quarta-feira, 14 de abril de 2010










"People ask the question... what's a RocknRolla? And I tell 'em - it's not about drums, drugs, and hospital drips, oh no. There's more there than that, my friend. We all like a bit of the good life - some the money, some the drugs, other the sex game, the glamour, or the fame. But a RocknRolla, oh, he's different. Why? Because a real RocknRolla wants the fucking lot"


O casamento definitivamente não fez bem para Guy Ritchie. Vejamos seu histórico. Vinha de dois filmes fodas ("Jogos, trapaças e dois canos fumegantes" e "Snatch"). Retratava a marginalia inglesa como ninguém (claro que com uma certa dose de glamour, mas se vc prestar atenção, toda escolha tem consequencias em seus filmes, e se num momento, alguém toma um martini à beira de uma piscina, é muito provável que este mesmo esteja, ao final do filme, no fundo de um rio com meia duzia de buracos de bala no crânio). Aliás, como Tarantino e Tim Burton, seus filmes pareciam (e parecem, agora com rocknrolla) se passar no mesmo universo (sem demérito nenhum aqui).


Aí vem a Madonna e o cara termina produzindo lixo como "Destino Insólito". indicado à varios premios Framboesa de Ouro.
Separou da Material Girl, e sua primeira produção pós-divorcio é um filme que não faz feio em comparação a suas primeiras obras (e se considerarmos que Sean Penn virou um cara foda algum tempo depois de se separar da mesma Madonna, começamos a enxergar um padrão aqui). E dizem (pq não vi ainda) que Sherlock Holmes, mais recente filme do cara, tb manda muito bem.
Sem entregar muitos detalhes, o filme envolve um quadro da sorte roubado, um astro do rock junkie que forja a própria morte, mafiosos russos, ladrões (desde caras nível "onze homens e um segredo" até aqueles zé-ruela de sempre) e no meio disso tudo, como de praxe, um carinha tentando sobreviver ao caos em que se enfiou (mr. One-Two, personificado por Gerard Butler, que tá hilário)

Bom ver que o diretor não perdeu a mão. Agora é torcer pra que continue assim (e que não haja nem sombra de reconciliação à vista pro casal).

excellent!!

Ps: Esse post foi mera desculpa pra colocar a citação acima e falar que a trilha sonora dessa bagaça é FODA. Lou reed, Subways e The Clash. Deixo aqui o vídeo de Bank Robbery, que rola em cena altamente brisante do filme.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Prime...

Ok

Este é Optimus Prime






















Este, por sua vez, é Optimus Prime





















Os dois basicamente são o mesmo personagem (não são, na verdade, mas isso renderia um texto gigante, então, confiem em mim, ok?) mas existe uma diferença fundamental entre ambos.
O primeiro é Optimus Prime. O segundo é MEU Optimus Prime, e este pequeno pronome possessivo faz toda a diferença do universo.
O primeiro é o arquétipo, o herói, o personagem megaboga foda que originou o segundo, que por sua vez, é uma reprodução em menor escala (pelo bem de minha estante, já que o primeiro tem quase 10 metros de altura e pesa algumas toneladas) do primeiro, remetendo a todos os aspectos deste. Tipo aquilo da idéia do Platão ou dos signos na semiótica (e se eu falar demais sobre isso nas próximas semanas, relevem, to lendo pacas sobre pro meu TCC). E claro, tem o detalhe do segundo ser MEU. MEU BONEQUINHO (ou Action Figure, como preferirem) de Optimus Prime e meu presente favorito ever.
Ganhei de presente de um ano de namoro de minha namorada, que achou que seria um presente equivocado (e dado o primeiro paragrafo e aliás, todo esse texto, equivocada estava ela ao pensar tal sandice) pra me dar. Cara, meus olhos brilhavam quando eu ganhei meu bonequinho do Optimus. Naquele exato instante, a idéia deste post nasceu. Afinal, eu tinha que explicar pq um robo que se torna um caminhão ocupa um lugar na minha formação moral que talvez nem Deus ou meu pai ocupem. E que talvez, explique pq eu sou este escroto bem intencionado que sou hoje.
Pra entender bem, vamos ao passado.

