terça-feira, 13 de agosto de 2013

JAEGERS VS. KAIJU: "This is how the world ends" - SPACE RUNAWAY IDEON



Ok. Ideon..... vejam bem, até alguns dias atrás, quando terminei de ver Be Invoked, o filme que encerra a saga de Ideon, eu tinha "Apocalipse Now" como a obra máxima a registrar os horrores da guerra (seguido de perto por "Full metal jacket"). A brilhante obra de Francis Ford Coppola (quase escrevi “obra-prima” mas aí lembrei q o barbudo é responsável pela jornada audio visual pela vida de Don Vitto e Michael Corleoni) continua no topo, mas agora divide o trono com Ideon. Mano, que série deprimente. Sorte q eu tava com o Sr. Fofinho (meu ursinho de pelúcia e, ocasionalmente, representante legal) perto pq eu definitivamente terminei os 38 episódios (e mais um filme de 1h30) precisando urgentemente de um abraço. Mas vamos pelo começo.

O começo

Se vamos falar de Ideon, temos que falar do homem por trás da série, Yoshiyuki Tomino. 


Tomino-San

Fãs de animes das antigas vão lembrar que esse homem é o pai de uma das maiores séries de ficção científica/robos gigantes do Japão: a franquia Gundam. Pois então, depois do abrupto final da série que deu o pontapé inicial ao conceito de robôs gigantes não mais independentes e com mega poderes absurdos mas sim maquinas humanóides controladas por pessoas e geralmente introduzidas num conceito político bem denso, Tomino decidiu tocar adiante uma idéia que TAMBÉM envolvia um robô gigante. Exibida de Maio de 1980 até Janeiro de 1981, "Space Runaway Ideon" (伝説巨神イデオン - Densetsu Kyojin Ideon) teve inicialmente 39 episódios. Posteriormente, foram feitos dois filmes, um resumindo os 38 episódios da série e o segundo, "Be Invoked", que é o verdadeiro final da série. Ideon, nos primeiros episódios, é basicamente só mais uma série de robôs gigantes. Todos os elementos estão lá, do protagonista de personalidade irascível ao animal fofinho que vai ocupar a vaga de mascote, os alienígenas evil e as maquinas que se combinam pra formar o robozão que intitula a série. Só que aí a história vai avançando e vc se dá conta de que
a) vc está vendo uma história de um grupo pequeno que precisa sobreviver em tempos de guerra. Possuem uma arma extremamente poderosa e desejada mas exatamente por isso, são alienados por qualquer grupo de que se aproximem e
b) essa é, como já dito, uma série que já em seus momentos iniciais dá indícios de que o final não vai ser feliz.

ah sim, spoilers sem dó daqui por diante. Estejam avisados.



A trama.

Futuro relativamente longínquo, a humanidade ganhou as estrelas e colonizou planetas. Em busca de conhecimento, um grupo de colonos chega a um planetinha esquecido num canto da galaxia e lá, encontram indícios de uma civilização antiga, auto-denominada "A sexta civilização". Junto às ruínas desse povo, encontram 3 maquinas gigantes. Uma aeronave e dois veículos de terra. A arqueóloga Sheryl Formosa e seu pai, o Dr. Formosa conseguem decifrar parte da linguagem desse povo a ponto de descobrir um ou outro detalhe sobre o Ideon, mas nada muito aprofundado. Paralelo a isso, temos um grupo de batedores do império conhecido como o Buff Clan. 
Por uma coincidência absurda q só pode ser creditada ao bom e velho Murphy, essas naves trombam com o grupo de colonos e as 3 maquinas citadas e, tomando-os como hostis, passam fogo no grupo. Obviamente, um adolescente nos arredores acaba, depois de ver seus pais serem mortos pelos "aliens", caindo nos controles das maquinas e descobre por acidente que elas podem se combinar na forma de um robô gigante extremamente poderoso. Esse robô, por sua vez, ativa uma gigantesca nave enterrada embaixo das ruínas da sexta civilização e a partir daí, a história é o grupo fugindo e o Buff Clan incansavelmente atrás. Em cima desse fiapo de trama, temos um dos contos mais comoventes que eu já vi sobre os horrores da guerra. 
Vc percebe que tem algo errado na história quando, a princípio, consegue se afeiçoar mais pelo lado inimigo do que pelo grupo de protagonistas. Tomino não tem medo de mandar o lance de bem vs. mal pro caralho e temos dois grupos cheios de acertos e erros, capazes de profunda nobreza e de atos dignos de repulsa.
Eu, pelo menos, tinha, no começo, muito mais simpatia por Gije e Karala, dois "alienigenas" do que por Cosmo e Kasha, dois dos humanos que pilotam o Ideon. O Buff Clan é uma raça imperialista que com o tempo, descobrimos que está a beira da guerra civil, controlada por um tirano e extremamente agressiva, expandindo seu território pelo universo, sem dó.
No entanto, também são guerreiros dotados de alguma honra (que vai se esvaindo conforme a campanha contra os terráqueos vai avançando, mas ainda assim....) que se auto-referem com termos como "samurais". Gije, junto com o ambicioso Damoda, são os primeiros a fazer pressão contra os colonos. Karala, por sua vez, é filha de um dos principais generais do império Buff, Doba Ajiba. Graças ao fato dos aliens serem absolutamente idênticos aos humanos (por isso das minhas aspas quando me refiro a eles como aliens, já q tudo é uma questão de perspectiva. Eles inclusive se referem aos colonos como aliens, também), ela se infiltra na tripulação da Solo ship (a gigantesca nave descoberta no planeta da sexta civilização), a princípio para investigar o grupo, mas com o tempo......bem, me adianto.


Karala, Cosmo e Harulu


Do lado dos humanos, temos Cosmo, o adolescente protagonista da série e piloto do Ideon, junto com Kasha. Se ele é o típico protagonista shonen inicialmente odioso, a garota provavelmente é uma descendente distante de Asuka Langley Soryiuu, porque é igualmente irritante e sempre pronta pra "unleash hell" pra cima dos adversários. 
A tripulação da nave Solo ainda conta com o vice comandante Jordan Bes, a já citada doutora Sheryl Formosa, Lotta, a responsável por cuidar das provisões e trabalhos cotidianos da nave e a enfermeira e, dadas as circunstâncias, médica principal da nave, Rapoh. 
Temos destaque também às crianças Deck, Fard, Ashura e Piper Lou. 


As crianças de Ideon

E se a princípio elas vão parecer as típicas crianças irritantes de animes, com o tempo os guris vão se mostrar personagens importantíssimos, não apenas para o futuro da história da série, mas, também, como espécimes representantes do custo pessoal que a guerra vai causando com o tempo,
E o termo é esse: custo pessoal. Ninguém, absolutamente NINGUÉM é poupado. As perdas que cada um dos personagens, tanto do lado dos "bonzinhos" quanto dos inimigos, vão acumulando com o tempo é algo absurdo e mesmo aqueles que parecem mais vilanescos vão ter um ou dois momentos em que vão deixar claras as motivações pra se manter numa guerra que vai acumulando montanhas e montanhas de corpos. 




