, geralmente baseado em filmes do monstrão que tavam pra ser lançados. Mas aí, em tempos recentes, quando eu ainda tava assinando a Ps Plus, lançaram esse pra galera baixar e eu aproveitei o ensejo.
O jogo, vanilla, do jeitinho que vem, zeradinho de tudo, sem nenhum dlc, já é divertido pra caramba. com monstros e heróis que foram claramente inspirados nos personagens clássicos desse nicho. Temos um mapa aberto e dois monstros e tudo no cenário pode ser usado como arma. Os cenários são reativos, então, dependendo do lugar, além do kaiju querendo te enfiar a porrada, tu também tem que se preocupar com avalanches, tsunamis, erupções vulcanicas e os carambas. Tem modo historia, tem os especiais de cada personagem, cada um mais charmoso que o outro.
Mas aí, vieram os DLCs. Maluco, os DLCs.
Os DLCs vieram de parcerias da empresa responsável por Gigabash a Passion Republic Games, com os donos dos direitos dos grandes personagens do universo kaiju (Tsuburaya, Kadokawa, etc...) e o resultado é que o game virou o sonho de todo fã, o super smash bros de monstros gigantes.
Tu é fã do guardião da estrela Ultra de M-78? Toma
Tu é baby face e prefere a guardiã do universo? Tá aqui pra ti.
Mas é claro, cereja no topo do bolo... tu é fã do rei? Quer baixar o sarrafo pra cima de todo mundo como o ORIGINAL one, como o campeão de pesos pesados da Ilha Monstro? Então saiam do caminho pq o brabo chegou.
Cada pacote de DLCs vem com uma leva de gente legal junto.
Eu particularmente, gosto muito do elemento mais camp da versão antigona do personagem, mas não tem jeito, eu sou filho dos anos 80, quando tudo era sério e dark, claro que eu adoro as versões heisei dos personagens e fiquei muito feliz em ver o Godzilla e a Gamera são exatamente as versões heisei (dos anos 90) deles.
O pacote de DLCs do Ultraman vem com o próprio, o Ultraman original (baseado no original mas com elementos da versão do filme Shin Ultraman), Tiga, Camearra e, claro, um dos Baltans (ho-ho-ho-ho-ho). Um pack mais recente traz também um personagem que não conheço chamado Emi.
O pack da Tartarugona gente boa vem com a própria Gamera (como eu disse acima, a versão noventista da clássica trilogia heisei) e Guiron (aquele monstro meio tubarão com uma peixeira acoplada no crânio).
E, por fim, o DLC do Big G traz o próprio Godzilla, além de Gigan (aquele ciber kaiju psicótico), MechaGodzilla (o mecha evil Zilla) e, em uma escolha que adorei, Destoroyah (o final boss da era heisei, adversário do clássico Godzilla vs Destoroyah de 1995).
Pra quem estranhou a escolha, um segundo pack com personagens do Godzilla foi lançado, trazendo mais dois adversários da franquia: Hedorah, o "smog monster" e, claro, o arqui inimigo do rei dos monstros, o dragão de 3 cabeças saído direto do inferno, King Ghidorah.
Eu curto jogos de luta tradicionais, Street Fighter style, mas vou dizer que eu prefiro o modelo que Giga Bash adota, de mapa aberto. Confere uma dinâmica bem única e um senso de grandiosidade, de poder ver os prédios desabando conforme tu e seu adversário baixam o sarrafo um contra o outro.
Na Ps Store, o jogo solo tá saindo por 140 reais e cada dlc tá em média uns 30 conto. Caro? Bom, sempre tem uma mega conveniente promoção na store que pode facilitar tua vida. Ou, por 60 conto, tu assina a ps plus e pode baixar esse e outros jogos de graça.
Não importa como, mas se vcs curtem esse universo de monstrões gigantes, Giga Bash é meio que obrigatório. Vão na fé
Choque de monstro, maluco!!!!
segunda-feira, 27 de abril de 2026
G-0
Gosto bastante da idéia, que inclusive, acho que já foi mais ou menos trabalhada - Godzilla enquanto metáfora da maquina de guerra estadunidense - em uma hq onde vemos, na década de 60, o monstro aparecendo no Vietnã, no meio do pegapracapar entre os ianques e os vietcongues de Ho Chi Minh (só vi esse gibi bem en passant, não sei o quão BEM ela é desenvolvida. Quando eu ler, falo mais a respeito).
Ainda tem tempo pra esse filme sair lá fora (tá agendado pra ser lançado dia 3 de Novembro lá na terra do Naruto) e mais tempo ainda pra chegar aqui (se bem que o sucesso do primeiro filme pode fazer que ele acabe tendo um lançamento decente nos cinemas brasileiros).
Mas dessa vez, DESSA VEZ, eu vou estar lá no dia da estréia.