Planeta Terra. Cidade: São Paulo.
1986
Este humilde anão na época tinha em torno de 6 anos de idade e sua vida girava em torno de gibis disney, monica e hanna-barbera (Marvel e Dc viriam alguns anos depois), escolinha e claro, a onipresente TV. Eu, como toda criança normal, adorava desenhos. E dentre estes, alguns se destacavam: a adaptação de Rambo (e olha que eu nunca tinha visto o filme que originou o desenho, mas whatever. Ele tinha uma faixa vermelha, coturno e uma faca de caçador, já sabia o suficiente sobre ele), He-Man, caça-Fantasmas (adorava essa porra), séries japonesas (Ultraman, Robô Gigante, Spectreman) e acima de todos.... Transformers.
Pra quem não sabe, a década de 80 foi marcada por desenhos que surgiam de brinquedos. Simples assim. Havia uma nova série de brinquedos e pra fixar aquela porra na cabeça da gurizada, encomendavam um desenho sobre os personagens. He-man surgiu assim (na verdade, He-man surgiu a partir de uma série de brinquedos recusada baseada em Conan, sabiam?), Comandos em ação idem. Então, tinham executivos que sugeriram "ok, temos robos que viram veículos. Façam desenhos e vamos vender". E venderam que nem água. Pq apesar dos pesares, nem todo guri gosta de carrinhos, mas TODO GURI ADORA ROBOS GIGANTES. Ponto. Não apenas os japoneses com seus Voltrons, Gundans e Robotechs. TODOS. Simples assim. E se fossem robos que virassem carrinhos, melhor ainda. E com toda uma história por trás então.

E eles tinham uma puta história.

Cybertron, planeta dos Transformers. Que aliás, são uma raça de mega robos. Que enfrentam uma mega guerra civil. De um lado, os Autobots, liderados por Optimus Prime. De outro, os vilões Decepticons, liderados por Megatron. Numa batalha que culminou numa caçada espacial, os robozões caíram aqui na Terra há milhares de anos e ficaram em animação suspensa até os dias atuais (ou no caso, até a década de 1980). Acordaram e pra passarem despercebidos (ou o mais despercebidos que robôs guerreiros podiam passar) tomaram a forma de veículos e continuaram sua guerra, enquanto tentavam arranjar um jeito de voltar pra casa. Essa é a trama de Generation 1, a série que deu origem a todas as outras. Algumas ótimas (Beast Wars, The Animated Series) e outras sofríveis (Beast Machines e a maioria das séries japonesas). Além de dois filmes (que eu não vi por falta de culhão, mas já ouvi que são....bem..... assim-assim).
Sério, todo meu dia girava em torno de ver Transformers. Mesmo os demais desenhos aqui citados não me chamavam tanto a atenção quanto a saga dos Autobots em vencer os Decepticons, defender a humanidade e, de quebra, voltar pra Cybertron. E na linha de frente, Optimus Prime.

Aliás, Líder Optimus, como era chamado no desenho (e que por isso, até hoje, eu chamo de Líder Optimus Prime).
Optimus era o herói campbelliano por excelencia. Não o herói Wolverine, que faz o bem deixando corpos atrás de si, mas o herói no sentido greco-romano ou seja, o repositório das principais qualidades humanas, espelho de tudo que faz a humanidade (ocasionalmente) magnanima.

"Mas Optimus não é um humano, anão tosco"

Eu sei, little John, e isso era fascinante. Temos aqui um robo foda, com um arsenal capaz de partir um tanque de guerra que nem manteiga e ele é gentil, corajoso e vive (pq os Transformers são vivos, tendo consciencia e inteligencia própria, não como o robô em sua definição clássica) a partir de valores que ele espera, norteiem todo o resto da humanidade (organica ou não).
Cacete, que foda. Como eu queria um transformer pra mim, na época. E como eu queria um Optimus Prime....que nunca veio (viria quase 3 décadas depois, mas já já chegamos lá).