Mas não tem jeito, os colonos são os protagonistas e é pra eles que vai nossa simpatia. Sem ter ciência de que os inimigos colocaram um tracking device na nave (que eles inclusive encontram mas ignoram, pensando ser parte da tecnologia do povo da sexta civilização) o grupo é implacavelmente caçado pelos inimigos. Sim, Ideon é uma arma extremamente poderosa, mas lembremos que eles não sabem controla-la e que parte do grupo que  a manipula não possui treinamento militar. Some a isso o fato de que o poder dos inimigos vai aumentando com o tempo e temos um cenário trágico se formando.
E o pior está por vir. Lembram que disse q o Buff Clan era uma raça imperialista e agressiva? E que os humanos tinham varias colonias espalhadas pelo universo? Bem, cada uma delas vai sendo atacada de forma a impedir que possam ir em auxilio da nave Solo. Como consequência, os planetas que poderiam fornecer suprimentos e esconderijo pro grupo terminam hostilizando e atacando os protagonistas, por medo de retaliação dos aliens. E quem pode culpa-los, sejamos francos? Entre varias armas poderosíssimas, o império conta com um tipo de míssil que se move a velocidade da luz que pode devastar áreas imensas. Uma ou duas dezenas deles podem devastar um planeta. E efetivamente devastam, como é o caso do planeta Ajian,um dos locais pra onde a Solo ship tenta desesperadamente pedir auxílio.

"Vc não pode ir com eles, Deck. Vc é só uma criança"
"Mas Cosmo e Kasha também são"

Tanto individualmente, quanto como grupo, o fardo da guerra vai deixando marcas entre os colonos. Os 10 primeiros episódios são bem lentos, mas quando a coisa engrena, você se vê afeiçoando-se ao grupo e aí o peso da trama acaba sobrando também pra nós que estamos acompanhando. 




Como já disse, Cosmo começa a história como o típico soldado turrão que quer resolver tudo na base da violência. O inimigo precisa ser derrotado e ponto final. Só que Tomino não nos deixa esquecer, em pelo menos 3 momentos, q ele é uma criança. Que precisou crescer rápido demais em virtude dos acontecimentos, mas também uma criança. É de partir o coração o momento em que o jovem finalmente quebra diante da pressão imposta. Depois de um ataque particularmente feroz por parte dos (vá lá) "vilões", Cosmo começa a apresentar claros sinais de stress pós traumático. Um guri de, no máximo, 15 anos de idade que JÁ É um veterano de guerra. Numa das raras incursões da nave em uma colonia (inicialmente) não hostil, ele conhece a oficial Camyula, que com o tempo passa a funcionar como figura materna pro garoto. E quando parece que finalmente ele tem a quem se apegar, a mulher é morta em batalha. Se decidirem seguir vendo a série, notem como até o olhar do jovem muda. De um tipico protagonista shonen (vcs sabem, um babaca tipo o Seiya) passamos a vê-lo como alguém a beira do ponto de ruptura, se mantendo de pé apenas pelo senso de responsabilidade com o resto do grupo e, claro, pelo desejo por vingança.
Aliás, a vingança vai ocupar um papel fundamental na trama. Com o tempo e o avanço das hostilidades os dois lados vão acumulando rancores a ponto de se esquecerem do por que da guerra começar. Como todos aqui são bem tridimensionais como personagens, varias vezes vão se questionar a respeito das motivações da batalha. 
Cosmo me conquistou de vez quando se pergunta do porque simplesmente não interrompem o banho de sangue entregando de vez a nave e o mecha gigante pro Buff Clan.
Se querem tanto assim as maquinas de guerra, que fiquem com elas. Todos sabemos que as pessoas estão dispostas a abrir mão de liberdades individuais e de direitos básicos em troca de certa paz e, mais uma vez, como culpa-las por isso? (mas, por mais que Tomino evite dividir os grupos em termos de bem e mal, a história sempre nos lembra do perigo potencial de uma arma do calibre do Ideon nas mãos de um povo conhecido por pular de guerra em guerra como é o caso do Buff Clan).

O Inferno são os outros.

Como em toda guerra, a alteridade é a chave pra manutenção dos conflitos. Somos nós contra eles, e claro que a série trata desse conceito, mostrando como isso é uma construção cultural. 
Num dos episódios mais comoventes da série, vemos o grupo terráqueo tentando promover um cessar fogo com os inimigos. As transmissões via comunicadores da Solo Ship estão avariadas, então, como sinalizar a intenção de conversar e iniciar negociações de paz? Cosmo propõe a idéia de usarem um sinal corriqueiro entre nós, a bandeira branca da paz. NO ENTANTO.......num dos mal-entendidos mais cruéis da série, a bandeira branca tem um sentido completamente oposto pros alienígenas simbolizando algo como "vamos lutar até o ultimo homem cair" pro povo do clã Buff. E aí as hostilidades recomeçam. 
No entanto, como diria John Lennon, "a vida é o que acontece enquanto fazemos nossos planos" e o universo tenta mostrar que estas diferenças são ilusórias, com casais de lados opostos se aproximando e com o tempo se apaixonando. As diferenças são ridiculamente pequenas a ponto de, em varias vezes, eu me perguntar, no decorrer do anime, se não descobriríamos que o Buff Clan não passaria de uma colonia humana distante. Ao final da série, Karala, já parte da tripulação em fuga, vai se envolver e engravidar de Bes. E o filho de ambos vai ter  um papel chave pro final da história.

"Relaying so much on Mechas is a mistake of the modern men"

Nem vou fingir que não vou spoilar aqui o final da série porque essa porra já tem 30 anos e ela ficou famosa PRINCIPALMENTE pela forma como termina (não que o roteiro não seja digno de todos os loas, vejam bem). 
Tomino, enquanto escrevia a série, passava por uma crise de depressão ferrada (olha só que até nisso ele e Hideaki Anno, criador de Evangelion, são parecidos. Anno já disse, inclusive, que Ideon foi uma das principais influencias na criação da sua saga apocalíptica protagonizada por Shinji Ikari) e o tempo todo isso vazava pro roteiro de Ideon. Sem brincadeira, não teve UM episódio entre os 10 finais q não tenha me feito chorar. É tudo tão triste, o clima tão insuportável e desesperador (sério, quando forem ver a série, recomendo depois emendar uma maratona de episódios do bob esponja pra sair do clima pesado do anime) que você quase torce pra que eles efetivamente entreguem de vez a nave pros inimigos só pra que os personagens possam ter alguma felicidade.
Sem brincadeira, pra mim, o PIOR momento de todos ocorre quando Moera, um dos pilotos do mecha, dá um esporro monstro numa das crianças, Fard. O menino é extremamente sensível e as batalhas vão tendo um efeito devastador no garotinho. Moera então dá um mega sermão no garoto dizendo que ele precisa crescer, que pessoas estão morrendo e que ele precisa se mostrar útil naquela nave. 
Alguns momentos depois, vemos Fard indo até Moera e entregando a ele a bonequinha que sempre carregava, dizendo que vai se tornar mais forte.
.......

Mano, eu tõ quase chorando de novo lembrando disso. A mensagem é clara: a guerra desumaniza e uma nave (ou uma cidade, um país, um planeta, etc) em guerra não é lugar pra inocência.

"We´ve been dragged into this too"
.
Além do óbvio fato de que a solo ship e o Ideon são armas devastadoras, o Buff Clan cobiça tanto os artefatos também por causa de uma antiga lenda sobre um guerreiro chamado Ide, que teria, com o auxílio de uma fruta mágica, resgatado uma princesa das mãos de um terrível monstro. 
Essa fruta seria uma metáfora do Ide, um conceito próximo ao da "força" dos Jedis: um campo de energia viva que seria manipulado por aqueles justos de coração. Controlar o Ideon, portanto seria controlar o Ide, que por sua vez, significaria q o Buff Clan é o " povo escolhido". Validação por parte de uma força cósmica maior. Sim, além de guerra e política, temos o elemento religioso marcando presença na trama. Ao conhecerem a tal lenda, os colonos também ganham novo estímulo para protegerem as armas de guerra de serem conquistadas pelo inimigo. Mas conforme a história vai rumando em direção à conclusão, percebemos que as intenções do Ide podem não ser as melhores.