E eu ODEIO ir pra cinema. Mas é o Godzilla e aqui, neste blog, Big G é religião.
"Continuamos aqui..."
Eu penso muito a respeito de The Leftovers. E do quanto eu preciso rever essa série.
Provavelmente, e eu entendo o choque de uma afirmação hiperbólica dessa natureza, minha série de tv favorita dos ultimos 15 anos. E sim, eu lembro de todos os novos clássicos lançados nesse meio tempo.
Projeto de um Damon Lindelof ainda curtindo a depressão pós Lost e baseado em um livro de Tom Perrota, a série vinha com certa cara de que ia ser uma nova série de mistério, ainda surfando na onda de programas do tipo surgidos tentando navegar no hype do show que lançou Lindelof e Carlton Cuse pro mundo.
Mas é aí que mora o twist e, nunca nos esqueçamos, o demonio mora nos detalhes: a série subverte as expectativas do publico já no primeiro episódio.
Na trama, 2% da população mundial, do mais absoluto nada, simplesmente desaparece. Você está em um momento falando com um ente querido, olha pro lado e quado olha de volta, só as roupas dele no lugar. O mundo perde, do nada, em torno de 140 milhões de pessoas.
E aí? Rapto alienigena? Arrebatamento cristão? Thanos estalando os dedos novamente? Qual é o lance?
Jamais (jamais?) descobrimos e esse é o tal twist que mencionei acima: a série NÃO é um show de mistério, NÃO é sobre O QUE aconteceu com essas pessoas.
Não é sobre quem partiu, mas, como o próprio nome indica, é sobre os que ficaram. Os deixados para trás (nenhma relação com a série de livros evangélicos de mesmo nome).
É sobre nós.
Em suas 3 temporadas - 28 episódios, no total - vamos para cantos muito estranhos enquanto aquelas pessoas tentam, de formas mais esotéricas ou mais "laicas", lidar com o luto da perda. Um monte de gente vai inventar teorias sobre o que de fato ocorreu, cada uma mais mirabolante e fantasiosa que a outra (mas mesmo as mais pé no chao vão, enxergando friamente, partilhar da mesma imprecisão pq, afinal, é apenas outro chute, outra tentativa de racionalizar o inexplicável).
Entre momentos mais intimistas e outros que eu só posso descrever como "Lynchnianos", a série crava seus dedos na mente do público, servindo como um espelho sombrio nos lembrando que, também, cada um de nós vai ter que lidar com perdas. Alguns mais, outros, mais sortudos, menos. Mas ninguém que viva tempo suficiente nesse planeta vai passar incólume.
Detalhe 1, que, aliás, eu não mencionei até agora de propósito: o livro é de 2011.
Detalhe 2: a série foi de 2014 até 2017.
Detalhe 3: Os Living Reminders. Eles são o mais próximo de antagonistas que a série apresenta (pelo menos a princípio) e também deixei eles de lado por motivos "estratégicos". Os LR ou Guilty Remnants são um grupo de pessoas que formam, após o evento do desaparecimento mundial, um... uma.... "religião"? "seita"? Complicado.
Pq seitas acreditam em algo e eles acreditavam em ....nada. E esse é exatamente o ponto do grupo. Sempre de branco e fumando literalmente o tempo todo, o grupo tinha como eixo ideológico a crença de que era impossível só tocar o barco e fingir que nada havia acontecido depois da tragédia global. E que eles iriam ser esse "lembrete vivo" do ocorrido, impedindo as pessoas de simplesmente, seguirem a vida.
De acordo com eles, não existe a fantasia de "um mundo normal" depois de uma catástrofe dessas proporções e qualquer tentativa de fingir uma normalidade desaba.
Eles eram, novamente, os vilões da série.
Aí olhamos pro mundo de 2025 e eu percebo que preciso rever esse show com o olhar de um homem vivendo em 2025 e em um mundo pós pandemia.
Os living remnants são pessoas que sentem que a fantasia de normalidade que nós coletivamente sustentamos simplesmente quebrou e não tem como consertar de volta.
Eu vou parar esse texto aqui e vocês concluam dele o que quiserem, mas se forem tirar dois pontos, pensem no seguinte:
1 - Assistam The Leftovers. Se gostarem, leiam o livro, é bem pequeno, vai fácil.
1 - Os Guilty Reminders estão totalmente errados? E considerando tudo o que passamos nos piores dias do COVID, dá pra falar mesmo que os GRs são eles ou de fato, nesse nosso plano de realidade aqui, NÓS somos mais parecidos com eles do que gostaríamos?
....
Eu penso muito em "The leftovers".
E em "Rubber". Também conhecido como "o filme do pneu senciente telepata assassino".
Qual a conexão entre ambos os tópicos?
Sei lá, diz você
















