quarta-feira, 28 de agosto de 2013

JAEGERS VS. KAIJU - MARATONA GODZILLA - PARTE II

GODZILLA VS. KING KONG (1962)
Diretor: Ishiro Honda




Era uma vez um gênio dos efeitos especiais norte-americano chamado Willis O´Brien. Obie, como era conhecido pelos íntimos, foi responsável pelos efeitos especiais de stop motion de Lost World (1925), do King Kong original (1933), Son of Kong (1933) e Mighty Joe (1949). Na década de 60, no entanto, não passava por um momento particularmente memorável, profissionalmente falando. Entre um e outro projeto pequeno, Obie rascunhou a idéia de um filme que se chamaria "King Kong vs Frankenstein". Na trama, um descendente do dr. Frankenstein criaria uma nova versão do monstro, maior e mais poderoso que o original que, tal qual na história que servi-lhe de inspiração, mata seu criador e foge. Paralelo a isso, um grupo de marinheiros parte para a ilha da caveira para capturar Kong e o resultado disso é óbvio: em algum momento as duas criaturas se encontrariam em solo americano e aí o resultado é a pura e simples porrada. 
O roteiro parou na mão do advogado da RKO Radio Pictures e este passou a bagaça para John Beck, produtor, que abraçou a causa do filme. Primeiro passo: contratar um roteirista para lapidar o texto original de Obie. Foi contratado George Worthing Yates, responsável por grandes filmes de sci-fi da época como "Them!" (1954), "It came from beneath the sea" (1955), "Earth vs. The Flying Saucers" (1956) e "War of Colossal Beast" (1958). Primeira mudança significativa: o filme muda de titulo para "King Kong vs. Prometheus". Roteiro finalizado, resta conseguir um estúdio que banque a idéia. Depois de não conseguir cativar nenhum estúdio norte-americano, Beck leva "King Kong vs Prometheus" para alguns estrangeiros e depois de passar pela Itália (sem sucesso) Beck vai parar no Japão. 
Lá, consegue falar com alguns executivos da Toho, que demonstram grande interesse pelo filme. Mas esse interesse não se deu pelos méritos do roteiro e sim porque queriam conseguir os direitos para usar o King Kong em um de seus filmes de kaijuu. 
Acordos feitos, contratos assinados, o monstro de Frankenstein foi apagado do roteiro e substituído pelo Big G. E a partir daí, nossa história começa de fato.

"The main thing I wanted in this picture was enjoyment"
                                                             Ishiro Honda

Ok.....como vocês podem perceber, existem uns hiatos grandes, cronologicamente falando, entre os filmes que eu vi da franquia do Godzilla e isso causou uns estranhamentos em mim enquanto via os filmes. Entre o filme original e esse aqui tiveram duas sequências e uma mudança absurda no tom dos filmes. Se o filme de 54 era sério até a alma, esse aqui .....bom...... não é. E vejam bem, nem digo isso apenas me baseando em minhas impressões do filme (mas sim, eu achei ele bem infantil, o que, vejam bem, não é necessariamente ruim) mas sim em comentários (injuriados) do próprio diretor da bagaça, Ishiro Honda: 

 "There was a huge fall in the average age of Godzilla fans, so Toho decided it would be a good idea to make him more heroic and less scary. I didn't like the idea, but I couldn't really oppose it. ... We didn't have many rights then. Once you made a film, it became company property."

Ou seja, graças ao enorme sucesso com as crianças japonesas, a maquina de matar do filme original virou......um monstro de (relativo) bom coração (e se acham esse filme infantil, procurem por "Godzilla vs. Megalon", onde o monstro se alia a um super-herói estilo Ultraman para combater monstros malignos). E aí a crítica rasgada e o monstro como metáfora são substituídos pela crítica sutil e pelo  WWF entre kaijuus. E vejam bem, nada de ruim nisso, as duas abordagens tem seus méritos. Se a primeira produziu um filme com conteúdo mais dramático, a segunda produziu filmes que são diversão pura (mas que não é necessariamente vazia, já que quase todos os filmes do Big G. trazem uma mensagem ecológica e anti-belicista). E falando em diversão, vamos ao filme: 

Ok........... os problemas aqui são basicamente dois: primeiramente, eu não espero que filme de kaijus tenham uma trama particularmente complexa e tals, mas CARALHO, a história do filme gira em torno de uma firma de publicidade que, na tentativa de limpar a barra de uma industria farmacêutica envolvida em crises de opinião pública, decide enviar um grupo até a ilha da Caveira (sim, eu sei que no filme chamam de Ilhas Faro, mas pro inferno, é a ilha da Caveira e ponto) para capturar o King Kong e usa-lo como garoto propaganda de seus produtos. 