É preciso lembrar: os humanos PILOTAM o Ideon, eles não CONTROLAM o gigante. Gigante que pode ter uma mente própria. E propósitos que beneficiam não os terraqueos ou o Buff Clan, mas a si próprio apenas. Vamos descobrindo que o fluxo de energia que determina o nivel de poder de Ideon oscila de acordo com o instinto de sobrevivencia dos mais próximos. Sabemos também que o nível de energia do gigante robótico é infinito. Manjam as linhas de ley? Agora, imaginem que existem linhas assim em todo o universo e todas elas convergem do e para o Ideon. Algo assim. E o Ide tem preferencia em proteger crianças. Os sinais estavam todos lá, só sendo percebidos quando já era tarde demais.


NO ONE IS SAFE!!!!


"If you want the Ide to like us, don´t you think we should avoid the killing of innocent animals?

Uma coisa que eu notei na série é que o roteiro divide a violência mostrada em dois níveis  Uma espécie de violência que eu vou chamar aqui de "natural", em oposição à violência anti-natural.
A natural seria a violência da Homeostase. Segue definição do wikipedia:

"é a propriedade de um sistema aberto, em seres vivos especialmente, que tem função de regular o seu ambiente interno para manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico controlados por mecanismos de regulação inter-relacionados."

Ou seja, é basicamente o ciclo natural de predador e predado. É violento sim, profundamente, como qualquer documentário do National Geographic pode provar (pra desespero dos bichos-grilos que acham que o mundo animal é amoroso e justo), mas funciona motivado pela busca por comida e proteção e serve também ao propósito de controle populacional de uma determinada espécie.
Por mais hostis, portanto, que sejam as criaturas envolvidas nesse ciclo, mesmo elas se chocam com a violencia anti-natural que é trazida pela guerra entre os terraqueos e o buff Clan. Vemos, na série, o olhar de surpresa dos homem-macacos ao ver a guerra ocorrendo ao longe, temos os Doumou, vermes gigantescos tipo aqueles de "Duna", mas muito, mas MUITO maiores, sendo utilizados como armas de guerra, mesmo tendo uma natureza inofensiva. E por fim, temos aquele planeta-floresta gigantesco (pensem em Dagobah, de Star Wars, só que com plantas gigantes) que é LITERALMENTE PARTIDO AO MEIO pelo Ideon. Essa violência não serve a propósito nenhum sendo apenas uma questão de poder sem nenhum fim "auto-regulador". O produto final de uma guerra é, como a história da humanidade nos mostra, mais guerra.


Chupa, Freeza. Não é só tu que manja de partir planetas ao meio.

Ok.....temos então um robô inteligente com energia infinita, dois povos em guerra e que só vão parar quando o outro lado estiver completamente aniquilado e crianças tendo sua inocência violada.
Pode não parecer, mas a sentença acima é uma equação. O resultado final disso é um só: o apocalipse.

Councillor Hamann: Almost no one comes down here, unless, of course, there's
                                   a problem. That's how it is with people - nobody cares how it
                                   works as long as it works. I like it down here. I like to be
                                   reminded this city survives because of these machines.
                                   These machines are keeping us alive, while other machines
                                    are coming to kill us. Interesting, isn't it? Power to give life,
                                     and the power to end it.

Neo: We have the same power.

Councillor Hamann: I suppose we do, but down here sometimes I think about all
                                   those people still plugged into the Matrix and when I look at
                                   these machines, I.. I can't help thinking that in a way, we
                                   are plugged into them.

Neo: But we control these machines, they don't control us.

Councillor Hamann: Of course not, how could they? The idea's pure nonsense,
                                   but... it does make one wonder just... what is control?

Neo: If we wanted, we could shut these machines down.

Councillor Hamann: Of course... that's it. You hit it! That's control, isn't it?
                                   If we wanted, we could smash them to bits. Although if we did,
                                   we'd have to consider what would happen to our lights, our heat,
                                   our air.

Neo: So we need machines and they need us. Is that your point, Councillor?

Councillor Hamann: No, no point. Old men like me don't bother with making points.
                                   There's no point.

Neo: Is that why there are no young men on the Council?

Councillor Hamann: Good point

O diálogo acima vem direto do roteiro de Matrix Reloaded. Um dia eu ainda quero escrever sobre a trilogia Matrix e fazer vcs entenderem de uma vez por todas pq eu acho as duas sequências de "The   Matrix" tão boas quanto o filme original e o porquê de adorar tanto o final da série, mas por enquanto, vamos nos concentrar no dialogo acima, pra mim, fundamental pra entender o rumo da história. Resumindo  em uma frase simples: aniquilação de um dos dois lados pode significar mútua aniquilação assegurada. Aquele lance da vitória de pirro, manja? E é nisso que Tomino acredita, pelo menos aqui em Ideon.


Cosmo nem imagina o quanto está certo

No final, os colonos percebem que estão sendo controlados pelo Ide. 
Pior, manipulados. 
Pior ainda, julgados. 
A profecia era clara: o Ide se volta pro lado dos justos. Mas planetas são destruídos, animais são chacinados, crianças são alijadas de sua inocência em prol da guerra, basicamente uma corrida armamentista cósmica. Quem é o justo aqui? Ninguém.
E se o Ide não pode se submeter a nenhum lado, já que ninguém aqui é puro o suficiente pra ele e, via de fato, a guerra retratada na série é só mais uma, funcionando como o micro-cosmo de um universo profundamente agressivo e perdido em guerras idiotas, podendo ser dividido em duas facções: povos em guerra e as vitimas destes sendo pegos no meio do fogo cruzado, só resta ao Ide fazer uma coisa: RESETAR A PORRA DO UNIVERSO INTEIRO.

O fim...

E é isso que ele faz. Sem brincadeira, o universo é destruído pelo Ideon ao final da série. Vemos os personagens em forma de espirito, guiados pelo espirito do filho não nascido de Karala, não coincidentemente chamado de Messiah, guiando as demais almas para um planeta em formação, onde eles poderão, reintegrados à natureza (olha só onde eu queria chegar citando a homeostase), recomeçar agora como uma raça evoluída, talvez mais justa e menos dada a atos de violência sem propósito. A humanidade foi julgada e condenada à morte. Mas, no mais próximo que Tomino nos permite chegar de um final feliz, ao invés da tela de Game Over, o universo (ou Deus, se preferirem) nos deu o direito de ter um Continue. O que faremos com essa nova chance, só Ele sabe.


"Was is scary"

E assim termina uma série MUITO foda (mesmo tendo seus defeitos e fillers q não vão a lugar nenhum) e MUITO pouco vista. 
Sorte que, à época, foi vista pelas pessoas certas (de novo, taí o Anno que não me deixa mentir) e acabou influenciando muita gente envolvida na produção de animes. Não é absurdo imaginar o dedo de Ideon afetando um monte de outras produções japonesas que adotaram esse tom sombrio (que me ocorre agora, além de Evangelion, só Akira, de Katsuhiro Otomo). E sim, eu vou evitar falar disso com muita profundidade porque esse texto já está gigante, mas eu notei as semelhanças absurdas entre Space Runaway Ideon e a versão de 2004 de Battlestar Galactica. 