Avançamos 3 anos.
Dia 12 de Outubro de 1989. Dia da criança. A Globo anunciou com quase 3 semanas de antecedencia, que naquele dia, a Sessão da Tarde exibiria "Transformers - O filme" (obviamente não me refiro à adaptação recente de Michal Bay e sim a um longa da série animada). Eu esperava por aquele momento como uma criança antes da noite de natal.
E começa a história.

Basicamente, um planeta Transformer senciente, o Unicron, vem vindo em direção à Terra pra tocar o terror. Yadda-yadda-yadda, cena de luta entre Autobots e Decepticons. Meu coração na boca, mas tudo bem, vai dar tudo certo, sempre dá.


E aí...


































......
.....
"wow....megatron meteu 3 tirombaços no peito do Líder Optimus. Que bom que os outros vão salva-lo e...ei, como assim ele está passando a liderança praquele otário do Ultra-magnus? Ah, deve ser até ele se recuperar e..."

......

"Oh meu Deus.... Prime está...... morto?"


Pq vamos combinar, o Superman e os demais membros da Liga enfrentavam inimigos e seguiram adiante, sem se despentear. Os cara maus em comandos em ação sempre ejetavam dos aviões antes que estes explodissem. Ninguém sequer se machucava feio (diabos, mesmo nas séries policiais, o cara bonzinho tomava sempre o cuidado de mirar na mão do bandido).

E seguramente, ninguém morria. Já tinha visto um herói morrendo antes, em Robo Gigante, mas como ele era um automato guiado pelo menino cujo nome jamais vou lembrar, fiquei triste, mas não traumatizado.

Mas sério, toda, sem brincadeira, TODA percepção de heroísmo que eu carrego comigo hoje vem desse momento. Prime não se levantaria pq ele estava morto. O herói da história MORREU. Pensem no impacto disse pra um guri de 8 anos de idade. Heróis MORREM! PERDEM! Tomam 3 tirombaços no peito e jazem como mais um corpo estendido no chão.
Eu me lembro de chorar copiosamente por uns 2 dias, lembrando da cena (tanto que nem lembro bem do final do filme). Na época fiquei mega triste, mas hoje eu vejo a beleza daquilo (coisa que aprendi a ver pouco tempo depois, pra minha sorte): O herói tem tanta chance de morrer quanto o zé-porva que vê o monstro vindo pra cima dele e fica parado gritando "Nãaaaaaooo". Talvez ele seja melhor treinado ou esteja com melhores armas (ou simplesmente tenha mais HP que o transeunte otário) mas no frigir dos ovos, a bala inimiga não faz nenhuma distinção. E ISSO é o que faz do herói o que ele é. A habilidade de botar sua vida em risco de forma desapegada pelo bem de estranhos. Mesmo sem a certeza de que vá receber uma medalha, coroa de louros ou pelo menos um tapinha nas costas quando tudo terminar. Aliás, na maioria das vezes, o que o espera é uma morte horrorosa e uma cova sem nome (quando ele tem a honra de ser enterrado).

E mesmo diante dessa possibilidade, ele segue adiante. Pq afinal das contas, é o que deve e precisa ser feito.

Naquele momento, naquele exato instante, surgia o nerdzinho que viraria esse humilde nerd urso-anão que eu sou hoje. Quando diante de uma situação sebosa, sempre me pego pensando "O que Optimus Prime faria?" E sempre que decido algo assim, nem sempre termino bem, aliás, provavelmente na maioria das vezes acabo me estrepando, mas sei que em algum lugar, um robô vermelho acenaria sua cabeça em aprovação a minha tentativa malfadada de heroísmo.
O que, quer seja na vitória ou na derrota, sempre me faz sorrir.