.....


ROUND 01 - FIGHT!!!!
....

Ok, você não espera brilhantismo vindo de uma agência de publicidade (exceto quando ela é capitaneada por Don Draper mas essa é outra história), mas não me parece que trazer um garganthua de mais de 50 metros de altura pro Japão seja uma boa idéia. Ah sim, como notaram, deram uma turbinada no gorilão (que na versão original tinha pouco mais de 15 metros de altura) pra poder coloca-lo em posição de igualdade contra o Godzilla. 

Enfim, desconsiderando qualquer bom senso, eles mandam um grupo até a ilha africana para capturar o símio gigante. A ilha africana do Kong...


A ilha que fica na África




cheia de japoneses pintados de preto e com peruca black power.....




enfim.....

Depois de uma cena musical bizarra e do ataque de um polvo gigante (!!!!) o grupo consegue capturar Kong utilizando-se de uma técnica milenar: dão um goró local pro bicho e derrubam ele. 
....


Kong todo trabalhado na cachaça


...
sim, sim, só melhora. Depois de encherem a cara do Kong, eles acorrentam o bicho num navio e o levam pro Japão....


Kong completamente entregue à bebida


.......ENQUANTO...... Godzilla acorda e, por alguma razão cósmica, decide que é uma boa hora de ir pro Japão também.

....sério, kaijus são tipo gatos, né? o território é deles e ai de qualquer outro monstro gigante que tente invadir a área (ou tipo traficante em favela....nah, prefiro a comparação anterior). 
O resultado é inevitável, a porradaria vai comer solta e....

......
....e lembram que eu disse que o filme tinha dois grandes problemas, certo? bom, o segundo problema é que os monstros, salvo uma cena curtinha no meio do filme, só vão se moer de pancada MESMO nos últimos 10 minutos de filme.

Sim, sim, a coisa é meio broxante assim mesmo. Mas pelo menos a briga é firmeza, com direito a voadora e ao Kong entuchando uma arvore na garganta do lagartão japonês





huahauahauhaua......por que esse filme consta na lista do "golden turkey awards" de piores filmes de todos os tempos e não na de filmes mais reconhecidos em prêmios oficiais do cinema, eu jamais vou entender.

....enfim, a porradaria é extremamente divertida de se ver. Godzilla é mais forte e tem suas rajadas atômicas, mas o gorilão tem a vantagem de ser imune à eletricidade, na verdade se fortalecendo dela (resquícios de roteiro de quando o Kong na verdade era o Frankenstein) ao contrário do Big G. que é ferido por energia elétrica e.....

.....

wait a second....


Então.... o Godzilla no filme original, 8 anos antes, completamente de boa com eletricidade.....

......

.....enfim.....acharam provavelmente que o Godzilla era muito overpower e resolveram dar um downgrade em seus poderes, tornando-o vulnerável a eletricidade.
No final, pra que nem os fãs do Kong nem do monstro atômico japonês se frustrassem com um ganhando do outro, eles terminam a briga caindo no mar e desaparecendo. 

Apesar dos probleminhas citados acima, devo dizer que gostei bastante do filme, extremamente divertido e até com seus momentinhos de crítica social. Sai a crítica contra o uso de armas nucleares e entra a mensagem anti-comercialismo. Vejam bem: o vilão do filme não é nenhum dos dois monstros como pode parecer, mas sim o Mr. Tako, o publicitário from hell que por pura ganância, trouxe Kong pro Japão e permitiu que toda essa situação ocorresse. A crítica é clara contra a ganância que permite que, em nome do livre comércio e das leis de mercado, homens como Tako arrisquem centenas de vidas. Segundo o já citado livro de Ryfle, quando descreve esse elemento do filme: 

"Television was still a relatively new phenomenon in japan in 1962 (the first broadcasts
occurred in 1953), and ratings wars were turning the medium into a circus. Honda and screenwriter Shinichi Sekizawa, authoring the first of several great Godzilla scripts, deftly fashioned intersecting story lines to create two movies within one: The first is a great parody of Japanese corporate greed and ruthlessness in the advertising age, symbolized by Mr. Tako, the foolhardy publicity man willing to risk the safety of an entire nation to hype his company's products through a TV program; the second, lesser half is a stock giant-monster scenario"

Profundo, não? 