Quase dá pra dizer que as duas obras se complementam. A mesma junção de política com religião, de realidade crua pé no chão e metafísica e de histórias de humanidade contrastando com um profundo desespero, além da macro mensagem anti belicista. Tudo isso, que é a base do roteiro de Ideon também está lá em BSG (e com a vantagem de ter a gostosa da Number 6 e o mega foda Almirante Adama, além de um final um pouco mais feliz - enfase no "um pouco"). 

É difícil de achar "Space Runaway Ideon" completa. Tive que caçar por semanas até achar um torrent com todos os episódios, mais o filme legendado em inglês, mas vale o trabalho. A história é foda, a animação não envelheceu tão mal (as cenas de batalha no espaço ainda são animais) e o filme "Be Invoked" é do grandessíssimo caralho então, não percam tempo. Ideon é obrigatório pra qualquer fã de sci-fi e de histórias densas de sobrevivência em tempos de guerra.

So say we all.

Ah sim, e já que mencionei, aviso que não é a ultima vez que cito Evangelion e Yoshiyuki Tomino nesse mês temático dos Jaegers vs. Kaijus. Aguardem e confiem. ^^



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

hello, hello, it´s good to be back....

Yo boys and girls.

Desculpem a demora. São 2h da manhã de uma quinta feira e eu to escrevendo q nem um doido pra poder botar o máximo de posts aqui com uma frequência razoável e não correr o risco de ficar mais um tempo sem textos novos, mas acho q vale a pena uma rápida explicação: ao contrario do ultimo hiato, q foi mesmo por puro bloqueio criativo, dessa vez a coisa foi um pouco diferente. Inspiração não faltou, o problema foi q a empresa em que trabalhava fechou e era lá q eu escrevia. Eu meio q não tinha muito habito de escrever no note e esse hiato recente do Groselha on the rocks foi consequência direta disso. mas como os senhores pode ver, esse eu pequeno bloqueio foi-se e agora as atualizações voltam. Até pq eu sempre tive na minha cabeça um numero de posts q eu queria escrever aqui  pra poder considerar esse um ano produtivo pro blog.
Creiam-me, minha intenção é fazer uns cursos de Webdesign e cursos correlatos, tudo isso pra poder melhorar o blog em termos estruturais, e ler muito, pra melhora-lo também em termos do conteúdo produzido.
Já fica aqui garantia de, pra logo, um post sobre a maratona q fiz da série "Velozes e Furiosos" e uma série de textos temáticos, no aguardo pro filme evento desse ano, fácil fácil: PACIFIC RIM (ROCKET PUNCH, DAMN IT!!!!!). Não vou antecipar quais os títulos q to vendo, mas posso dizer q to vendo muita coisa sobre kaiju e sobre robôs gigantes, incluindo muita velharia bem legal. Essa série se encerra, obviamente, com a crítica do próprio Pacific Rim, assim q estrear mês q vem.

No mais, só uma afirmação óbvia: é bom estar de volta. ^^

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ed mothafucking wood!!!







Finalmente, caraio!!! É esse fim de semana!!!! ^^


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Black Mountain - Wucan



Sério, que música linda.

Top 5 - Descendo o machado.

Hey guys. Sorry pela ausencia de posts, mas como alguns dos senhores sabem, eu tive uma recente mudança de status quo e agora moro sozinho again. Entre perdas e ganhos, devo dizer que estou me adaptando bem e consumindo filmes, séries e hqs como se não houvesse o amanhã. Gradativamente, vou acabar escrevendo sobre tudo isso, mas eu queria no momento fazer algo um pouco diferente aqui.

Seguinte, andei relendo alguns posts antigos e notei que eu sempre elogio coisas e falo bem das coisas que vejo/leio e tals. Mas isso me incomodou um pouco.
Uns anos atrás, eu costumava comprar uma revista chamada "Sci-Fi News". Pra quem não conhece, era uma publicação mensal que discutia coisas desse universo de ficção cientifica e fantasia em todas as suas mais variadas formas. Não era uma graaaaaaannnde revista, mas considerando que estamos falando de Brasil, eles faziam o melhor possível. Mas tinha uma colunista, cujo nome não vou lembrar (e mesmo que lembrasse, não citaria pq seria deselegante) cujos textos me incomodavam profundamente pelo tom excessivamente fanboy. A coisa atingiu um limite quando ela disse, certa feita, ser incapaz de criticar os filmes de uma determinada franquia de ficção cientifica pq quando ela embarcava nesse universo ela queria aproveitar tudo e ignorar os defeitos, como, segundo a visão dela, um verdadeiro fã deveria fazer.
Nesse momento, eu percebi exatamente o tipo de .......crítico? nao, eu não sou crítico. Escritor? DEFINITIVAMENTE, eu não sou escritor. ..... fã. É ISSO, fã. Eu percebi exatamente o tipo de fã que eu NÃO queria ser. Desculpem os mais xiítas, mas senso crítico é bom e ninguém morre por usar o seu.  Eu vou elogiar quando aquilo que eu estiver consumindo for digno de elogios e vou saltar do barco quando não. Se isso me fizer menos nerd, well...... so be it. A vida é curta demais pra vc gastar tempo com algo que te frustra. 
Isso posto, e só pra mostrar que eu NÃO sou um desses fanboys deslumbrados que fecham os olhos pros defeitos daquilo que vêem, decidi escrever um texto com minhas maiores frustrações da cultura pop do ano passado. O lance aqui é malhar mesmo e sinta-se livre para discordar, ok? 
So here.....we....... go: 


5 - THE NEW 52.




Triste, né? Eu me esforcei, eu juro. A idéia de um reboot já me causava náuseas, mas vá lá, vc tem que entender que é assim mesmo, é bom que as coisas se renovem e tals. Mas mano...... não, né? O resultado final foi bem aquém do esperado. Salvo o Superman do Grant Morrison, o Homem Animal e o Monstro do Pantano, nada ali empolga. O que é mais legal é apenas bonzinho. E o que não é nem se dá ao trabalho de ser miseravelmente ruim, sendo apenas.... medíocre. Mesmo material que o pessoal elogia avidamente, tipo o Batman de Scott Snyder, não me empolgou. Li, achei legal e tals, mas.... meh. 

É isso. 
E como se não bastasse, esse revamp da área de quadrinhos da Dc ainda acabou iniciando o processo que, aparentemente, vai acabar com a Vertigo. O que não é tão ruim assim pq ainda temos a Image, a Dark Horse e outras editoras mais voltadas pra trabalhos mais autorais, livres das amarras e necessidades de mercado típicas da Dc. Mas sei lá, eu cresci lendo quadrinhos de super-heróis, e diabos, o universo Marvel, salvo aberrações como o que andam fazendo com o Homem-Aranha, anda tão awesome que não consigo não lamentar o rumo que a editora dona da LJA anda tomando. 


4 - DEXTER



Flopei foda de Dexter. Larguei mão. Abandonei o barco. 

E via desde o começo. 