Portanto, avançando de novo no tempo e chegando no dia 18 de Outubro de 2009, isso explica meus olhos brilhando e a posição de destaque que Optimus (e Megatron, que veio junto na caixa) ocupa na minha estante. Pq não estamos falando de algo que é apenas fonte de nostalgia e lembranças de uma época melhor que nem era tão melhor assim e sim de uma crença que eu carrego comigo a cada instante, o tempo todo, e acaba fazendo de mim a pessoa que eu sou. Ou seja, estamos falando de coragem e sacrifício, que é o material do qual os heróis são feitos.
Sejam eles de carne, osso ou metal.

......Excellent


Ps: Ah sim, devo informar-lhes que posteriormente Optimus acaba ressuscitando, seguindo aquela tradição do herói solar de Campbell, que sempre retorna no momento de maior necessidade da humanidade (tipo Siegfried, Jesus Cristo, Arthur Pendragon, etc.). O que não tira o valor de seu ato de sacrifício de forma nenhuma mas talvez, ter ciência disso fizesse meus dias posteriores àquele fatídico 12 de Outubro um pouco menos lacrimosos.
Ps II: Quase todas as imagens aqui utilizadas foram tiradas do Blog do Amer, um dos meus blogs preferidos e onde vcs vão encontrar diversas matérias sobre Transformers. Linko aqui duas, uma sobre o filme que mudou minha vida e outra sobre Transformers Animated.
Ps III: pra esse post não ficar muito sério, seguem aqui demotivacionais sobre o (aham) MAIOR HERÓI QUE JÁ EXISTIU. Pelo menos pra mim :-)

































































segunda-feira, 29 de março de 2010

próximo post eu finalmente pago uma dívida antiga com minha namorada e mais antiga ainda, pra com aquele que me ensinou do que diabos um herói é feito.
Ultimamente eu tenho lido muito Sandman

(sim, eu sei, eu passei os ultimos meses sem atualizar isso aqui, seria de bom tom eu vir com novidades, como andei e o que tem acontecido em minha vida, mas podemos deixar isso pra mais tarde)

Então, meu TCC é sobre Sandman. Logo, agora tenho tido uma boa desculpa pra ler quadrinhos.
E não deixa de ser curioso isso pq agora, num "turning point" foda na minha vida, leio uma série que tem como principal mote "o sr. dos sonhos decidindo entre mudar ou morrer"
Vim lendo "Entes queridos" no caminho pra cá (e essa é uma das unicas vantagens de se morar longe, a chance de atualizar sua leitura no busão) que é, sem soltar muitos spoilers, o principal arco de toda a série, onde eventos iniciados láaaaa atrás finalmente são amarrados.
A morte nessa série não parece algo pesaroso. E no final, todos os caminhos levam à morte.

Interessante pensar nela como uma fonte de alívio e não o Grande Inimigo. Pq a sociedade ocidental é criada de forma a incentivar a perpétua juventude, como se, presos numa eterna adolescencia, pudéssemos fugir do inevitável. E aí tome plástica, geração saúde e comidinha alternativa pra alimentar essa máquina com hora pra terminar suas funções (na verdade, se formos mais fundo, vamos ver que nossa sociedade é criada não só para parecer perpetuamente jovem, mas pra parecer perpetuamente como coadjuvantes de malhação, naquilo que eu e minha namorada chamamos de "Geração UHUUUUUUUUU". Alegria e vitalidade 24 horas por dia. Tristeza e pesar JAMAIS!!! E aí nos prendemos como pessoas efusivas num eterno pico, como se todos estivessemos saindo de uma micareta (bleargh) no carnaval. Isso rende outro post gigante, então, deixo pra depois).

Em Deadwood, Wild Bill Hickock pedia aos que tentavam fazê-lo abandonar a bebida que o deixassem escolher como preferia ir para o Inferno.
Acho que no final tudo gira em torno disso: se viver com o pé no freio (ou usando uma metáfora de um filme de aviação tosco da sessão da tarde, se viver com um dedo sempre em cima do botão de ejeção) é o que te faz feliz, ótimo, bom pra ti, troféu joinha.