E as cenas de luta são bem ágeis  até, considerando que são dois autores em roupas bem pesadas e quentes. À época, a luta livre estava se popularizando no Japão e aproveitaram para emprestar alguns dos movimentos desse esporte pro combate entre os dois gigantes. Homenageando a técnica de animação que tornou o King Kong de 33 possível  tem uma cena bem legal em stop motion onde o Godzilla acerta um roundhouse kick no gorilão


ZILLA KICK!!!!!

Aliás, falando em efeitos especiais, o filme é muito legal pra quem se liga particularmente nesse aspecto da produção cinematográfica  já que temos varias técnicas sendo utilizadas aqui, de puppets a stop motion. Uma das minhas preferidas é a utilizada no ataque do polvo gigante (que variava entre um tentáculo em stop motion, um puppet esquisito e um polvo de verdade, além de muito chroma key ^^)




O polvo do mal espalhando caos e destruição



Enfim, vão ver o filme. Baixem um pouco as expectativas, mas podem ir tranquilos que é bem divertido. ^^

GHIDORAH, THE THREE HEADED MONSTER (1964)
Direção: Ishiro Honda



Esse filme é um dos mais divertidos da série, e só não é o mais awesome de todos porque tenho em altíssima conta os filmes da década de 90 (e isso sem falar do inacreditavelmente épico "Godzilla Final Wars", mas ainda é cedo pra citá-lo). Aqui rola o primeiro projeto de reunião de kaijuus no cinema, que vai MESMO acontecer no filme seguinte da maratona, "Destroy all monsters". Na trama, o oficial Shindo é encarregado de fazer uma matéria sobre a princesa Selina de um pais próximo ao Japão. Na viagem de ida ao Japão, no entanto, o avião da moça explode e ela é dada como morta.
Algum tempo depois, uma jovem aparece se dizendo uma profetiza venusiana anunciando um destino terrível pro planeta. E sim, obviamente, a jovem profetiza é a princesa acima citada.
Segundo ela, o povo venusiano era altamente avançado até que uma besta do apocalipse conhecida como King Ghidorah erradicou sua existência em questão de dias.
Enquanto isso um grupo de cientistas estudam um misterioso meteoro gigante caído em solo japonês
Ah sim, além de tudo isso, claro, como não poderia deixar de ser, Godzilla reaparece pra tocar o terror no Japão. E pra piorar tudo, ao mesmo tempo em que Rodan, o pterodáctilo gigante, também desperta de sua hibernação. A regra acima, de King Kong vs Godzilla se mantém, e claro, os monstros vão ter que sair na porrada. 
Só que em um determinado momento, o tal meteoro começa a brilhar e aí...




......KING GHIDORAH!!!

Prevendo o apocalipse, as gêmeas Cosmo (lembram delas? aquelas duas gemeazinhas que "controlam" a Mothra) invocam a borboleta gigante que vem em auxílio. Só que, pra quem não viu o filme anterior na cronologia da série, a criatura originaria da Infant Island foi morta em combate contra o Big G e como de praxe, uma nova encarnação da mariposa vai ter que surgir. Como consequência, a Mothra que vemos durante todo o filme é uma larva.

Sim, o destino do mundo está nas mãos de uma Caterpie gigante.

ah sim, tem uma subtrama envolvendo os assassinos que detonaram o avião da princesa Selina indo pro japão pra tentar terminar o serviço decentemente e dar cabo dela, mas considerando que temos 04 monstros aqui, em rota de colisão, quem se importa com a história da moça?

Godzilla e Rodan seguem se enfrentando  até que Mothra interrompe a briga e aí os monstros vão........... conversar.


Os 3 monstros sentados em círculo compartilhando seus sentimentos, medos e esperanças

.....

Sim, eles vão se sentar e discutir a situação em que estão envolvidos. 
Mothra vai tentar enfiar algum juízo na cabeça dos dois e convence-los a se unirem contra King Ghidorah.




Eu juro!!!! Segue a cena em gif






Malditos monstros!!!!!

Infelizmente, Godzilla e Rodan não se mostram muito dispostos a interceder a favor dos humanos. Compreensível, eu diria. Depois de vários filmes onde a humanidade disparou balas, misseis, criou campos eletrificados e usou de todos os recursos possíveis pra se livrar do lagartão, compreensível que ele guarde alguma mágoa.