Eu estive lá quando o Ice Truck Killer começou a atormentar o Dexter. Eu estive lá quando a Lyla matou o Doakes. Eu vi o Miguel trair a confiança do Dexter e usar a proximidade com ele para alimentar seus demônios internos. E óbvio, eu estive lá quando Trinity Killer voltou de seu período de isolamento. E a partir daí foi ladeira abaixo, né? A quinta temporada foi meh. A síntese suprema do meh. As possíveis e fascinantes consequências da morte de Rita resultaram em nada. O romancezinho com a Lumi era algo entediante. E nada.
Aí veio a sexta temporada. Eu adoro serial killers com motivos religiosos, então, fui com um certo animo. E caralho, ia ter o Adama no seriado. Que foda. E...........nada. Pior, começaram com aquela palhaçada de romance entre a Debra e o Dex que ia contra tudo que tinhamos visto até ali (e não largaram esse osso na temporada seguinte. Qual o maldito problema desses escritores?). E foi tão triste ver pra onde tudo rumou pq, sério, a temporada tem dois dos melhores episódios da série inteira (a saber, aquele da morte do Brother Sam e o seguinte, com o "retorno" do Ice truck killer). Aí começou a sétima temporada. 
E eu indo ver, meio arrastado, mas vá lá, uma última chance, por tudo até ali. Primeiro bom sinal: sem serial killers esse ano. Yay. Sério, Miami tem a maior concentração de assassinos seriais da história mundial, né? Não sei como a população da cidade já não foi totalmente extinta por todos os psicopatas que fixam residência por lá.  A verdade é que essa premissa, do assassino de assassinos, obrigatoriamente tem uma vida extremamente curta, a não ser que o cenário das histórias do Dexter fosse itinerante (o que seria algo fascinante mas proibitivo em termos de orçamento para um seriado de tv). E como não é o caso, eles acabam forçando a suspensão de descrença do público até o limite, tentando nos fazer crer que todo ano, pelo menos uns 5 ou 6 assassinos do tipo vão estar agindo mais ou menos ao mesmo tempo. Então, vi a mudança com bons olhos. Ao contrário de um vilão clichê, um assassino de aluguel.
E o personagem do Isaak era tão legal. Um dos meus antagonistas da série favoritos, só perdendo pro lendário Trinity Killer.
E aí matam ele. E o substituem por outro assassino serial. Não, né? Já foi, já foi. Não volto pra próxima temporada. Talvez (se for mesmo a temporada final) pro último episódio, como fiz com House. E deus do céu, espero que os roteiristas dessa série tenham culhão pra não terminar tudo com final feliz.
O que eu duvido, anyway. 


3 - HOMELAND.



Então. tá na frente de Dexter na listinha por uma razão simples: a primeira temporada foi bem legal. Ao contrário da série do anti-herói de Miami que já vem se arrastando faz um tempo, a temporada de estréia da série sobre um agente duplo da Al-qaeda infiltrado nos E.U.A. foi muito boa, tirando um certo detalhezinho. que foi ampliado na segunda temporada e que foi o que me fez pular do barco.

Mano, sério, eu odeio a família do Brody. 

muito. 

Todo episódio aquele draminha, aquele romancezinho completamente whatever da mulher dele com o amigo militar. Mano, WHO MOTHAFUCKING CARES????? FUCKING TERRORISTAS ESTÃO QUERENDO EXPLODIR MEMBROS DO GOVERNO AMERICANO!!! WHO CARES se a porra da mulher do Brody vai ou não dar pro carinha lá?
E Deus do céu, a filha do Brody. Sério, a família do ex-soldado só não é o pior núcleo familiar de qualquer seriado que já vi pq tem "The Good Wife". 

"Ah, Urso, mas vc não gosta do Peter e do filho da Alicia? Aliás, o filho nem aparece tanto".

Não, vejam bem, eu adoro o Peter e nem ligo muito pro filho dela. É aquela....... menina. Ela sozinha, vejam bem, SOZINHA é o pior núcleo familiar de qualquer programa já feito. Sério, usem o artifício utilizado por seriados como "Barrados no baile" e mandem a menina pra um intercâmbio em Botswanna, pra uma bolsa de artes na Turquia, pra um estágio no Polo Norte, pra uma viagem pra Disneylandia com o Polegar Vermelho, mas CARALHO.

É o mesmo que rola com o personagem do Chang em Community. Com a desculpa que, quando bem usado, ele é engraçado pra cacete. ela não. É o maior desperdício de espaço desde, sei lá, o macaco azul dos super-gêmeos. Ou o Scooby-Loo. Tem a complexidade e o carisma de uma Magikarpa.
Com todo respeito às magikarpas.

Na verdade, retiro o que disse. Magikarpas são legais pq viram Gyarados. E de qualquer maneira, Magikarpas conseguem extrair alguma simpatia pelo aspecto looser. A filha da Alicia não.

E a família do Brody tb não. Eu sei, EU SEI que eles como personagens tem a função de mostrar o custo pessoal do periodo do ex-soldado como prisioneiro, fora o quanto sua proximidade com a causa de Abu Nazir lhe custa em termos pessoais, mas c'mon guys.....
Todo episódio os personagens falam do risco iminente de retaliação dos terroristas contra familiares e amigos do Brody. Sério: BRING IT ON!!!!!

EXPLODAM ELES. eu até acendo o pavio da bomba e rezo depois virado pra Meca se quiserem. 

Familia do Brody indo pro inferno. GO TEAM NAZIR!!!! \o/



2 - DETONA RALPH




A sorte de Detona Ralph é ter saído no mesmo ano que Hotel Transylvania, que não é apenas a pior animação de 2012, mas seguramente um dos piores filmes que já vi na vida. Pq do contrário, teria sido facil o pior longa animado que vi ano passado. E esse doeu de não gostar pq eu estava esperando mó ansioso e, diabos, eu adoro uma história protagonizada por um underdog, um outsider, anyway, alguém procurando rumo.
Mas mano, sério, e eu sei que nego vai querer minha cabeça por isso, mas o filme chapa, vejam bem, CHAPA no chão feito uma bigorna no exato instante em que a Vanellope aparece. E simplesmente não levanta mais.
Nada funciona, né? As piadas são nhé pra cacete, as citações até são legais, mas estavam quase todas no trailer, então...... A Vanellope é fofinha, mas só. Em termos de profundidade, e sim, eu sei que a comparação é cruel, mas qualquer coadjuvante de Toy Story devora a menina viva. 
Incrível, inclusive, como, a partir da primeira incursão do protagonista no reino dos doces, ele passa a ser a coisa menos importante do filme.

E o Felix Jr. ....

zzzzzzzzzz


Mano....o Felix.

É bem isso, Benjamin.


Assim, meu crítico de cinema favorito, o Pablo Villaça (do site Cinema em cena) tem uma expressão que sempre me soou meio confusa, que é "buraco negro de carisma". Nunca entendi muito bem se alguém assim é carismatico, por atrair o carisma presente de tal forma que é o unico foco dessa qualidade presente em qualquer cena, ou se ele é apenas um gigantesco vácuo.

Depois de ver o Felix, eu consigo entender perfeitamente que se trata da segunda opção. Uma boa história se constrói com bom roteiro e bons personagens. E bons coadjuvantes. E eu fico, sinceramente, ofendido com o fato de imaginar que alguém foi pago pra criar um personagem como o Felix, que é, vejam só, um buraco negro de carisma. Nada. Não tem nada ali. Só vácuo. 
Que nem o Turbo. 
E os demais personagens da terra dos doces. 
E os moradores do prédio do Ralph. 
Não dá pra dizer que isso também se aplica ao filme como um todo pq ele tem, sim, seus momentos e tals, mas caralho, isso é muito pouco pra um filme que prometia tanto.
Pois é, ficou só na promessa. 