Eu, já prefiro altos ébrios, baixos cheios de cortes no pulso e tudo entre ambos.
Highway to hell, baby!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Shame on us.....

Tem dias em que tudo que vc quer é morrer, nem que seja só um pouco....

Na falta disso...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

..........Scream!!!!!!!

(extraído do blog do Lucio Ribeiro) * Substituição no (Festival de rock) Planeta Terra. Yeah Yeah Yeahs respondeu ao chamado do festival brasileiro, finalmente. Disse que não.
O “plano B”, parece, está acertado: quem vem para o lugar do YYYs, está para ser anunciado, é mister… Iggy Pop.





De novo, senhores, pro caso de alguém ter pulado.
quem vem para o lugar do YYYs, está para ser anunciado, é mister… Iggy Pop.



..........

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH



















terça-feira, 28 de julho de 2009

23

Created by OnePlusYou - Free Online Dating

68% Geek

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Ok, fui pra banca mais uma vez como sempre faço nos ultimos....hã.... 29 anos de vida, e lá vejo a edição deste mes da Sci-fi news, uma puta revista de ficção cientifica.
Abro pra dar aquela folheada (sabe como é, ver como anda o miolo da publicação) e...... pqp...

não, sério, pqp..

O que diabos houve de errado ali? A fonte dos textos estava maior, cada um deles devia dar uma página, menos talvez, se comparado com os textos antigos. Mesmo as colunas foram "enxugadas" e ficaram menorezinhas, graças à nova e "genial" diagramação.

Sério, O QUE DIABOS HOUVE AÍ?? Pq o unico pecado que uma revista não pode cometer é diminuir o conteúdo editorial. Será que esse foi o único jeito da revista se fazer notar, num mundo em que o principal público alvo da publicação tem as mesmas informações de forma gratuita em qualquer omelete, judão ou jovem nerd da vida?
Ou será que resolveram se adaptar à odiosa geração twitter?? Logo, logo, veremos a novíssima sci-fi News, com 140 caracteres (e ainda podem alegar que são ecologicamente corretos, já que a revista seria minúscula e gastaria menos papel, poupando várias arvores, vejam só que maravilha).

Cara, isso é tão, mas TÃO típico desse tempo bizarro em que vivemos, em que tudo tem que ser ágil e dinamico. Estamos na geração dos 140 caracteres. Não apenas twitamos em 140 caracteres, mas VIVEMOS em 140 caracteres.
Isso me lembra certa vez em que, no orkut, alguém criticou a Rolling Stone, comentando o quanto era chato ler matérias tão grandes com letrinhas tão pequenininhas....
Sabem como é, né?? Conteúdo. Provavelmente não deve ser pra todos os gostos. Tem gente que gosta de pastel sem recheio, fazer o que?

Medo...

domingo, 28 de junho de 2009

Ah sim, e antes que eu me esqueça, eu quero fazer isso há semanas, então lá vai...

1



2



3


aham:






....


RONALDO!!!!