Monstros numa mesa redonda discutindo seu ressentimento contra os humanos. Mano, depois me perguntam por que eu adoro essa fase mais divertida da cine-série do Big G. 

Enfim, sem sucesso na tentativa de entrarem em acordo, os dois monstros maiores seguem seu rumo e Mothra vai sozinha tentar deter Ghidorah, e os resultados, como vocês podem imaginar (e como qualquer jogador de pokemon que já enfrentou um Caterpie pode atestar) não é dos melhores.

Mas hey, nem tudo está perdido. Godzilla e Rodan vêem o combate entre o dragão de 3 cabeças e a larva gigante e, comovidos, decidem abandonar suas desavenças e ir em seu resgate. 

e aí....


mexer com o baixinho é sacanagem

Ghidorah começa dando um certo trabalho, mas no final os monstros trabalham em equipe (serião)
....




....e salvam o dia!!! aeeeeeeee

Pra quem diz que trabalho em equipe é uma falácia, chupa essa!!!!!

King Ghidorah vê que não vai dar conta e parte pro espaço.




Ah sim, no combate, paralelo a tudo isso, os assassinos da princesa são mortos e ela recupera a memória. 
O Japão está salvo, os monstros voltam pra seus respectivos lares, o bem venceu o mal e espantou o temporal e o filme acaba.

Mano, eu já disse isso,  mas vou me repetir: que filme divertido. Efeitos especiais, roteiro, todos os elementos se juntando pra fazer um filme que é basicamente awesomeness pura!!! Um dos meus preferidos de toda a franquia


DESTROY ALL MONSTERS (1968)

Diretor: Jun Fukuda




Ok, senão vejamos.
Tem Godzilla? Sim. Tem Rodan? Yep. Tem Mothra? Oh boy.
E tem King Ghidorah, tem Baragon, Anguiron, Manda (esse eu confesso q eu nem conhecia). Poderia ser melhor se não tivesse o filho do godzilla, mas whatever.
È o UFC dos Monstros gigantes (ou como eu acho vale tudo um porre insuportável, vou dizer que é o WWF dos Kaijuu). O roteiro mostra a Terra no futuro, no distante ano de 1997. A lua já foi colonizada e vivemos em relativa paz aqui na Terra. Uma ilha só pros kaijuu foi feita e eles vivem lá, num ambiente meio Jurassic Park, felizes, comendo e vivendo sua vida de forma produtiva. 





Até o dia em que o sinal que mantêm as barreiras da ilha em pé vai pro caralho e os monstros começam a atacar diferentes lugares do planeta (Palmas pra Anguiron q escolheu bem e foi direto pra França. aplausos de pé pro bichão botando o arco do triunfo abaixo. \o/). 
O fato é que temos mais uma invasão de alienígenas hostis à Terra e claro que a merda ocorrida na ilha dos monstros é parte do plano do extraterrestres, que planejam usar Big G e seus colegas pra apagar a humanidade do planeta. O filme é divertido como de praxe e olha só, dessa vez a parte dos humanos nem é tão chata. Realmente achei curioso o grupo de cientistas tentando deter a invasão em progresso enquanto o resto do mundo é posto abaixo pelo Rei dos monstros gigantes e seus colegas. Com o tempo, no entanto, os aparelhos que os aliens espalharam pelo mundo pra controlar as criaturas gigantes são encontrados e destruídos e os monstros, agora libertos da influência externa, partem pro revide.
Vendo que a casa ia cair, os ETs apelam pra sua arma final: KING FUCKING GHIDORAH. E a partir daí é

PORRADA!!!!!!!!!





Alguns pontos: primeiramente, vou reforçar o que os rapazes do kaijucast disseram ao comentar sobre esse filme e que foi uma impressão que tive ao assistir a obra: esse filme tem a cena mais agressiva de todas até agora: uma cientista está sob controle dos invasores e um cientista tentando detê-los percebe que os brincos que ela usa são aparelhos de controle mental. O que ele faz? Usa uma seringa com sonífero ou um paninho com clorofórmio pra botar a moça pra mimir e aí, gentilmente tirar os brincos dela? Nope, simplesmente arranca os brincos na marra, rasgando os lóbulos da orelha da rapariga.

OUCH!!!!!