1 - AVATAR: A LENDA DE KORRA



*respira fundo

Ok, eu sei que essa é uma batalha perdida, considerando o fandom que a primeira temporada da nova investida dos mesmos criadores de "A lenda de Aang" conseguiu arregimentar. Tumblr e comentários em sites em geral mostram que eu sou minoria absoluta aqui.
Mas whatever. Sério, flopada do ano FÁCIL aqui. Foi, sem sombra de dúvida, a coisa que mais me decepcionou ano passado. E eu explico pq. 

A Lenda de Aang é um dos meus desenhos favoritos EVER. O roteiro é foda, os personagens são fodas e tem alguns dos momentos mais memoráveis de qualquer desenho já feito. Sério, a dança dos dragões e o encontro com a tartaruga leão são coisas as quais eu vou me lembrar pelo resto da vida, dada a beleza poética, meio "Miyazakiana",  de tais cenas. O episódio de "Tales from Ba-Sing-Se"? sério, Arte. Simples assim. Uma obra-prima da animação em que todos os elementos funcionam perfeitamente. Caralho, até o MAKING OF dessa porra me fez chorar, mostrando o cuidado com que essa série foi feita.

E aí temos Korra. Primeiro acerto: Korra já aparece se mostrando completamente diferente, em termos de personalidade, do Aang. E eu achei isso ótimo, pq se eu quisesse um personagem igual ao Aang, eu ia rever a série original. Pessoas são diferentes mesmo. 

Beleza. E a ambientação também me conquistou. A proximidade do mundo de Korra com o nosso mundo da década de 20 só contribuiu para a imersão. Carros, eletricidade e um contexto de segregação em prol da pureza de uma "raça". Foda né? E aí....

Bom, aí, o seriado começa a fazer umas escolhas de roteiro que só podem, e com um espírito MUITO gentil, ser descritas como covardes. E preguiçosas.
Primeiro, a estrutura dos coadjuvantes é EXATAMENTE a mesma de Aang. Temos o parzinho romântico, temos o alivio comico e aquela que só está lá pra dificultar que a Korra e o menino bonitinho dela fiquem juntos.
Depois, temos a eterna chupação em cima da série anterior. Pense comigo nas coisas que vc gosta de Korra. A filha da Toph? O vilão? Tenzin? A aparição do Aang? O filho do Zuko?

Notou um padrão? Temos 5 elementos que remetem, em maior ou menor proporção, à série anterior. São coisas legais? sim. Mas são méritos de "A lenda de Korra" ou apenas lembretes do quanto "A lenda de Aang" foi uma série legal? Percebem?
A série tinha elementos muito bons que poderiam ter funcionado sem precisar depender tanto do universo anteriormente criado. A cisão entre dobradores e não dobradores, por mais clichê que possa parecer, tinha um puta potencial e, por um momento, pareceu que realmente ia decolar.
Mas nem rolou.

Os personagens. 

Então.........., vcs notaram que eu não estou citando nenhum pelo nome? Pois é.
Pq? PQ EU NÃO LEMBRO. Pq eles são profundos como uma folha de papel A4. Os personagens de Aang nasceram como estereótipos mas ao final da primeira temporada, eles já eram MUITO mais que isso. Esses não. Eles não são seres vivos, mas funções de roteiro. O alívio cômico. O par romântico. Nada além disso. Portanto, ninguém com quem eu consiga criar laços a ponto de temer pelo futuro deles.
E eu vi essa série ano passado.
A lenda de Aang eu não vejo faz uns dois anos, mas eu lembro dos nomes de todo mundo (e sem olhar no wikipedia). Cacete, o MOMOS é mais profundo que quase todo mundo ali, tirando a própria Korra e os personagens já citados que remetem a série original.
E a cereja no topo do bolo: mano, vc tem que ser ESPETACULARMENTE incompetente pra pegar o momento mais esperado da série, que era, sim, admito, o encontro da Korra com o espírito de Aang, e fazer disso uma cena medíocre. E foi. Foi o ponto mais frustrante da série inteira. Pq o Aang ressurge como uma conveniência de roteiro. Foda-se spoiler: "Oi, eu sou o Aang. Vc perdeu seus poderes, Korra? Olha que legal, aqui eles de volta. Tchau... e a propósito, vc notou onde eu estava escondido no episódio?"

"Eu sou o Aang e vc precisa me amar!!!"


NÃO, MANO. NÃO!!!!!!! >____<

Chupa essa manga, Vader. 

Se distanciar do universo original, pelo menos em termos de ambientação, foi EXTREMAMENTE corajoso. O final do vilão, a questão da potencial guerra entre quem tem o dom da dobra e os normais, tudo isso também. Mas tirando isso, tudo foi fácil demais, covarde demais, conveniente demais.
Num mundo perfeito, e em qualquer conversa sobre a série eu afirmo isso, MEU CENÁRIO IDEAL de uma terceira série, seria uns 500 ou 600 anos depois do final de Korra. Apesar de todos os pesares, pelo menos a série terminou redondinha. Então, pq não pular umas 3 ou 4 gerações e fazer um universo novo que NÃO dependa de Aang ou Korra? Pensem comigo, em pouco mais de uma geração, pulamos daquele universo fantástico da série original pra um contexto dando seus primeiros passos tecnológicos.
Imaginam que em pouco menos de um milênio é possível pensarmos um um mundo parecido com o NOSSO universo pós ano 2000, com dobradores nele? Uma mescla de um universo extremamente tecnológico com o aquela coisa meio "Ghibli" da série original? Fascinante, não? Ou algo meio como "Carnivale", um seriado meio obscuro da HBO que mostrava o momento de transição entre o universo da magia pro universo da tecnologia no nosso mundo (que teria seu momento pivotal com o desenvolvimento da bomba atômica). Tipo o universo de Dragon Ball, em que temos ambientes futuristas e retrô tipo "fantasia medieval" convivendo em harmonia. 

Ou mesmo algo completamente diferente disso, mas que seja tão original e fascinante quanto a "lenda de aang". Mas sei lá. 

Eu volto pra uma potencial segunda temporada sim, pq eu tenho esperança de ver algo que me surpreenda positivamente. Mas com os dois pés atrás. E de qualquer maneira, nada pode ser pior que isso: 

*suspiros decepcionados


É isso senhores. Pedradas, cusparadas e possíveis palavrões são esperados, mas tinha que tirar isso do peito. Eu tenho gastrite, sabem, não posso ficar acumulando frustrações. Não devo fazer disso um hábito pq eu acho meio inútil gastar tempo pra falar mal das coisas e tals. Mas qualquer pedrada que algum livro ou filme mereça MUITO, eu coletivizo aqui, nem que seja como forma de catarse. ^^