huahauahauahauahauahauahauahauahauahauahauaua

Ok, podemos voltar à nossa programação normal ^^
Tava pensando cá com meus botões, ainda sobre o filme que eu vi ontem e tals, sobre esse negócio da arte. Tipo, o final de "apenas o fim" que cita a cena de "Annie Hall" em que por meio de uma manifestação de arte (cinema no primeiro caso, uma peça de teatro no segundo) os protagonistas consertam aspectos de suas vidas que eles acham que saíram meio "tortos" na vida "real".
Automaticamente eu lembrei daquele "Sinédoque, Nova York". O filme, por mais defeitos que tenha, suscita uma discussão muito legal sobre isso da arte, já que o que é apenas citado nos filmes acima é basicamente o mote inteiro deste último. Nele, um diretor frustrado tem a chance de realizar uma peça financiado por uma entidade de incentivo às artes, ou seja, sem precisar se preocupar com o custo desta, e começa a criar em estudio uma réplica menor de Nova York. Depois, contrata atores para interpreta-lo e chega ao extremo de contratar atores para interpreta-lo CONTRATANDO atores para interpreta-lo, num exercício de metalinguagem com tantas camadas que periga vc se perder se não prestar atenção, onde, recriando o contexto onde vi, o personagem tenta entender onde diabos tudo deu errado. Claro que se em "apenas o fim" e "annie Hall" os personagens utilizam a arte para se redimir, o diretor de "sinédoque" nao tem tanta sorte, e acaba se perdendo dentro da obra criada, sem saber mais se era criador ou criatura.
Bizarro isso, né?
Faz vc pensar um pouco. Pq tipo (e essa deve ser a discussão mais antiga do mundo, então, nao esperem que eu esteja descobrindo território inexplorado aqui) isso te leva a pensar se a arte REALMENTE é um meio de representação do mundo ao seu redor, do que ele é ou poderia ser, pro bem ou pro mal, ou se na verdade, a vida não passa de um rascunho para a arte. A arte passa a ser a real forma de vida, criada por pequenos "deuses" individuais que não se submetem a realidade em que estão arbitrariamente inseridos e decidem recria-la melhorada (ou não, no caso de Sinédoque essa força - que aqui eu chamo de arte - se mostra tão arbitrária quanto a vida "real", a ponto do protagonista se perder dentro dela....). E se alguém pode afirmar que a vida ganha da arte pelo aspecto "real", eu lembro do papel que o tempo desempenha em confundir ambas, afinal, a vida acaba, criadores morrem e consequentemente são esquecidos, mas a arte permanece imortal superando o próprio artista que a concebeu, este pequeno projeto de deus.
Legal quando um filme (ou qualquer manifestação artística) suscita esse tipo de reflexão, né?
Ok, só pra tirar do caminho e podermos seguir adiante;
Nesses dois meses em que fiquei fora:
- Tive um problema foda na perna que me deixou quase um mês sem conseguir andar.
- Por causa disso, fui internado e passei 14 dias recebendo antibióticos na veia, ou seja, TODO SANTO DIA alguém me furava pelo menos umas 2, 3 vezes (o recorde foram 8 picadas. 5 nos braços e 2 na jugular). Mas se acham que isso dói, é pq obviamente nunca passaram pela experiencia de ter que fazer uma drenagem de pus. Creiam-me crianças, é uma cena digna de filmes de terror gore. Todo esse período lá no Hospital Universitário só não foi traumático pq minha coruja ficou o tempo todo comigo, fazendo palavras cruzadas, conversas sobre tosquices, me contando histórias pra eu comer aquela maldita salada (aliás, falam mó mal de comida de hospital, mas eu definitivamente não tive do que reclamar)....aliás...
- .... Meu namoro continua muito bem ^^. Inclusive....
- ..... eu e Maristela devemos estar indo morar juntos ainda semana que vem. Sim, sim, mal consegui me assentar aqui, já estou mudando de novo. Ou seja, toca toda aquela fase de encaixotar coisas e conseguir carreto pra levar mudança e todo esse processo extremamente whatever. Mas é um mal que vem pra bem, já que a nova casa, que fica aqui pertinho vale ressaltar, é muito legal. Se perigar, o lugar mais legal em que eu moro desde que cheguei aqui em SP.

Acho que é isso....

sábado, 27 de junho de 2009

Iggy

Diabos..... raras foram as vezes em que um cd consegue me ganhar já na primeira música, mas pqp.... "Les Feuilles Mortes", do tal cd de jazz do Iggy Pop conseguiu...
Que música linda, man!!!!