Lembrei de rainha da sucata, em que a Laurinha, personagem da Gloria Menezes faz exatamente o mesmo com a personagem da Regina Duarte (whatever o nome) antes de se atirar de um prédio  Talvez ela tivesse feito isso por suspeitar que a Regina Duarte estivesse sob controle de invasores do planeta Kiraku.




…....acho que não.... eu me lembraria se tivessem Kaijuu em rainha da sucata..  
Diabos, eu me lembro perfeitamente dos zumbis em Vamp e da viagem no tempo em Kubanacan. Eu me lembro até que houve uma personagem sendo estuprada por um homem possuído pelo demônio em “Olho no Olho” (Diabos, novelas da 7 eram divertidas pra cacete antigamente.......ou isso ou eu só não tinha senso crítico plenamente desenvolvido nessa época).

Eu me lembraria se mostrassem o Godzilla destruindo o Leblon numa novela.
Enfim.....



- Numa evolução da mesa redonda feita em “Ghidorah, the 3 headed monster”, os monstros, depois de se libertarem do jugo do povo Kiraku, se reúnem e trocam uma idéia sobre o que fazer em seguida. E como este tipo de garganthua não é universalmente conhecido por sua misericórdia, eles decidem cobrir os invasores de porrada. Justo. Karma is a bitch.

- Mano, esse filme vai ficar marcado em mim pelo que ele poderia ter sido. Então, temos os Kiraku dominando a mente de um pequeno grupo de cientistas e os cooptando pra facilitar a invasão na Terra. E aí, eu noto q um dos invasores é este simpático rapaz.






“Quem é este moço, tio Urso?”

PORRA, little John, sempre me decepcionando.

Este homem, o excelentíssimo Susumu Kurobe, 3 anos antes de Destroy all monsters interpretou ninguém menos que Shin Hayata.

“quem?”

pqp, little John. ESTE É SHIN HAYATA.




Melhorou? Nope? ok, vou desenhar pra ver se fica mais claro



SIM, LITTLE JOHN E DEMAIS LEITORES JOVENS DEMAIS PRA SABER DISSO!!!!! Shin Hayata era a identidade civil de, junto com os robôs gigantes e os monstros gigantes, uma das maiores instituições culturais japonesas ever: O MOTHAFUCKING ULTRAMAN!!!! E não QUALQUER Ultraman, mas o ORIGINAL!!!!!!!
Então, os senhores vão me desculpar, mas espero que entendam que fiquei mega frustrado, mesmo sabendo o absurdo que era esperar algo assim, quando, depois de se libertar do controle mental, o personagem de Susumu Kurobe não sacou a porra da capsula beta e aí...

HEN MOTHAFUCKING SHIN!!!!!!!




Sim, eu sei que este não é o Ultraman original, mas não achei gifs do Henshin do Hayata




Apesar de tudo, esse é outro filme bastante divertido da série, principalmente por ser a primeira (mas não a ultima) vez em que vemos todos os monstros famosos da cultura pop japonesa reunidos.
Mas falo mais disso adiante, conforme a maratona for progredindo.
Ah sim, mais ou menos off topic, mas, vejam essa porra desse vídeo




cacete, mano. Pros fãs de Ultraman que ocasionalmente caírem aqui, entendem porque toda, TODA vez q eu vejo esse vídeo, eu choro tal qual um garotinho??? Awesomeness. Awesomeness pura.

GODZILLA VS. BIOLLANTE (1989)
Direção: Kazuki Omori




Mano, é bastante simples o problema desse filme e já mando de cara: eles tentam me fazer torcer contra o Godzilla.
E mano, eu NUNCA torceria contra o Godzilla. Nem que ele estivesse em via de pisar num hospital infantil com lindas criancinhas e os ursinhos carinhosos montados em pôneis dentro.
Nem que ele estivesse invadindo Avaré e em vias de apagar o bairro onde meus pais moram com uma rajada atômica.