Excellent!!!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

2012 - 2013: Allons-y

Então....... quem diabos faz post de resolução de ano novo  em fevereiro, né? 
Empurrei com a barriga esse post pq eu tava sentindo que..... sei lá.... como diria o maior homem que já existiu, ch-ch-ch-changes estavam vindo, e seria melhor eu esperar a poeira assentar antes de tudo. 
A menos que algum parente morra (ou mesmo eu, mas nesse caso acho pouco provavel que isso vá ter qualquer significância pra mim a longo prazo) acho que não sobrou muito mais coisa pra acontecer nesse começo de ano (espero) e já posso fazer minhas previsões.
Bom.... 2012. O ano passado foi meio tenso. Difícil pra quase todo mundo que eu conheço (eu incluso) mas até aí, qual ano nao é, né? Tive meus momentos, anyway. Me formei em biblioteconomia. Comprei meu notebook e aproveitei o ps2 comprado no começo do ano anterior. Ao final do ano, comprei meu ps3 e ja zerei alguns jogos. Ou seja, ano passado foi o ano em que eu efetivamente voltei a ser um gamer. Ajudei Wander a derrotar os colossus, espanquei deuses gregos até a morte junto com Kratos, invoquei meus personas pra derrotar antigos deuses japoneses, derrotei o Coringa não uma, mas duas vezes, matei pessoas junto com Tony Montana, comecei (pq ainda não zerei) a entender os segredos do universo junto com Kos-mos e vi uma deusa-loba japonesa fazer a luz brilhar em meio às trevas.  
Li pra caceeeeeete. Finalmente li Saramago e devo dizer duas coisas: primeiramente, vcs são todos uns mimizentos, lá pela décima página já estava acostumado ao estilo do cara. E segundamente: Deus é um escroto. (Já podem deduzir qual livro foi).
Minha biblioteca pessoal foi engordada com 3 mega clássicos de Grant Morrison: o Absolute Superman, Flex Mentallo e meu Invisible Omnibus. Sério, eu quase choro toda vez que eu olho praquele mega livrão na minha estante de tão feliz. 
Continuo em minha jornada em Westeros, faltando dois livros pra ler pra finalmente me juntar à horda de pessoas gritando pra George Martin "write like the wind".
Tive uma das jornadas quadrinhísticas mais marcantes da minha vida lendo "Solanin" lá na casa dos meus pais, em Avaré. 

Em termos pessoais, foi um ano muito introspectivo. Até demais. Sai muito pouco, vi muito pouca gente pq.....bem, pq eu quis assim, não adianta dourar a pílula. 
2012 começou muito, MUITO complicado mas foi descendo com mais facilidade conforme os meses foram passando. 
E num piscar de olhos, chegou 2013. Tô com a idade de Cristo quando começou a operar os milagres pelos quais ficaria famoso e estou esperando meus poderes se manifestarem. Até agora, nada de água em vinho ou mortos levantando. Mas ainda estamos em fevereiro. 
Gostaria de dizer que a idade trouxe juízo, mas sejamos francos: eu sei tanto o que eu quero fazer da vida agora quanto sabia quando tinha 23. Ou 13. E provavelmente, quando tinha 3. Gosto de imaginar que estou um pouco mais sofisticado (com certeza mais do que minha versão de 3 anos de idade. Já sei usar o banheiro sozinho, vejam vcs) mas de resto, nada.
E aí chegamos no atual momento em que alguns dos dogmas que eu achava que estavam fixos em minha vida caíram e, mais uma vez, sejamos francos, não tenhamos ilusões de que a vida vá ficar mais simples.
Se por um lado esse é um cenário assustador, por outro lado não consigo sentir esse frio na barriga sem alguma excitação. O universo não gosta muito de calma e tudo tende a entropia, então.... Como dito em Sandman, tudo gira em torno da eterna opção de "mudar ou morrer". 
Mais uma vez então: no momento, meu cenário é de tabula rasa. Eu posso fazer absolutamente tudo que eu quiser. Com sérias restrições orçamentárias, é bem verdade, mas......
E o que eu quero? 

- Eu quero frequentar algumas vezes o templo Zu Lai, templo budista lindo (vi em fotos) aqui de SP. Fazer alguns dos cursos ministrados lá, talvez o de lingua chinesa ou algo assim. 
- Quero ir mais ao cinema. Acompanhado ocasionalmente, mas nunca escondi que eu gosto de ir ao cinema sozinho, pq é assim que eu fazia quando jovem e é assim que fazia quando cheguei aqui em SP (capital). 
- Cursos, de todo tipo. Programação, web design (pra poder brincar um pouco no visual do blog), linguas, edição de vídeo.....
- Quero ser um bibliotecário melhor. Pelo menos até poder decidir o que eu quero ser da vida em definitivo e daí...bom, daí não precisar ser um bibliotecário nunca mais. 
- Isso é bem óbvio, mas eu quero consumir cultura pop como se não houvesse o amanhã. Quase em nível profissional.
- Quero...... não sei se eu diria consertar, mas melhorar um pouco minha relação com meus pais. A essa altura não tenho ganas de fazer deles meus melhores amigos, mas ninguém aqui tá ficando mais jovem. Tô ficando calvo, tenho linhas de expressão, fios de barba brancos. Em suma, estou morrendo como....bom, como qualquer pessoa viva. Então, melhor aproveitar, mesmo considerando nossas incompatibilidades, o tempo que a gente tem junto. 
- Quero viajar mais..... mas eu sei que isso demanda dinheiro. E aí vem uma série de fatores agregados, mas, estamos trabalhando nesse departamento.
- Quero voltar a beber. Não de ficar bebado nem nada, mas sei lá.... eu gosto da sensação. Inclusive, esperem uma possível maratona de filmes do Alejandro Jodorowsky, escrita sob efeito de alguma substância alcóolica. (eu admito, eu SEMPRE quis fazer um post bebado).
- E entre outros resoluções que me fugiram da memória, eu quero levar esse blogzinho humilde, mas simpático, a sério. O que significa "a sério" eu não sei, mas enfim, acho que é impossível desvincular essa vontade de fazer coisas, de sair de dentro da minha cabeça e olhar de novo o mundo de forma fascinada com o fato de ter voltado a escrever, lá pelos idos de Novembro do ano passado. E a minha intenção é só parar quando morrer. Citando Charlton Heston, pessoal vai ter que tirar meu notebook "from my cold, dead hands". 
- Ser....feliz? Bom.....



...sempre preferi estar satisfeito e me manter interessante do que ser necessariamente feliz. Então, até aí, novidade nenhuma

A curtíssimo prazo, é isso. O futuro, só pertence à (introduza aqui sua entidade metafísica preferida). Mas é legal olhar um pouco pra dentro e ver que, vá lá, entre as dúvidas e inseguranças de praxe, eu consigo vislumbrar certo....otimismo?? Senso de fascinação com o mundo? Qualquer outro nome piegas pra essa sensação? 
Claro que as coisas vão ficar difíceis (como agora). Ocasionalmente, beirando o insuportável. Mas até aí, quando foi diferente? Como diria o Doctor, "the way I see, every life is a pile of good things and bad things. The good things don't always soften the bad things, but vice-versa, the bad things don't necessarily spoil the good things and make them unimportant".

Portanto, que possamos correr riscos e fugir do tédio, receber as coisas boas e ruins e enfim.....
...... geronimo. ^^




domingo, 3 de fevereiro de 2013

Groselha on the rocks na Campus Party 2013 (ou "o post mais fuleiro da história desse blog")

Em mais uma demonstração de meu comprometimento com esse blog, decidi compartilhar com vcs detalhes de minha fascinante incursão á Campus Party 2013. Sim, senhores, acompanhem comigo, a exclusiva cobertura do evento aqui no blog.