"Apenas o fim"




Então.... ouvi falar mó bem desse filme "Apenas o fim", mó citado em quase todos os sites de cultura pop que eu costumo ler, então, pensei, pq não?
Fui hoje à tarde (e os Deuses são testemunhas do quanto eu precisava desanuviar a cabeça depois de uma sexta feira dos infernos) lá no HSBC ver do que se tratava, mas com um certo pé atrás.
Vejam bem, eu sei que isso de citações nerds deveria atrair como mosca no mel e tals, o problema é que eu sempre fico me pergntando se a obra se sustentaria sem isso.
Anos atrás, comprei um livro chamado "Cabeça Tubarão", todo hypado e tals, um livro de ficção cientifica que dialogava diretamente com o publico alvo dele e tals, tinha ARG, citações pop e......
.....bem.... e o livro não era lá grande coisa. Tinha conceitos interessantíssimos, mas morria aí. Desde entã, eu fico com um certo pé atrás com obras que prometem ser um retrato pop da geração atual e bla bla bla.
Dito isto, e com um certo pé atrás, fui ver o filme e..... adorei.

O filme não cita apenas clássicos da cultura pop como Transformers, Pokemons, as Tartarugas Ninjas, Nintendo X Sony e os cavaleiros do zodíaco, mas também tem umas sacadas que falam direto ao publico nerd/indie, como o vislumbre rapidão da capa de "alta fidelidade" ou do "cuca fundida" (de Woody Allen) no criado mudo do casal numa cena em que conversam no quarto...
E além disso tudo, e respondendo a questão acima, SIM, o filme se sustenta se desconsiderar tudo isso, pq ele fala do final de um relacionamento, atingindo em cheio qualquer um com (preparem-se pro clichê) um coração batendo dentro do peito.
E em termos cinematográficos, o filme lembra somente obras clássicas. Se ao se concentrar nos dialogos ele lembra Godard, e o estilão de um casal passando o dia conversando remete direto aos filmes "Antes do Por do Sol" e "Antes do amanhecer" de Richard Linklater, o filme também remete em pequenos detalhes a outros clássicos.
Por exemplo, a cena em que ele (vou me refeir a eles como "ele" e "ela" pq eles nao tem o nome mencionado no filme, o que aliás, aumenta a proximidade com o casal, já que eles podem ser qualquer um, amigos, irmãos, eu e vc...) ganha dela uma caixinha com algo dentro, que não é mostrado em momento nenhum, lembra aquele momento de intimidade em "Encontros e Desencontros", em que Bob Harris sussurra algo no ouvido de Charlotte, e igualmente ficamos sem saber do que se trata. Nada mais natural que, em ambos os casos, o casal tenha seu momento de intimidade só deles, nos restringindo inclusive de partilha-lo pq...bem, não é da nossa conta, oras...
E claro, a ceninha que rola depois dos créditos (se vc foi ver o filme e saiu antes, HAH, trouxa, se ferrou!!!!). Nela, os atores de um filme rolando dentro do filme (o casal passa por meio das filmagens rolando na PUC, cenário de todo o filme) recriam a cena da separação definitiva do casal, mas agora com final feliz. Impossível não lembrar de uma cena identica em "Annie Hall", em que o personagem de Woody Allen recria, numa peça de teatro de sua autoria, cenas de sua vida com Annie, sua ex-mulher, mas também reconta a história com um final diferente do que teve na vida "real", agora com ambos ficando juntos. A explicação dada pelo personagem eu cito aqui
"É como quando vc tenta fazer tudo sair perfeito na arte pq na vida é real é dificil"
Na arte, tanto no filme de Woody Allen quanto no de Matheus Souza (que além de dirigir, cuidou do roteiro) a arte acaba redimindo os personagens da vida real, ainda que seja só um pouquinho (nem que seja só pra jogar as migalhas de um potencial final feliz para o público que, sejamos honestos, sempre acaba torcendo pro casal terminar junto). E essas menções, intencionais ou não, não são demérito nenhum pro filme, apenas mostram o leque riquíssimo de influências que o direto de "Apenas o fim" possui.
Qualquer que seja o próximo filme dele, com ou sem citações nerds, gente com all star no pé e Los Hermanos na trilha sonora, contará com a minha presença na primeira fila, com certeza.

Confissão....

....é claro que eu fiquei triste quando soube que Michael Jackson morreu e tals, mas confesso que eu me senti mal, mas mal MESMO foi quando James Brown morreu....