Bem, basicamente, acordei as 8h30 da manhã (atrasado) e fui pra lá. Obviamente me perdi antes de chegar, mas afinal, cheguei. Mais 5 minutos tentando entender se era só entrar e tals. Entrei. Na área gratuita, vários estandes, promovendo os mais variados produtos e serviços, alem de um palco com cadeiras montado ao fundo do local, onde eu tenho certeza que algo muito legal estava acontecendo, mas como tinha algo a ver com MMORPGs, e eu manjo disso tanto quanto eu manjo de, sei lá, esperanto, eu obviamente não gastei mais do que 2 minutos olhando a muvuca.
De lá, eu fui pra um estande com joguinhos vintage. Reencontrei meu nemesis videogamistico, o temível Sonic 2 para Mega drive. Fui até o final da segunda fase. E perdi. Diabos, NUNCA passei da porra da segunda fase.
Aí fui jogar Captain Commando. E devo dizer que a versão que joguei no pc, num emulador de NeoGeo era bem mais legal. Tinha o soco de um megaton. Isso é alguma coisa, vc poder enfiar uma porrada com a potencia de um caminhão desgovernado no queixo do seu oponente.
Andei um pouco mais pelo evento, onde um rapaz me perguntou se eu estava na pilha de mudar o mundo. aparentemente tudo que preciso pra tal é estagiar na IBM. E eu esperando por algo mais grandioso, tipo super poderes ou a cura do cancer. Vejam vcs....
Aí encontrei meu irmão (ah sim, pro inferno com a CP, fui pra lá pra isso), conversamos por algumas horas e vim pra Paulista, ver "The Master".

E essa foi minha emocionante incursão na CPBR2013.

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Ah sim, só pra constar, até fiquei com vontade de ir pra acampar lá ano que vem. Tudo depende, claro, do preço da entrada. E sejamos francos aqui: os caras investem um caminhão de dinheiro no evento mas não tiram nem um centavo pra ar condicionado ou, pelo menos, uns ventiladores no local? Calor da porra.

Ah sim II: a fauna local da CP é bem variada né? Teve um nerd otaku meio hardcore que deve ter passado umas 5, 6 vezes por mim e meu irmão enquanto conversavamos. em todas elas, ele falava sozinho (até aí, eu tb falo, então...) e lendo o mesmo mangá (acho que era beelzebub). Admito ter temido por minha integridade física em um ou dois momentos.

Ah sim III: Cara, uma fila gigantesca para pegar um bonequinho da vivo. Se é assim com brindezinhos simples, imagino o que o pessoal não faria por um Ipad de graça ou algo do gênero. Quando eu for, ano que vem, é melhor não esquecer minha katana.

Ah sim IV: Vi, de longe, o Erik Gustavo passando. O que é ótimo pq eu finalmente vi uma celebridade decente aqui em SP. Meus amigos já deram de topa com a bjork, ou já tiveram uma sessão de cinema com os caras do Ira!. Até então eu só tinha visto dois VJs da Mtv (o que equivale a....bem...nada. Até pq, um era ex-Vj e tenho quase certeza de que, na ocasiao, este fazia um trabalho de office boy para uma empresa de direito. é.....as vezes a queda é complicada.... )

Ah sim V: Sim, este foi o post com o título (e a idéia geral) mais escrota da história desse blog. E saibam que eu não me orgulho disto......
....
...bom, talvez eu me orgulhe um pouco... ^^

"O Mestre" de Paul Thomas Anderson



Assim, evito ao máximo o que eu vou fazer agora, mas serei auto-indulgente: vi " o mestre" hoje mais cedo e preciso comentar sobre o quanto esse filme é incrível. Paul Thomas Anderson conseguiu mais uma vez criar um forte candidato a clássico moderno (que se junta a Magnólia e Sangue negro, também de sua autoria). 
A historia narra o surgimento de um culto (conhecido como "a causa") sob a direção de Lancaster Dodds (Philip Seymour Hoffman) e da aproximação deste com Freddie Quell (Joaquin Phoenix), um ex combatente da segunda guerra com um gênio extremamente instável e um alcóolatra aparentemente incurável. Dodds vê nele a antítese dos dogmas mais básicos de sua recém criada religião. Logo no começo do filme, ouvimos a voz de Dodds afirmando que devemos nos distanciar de nossa essência animalesca, utilizando nosso intelecto para podermos evoluir. Freddie, por sua vez, é a lembrança viva de nossa natureza mais básica, dado, como é, a se preocupar apenas com a satisfação de seus instintos mais primais. Quando quer beber, utiliza-se do que encontrar: remédios, combustível de misseis, thinner. Quando quer satisfazer suas necessidades sexuais, simplesmente interpela uma garota que lhe atraia. E quando se sente ameaçado de qualquer maneira, não hesita antes de recorrer á violência.
Para Dodds, Quell é a cobaia perfeita para testar a natureza de sua recém criadas linha filosófica/religiosa. 
No entanto, infelizmente para o "mestre", quando vc olha para o abismo, ele te olha de volta.
Preciso dizer que esse talvez tenha sido o filme em que eu tive mais facilidade de enxergar a mão do diretor no andamento de algumas cenas, e achei a experiencia fascinante. Percebam como, na festa em que os personagens precisam ir em Nova York, logo depois da cena do barco, quando os personagens são introduzidos a dona da mansão (e que está dando a festa para Dodds) o personagem de Joaquim Phoenix não para de se mover, como um animal engaiolado. Não ficaria totalmente surpreso se ele abaixasse as calças e urinasse ali mesmo, de forma a marcar o território, como alguns animais fazem. E vejam como esse elemento é retomado (provando que eu não estou totalmente errado em minhas impressões) na cena da cela, onde, depois de conseguir acalmar Quell, Dodds, ainda calmo diante da fúria descontrolada do discípulo, urina na privada de sua cela. Aquele é SEU território, e o mestre se mostra o macho alfa daquela situação.
Mas claro que as coisas não são tao simples assim e ambos os personagens vão sair transformados da experiencia. 
Tanto se falou desse filme como uma critica à cientologia e tals, mas nada a esse respeito é explicitado. Sim, o filme levanta temas como a da validade da causa de Dodds e o quanto seus métodos, que envolvem lavagem cerebral e menções a pesquisas cientificas que provavelmente não existem, mas nada alem disso. 
A preocupação aqui é estudar esse cabo de guerra intelectual/conceitual entre os dois personagens e as consequências dele para os que são pegos no fogo cruzado, sejam os parentes mais próximos, como sua esposa Peggy (Amy Adams) e seus dois filhos, ou sejam, principalmente, os fiéis que veem em Dodds um messias em potencial. 
Ficam duas perguntas, após o termino do filme: Dodds, afinal, era um charlatão ou não? Na minha humilde opinião, ele podia, sim, se beneficiar de sua posição, e, afinal, varias vezes o filme demonstra a fragilidade de sua crença, aparentemente já com suas fissuras antes mesmo de Quell estabelecer sua influencia sobre ele, mas fiquei com a impressão de que ele REALMENTE acreditava em sua doutrina. 
E a segunda questão: qual o futuro dos personagens? Fiquei com a impressão de que todos ali estão fadados ao fracasso, pela sua própria natureza, pela constante busca por controle. Todos, exceto, talvez, Quell, que, na simplicidade de sua eterna busca por saciar seus instintos animalescos, só precisa continuar fazendo o que sempre fez: pegando o que quer, na hora que quer, para se manter satisfeito. Ao final dessa jornada, Freddie pode ser capaz de perceber, sim, sua essência bestial, mas talvez, não seja capaz de se importar com ela a ponto de fazer qualquer coisa a respeito. Ignorância, afinal, talvez seja REALMENTE uma benção. 
Sério mano, roteiro maravilhoso, elenco animal, direção impecável. Não consigo enfatizar mais o quanto eu gostei desse filme. ^^