100% Godzilla


A unica forma de torcer contra o Godzilla seria se fizessem um filme intitulado “Godzilla vs Ziggy Stardust” (imaginei David Bowie montado em Kumonga, a aranha gigante, atacando o Big G com uma guitarra e o riff de Rebel Rebel)

Mesmo assim, e do pedaço humano do filme ter uma trama um pouco confusa, gostei bastante do que vi (até porque o papel da história envolvendo humanos nos filmes do Godzilla só precisa ser boa o suficiente pra não ofender a inteligencia de ninguém porque o que a gente quer mesmo é ver o lagartão detonando cidades e saindo no braço com outros monstros colossais). A trama gira em torno do Japão, finalmente, depois de 40 anos tomando na cabeça com invasões quinzenais, desenvolvendo um plano de medidas anti-Kaiju. A principal delas envolve um conjunto de bactérias q devoram energia nuclear. E como o monstro que protagoniza o filme é basicamente, movido à base de energia dessa procedência...... (na verdade, segundo o filme, e é interessante entender um pouquinho da anatomia interna do bichão, o monstro conta com uma espécie de flora estomacal de bactérias nucleares que absorvem os alimentos e os convertem para o tipo específico de energia que mantém o monstro vivo. Technobabble, eu sei, mas divertida assim mesmo).  Vale destaque também outro desses aparatos anti-godzilla apresentado nesse filme: a Super X-2, uma nave capaz de absorver e redirecionar as rajadas atômicas do bichão (tomara que apareça em filmes futuros, inclusive)
O problema é que sempre existe o risco dessa tecnologia cair nas mãos erradas e ser utilizada para aniquilar o poderio nuclear de algum país desavisado (eu dormiria bem melhor sabendo que não existem armas nucleares no mundo, mas enfim....). Paralelo a isso, temos a história do Dr. Shiragami que combina células do Godzilla (usadas para a bactéria anti-tecnologia de que falei acima) com células de plantas e, de alguma forma, a alma da filha morta (????) pra criar uma criatura meio monstro atômico, meio planta, 100% kaiju, o Biollante


Biollante na forma original


Bom, como vocês notaram, do filme anterior pra esse foram quase 20 anos e deu pra notar como o tempo passou pra série. Primeiramente, o visual do Big G mudou um pouco, sendo um pouco mais assustador. Segundo, os efeitos especiais avançaram bastante. As roupas de monstro soam mais criveis, com mais detalhes e efeitos que ou não existiam antes ou que tinham um resultado final na tela bem mais tosco (o efeito do Biollante se movendo pra cima do Godzilla, por exemplo, ficou bem legal, sendo bem assustador). A cena que abre o filme, com o rei dos monstros arrasando Tóquio ficou animal, com um tom perturbador que lembrou o tom sério do primeiro filme, de 54. 




Biollante na forma SuperSayajin

 A porradaria entre os dois é bem legal. Não muito dinâmica porque...bem......é uma planta gigante, então... mas mesmo com as limitações do tamanho do monstro, as cenas de ação são bem competentes.


"Feed me, Seymour!"

E eu preciso comentar dos atores falando inglês nesse filme: mano, Joel Santana fez escola, porque, pqp..... aliás, isso é curioso na série. Ou o inglês falado é rocambolesco ou é perfeito mas com um forte sotaque redneck. Uma sutil crítica, talvez?
Pra que não digam que não citei, existe também um país fictício do oriente médio tentando botar as mâozinhas em cima da arma anti-nuclear. Oriente médio, norte-americanos e japoneses numa espécie de corrida armamentista no próximo passo do que diz respeito a armas biológicas. Promissor, hã? Infelizmente essa subtrama não tem maiores consequências do que um assassino de traços árabes aparecendo de vez em quando e cuja principal realização é passar fogo no cientista que começou com essa zona toda e ser desintegrado ao final do filme. 




Podemos seguir adiante, curioso pelo que vem, já que o próximo parece ser um remake do meu filme favorito da série até agora, “Godzilla vs King Ghidorah”.

GODZILLA VS. KING GHIDORAH (1991)
Direção: Kazuki Omori


Mano.....se eu tava reclamando que os filmes do Godzilla pecavam um pouco na parte da história reservada pros humanos e tals, esse filme calou minha boca. Que filme awesome. História redondinha de viagem no tempo. 
O filme narra as aventuras de um jornalista que investiga a história de um homem que pode, enquanto lutava na segunda guerra mundial ao lado do exército japonês  ter sido salvo por um dinossauro. Terasawa (o jornalista) não leva muita fé na história, mas tudo muda quando um ufo aparece nos céus do Japão e dele saem 3 pessoas supostamente vindas do futuro que vêm trazer a terrível notícia de que Godzilla destruirá o Japão.

…........

Deadpool mandando a real.


Bem...... diferentemente de todas as outras 150 vezes em que o Big G reduziu o Japão à cinzas. Mas segundo os time-travellers, desta vez o bichão vai fazer algo em nível profissional. Pra evitar o oblívio da grade nação do sol nascente, os 3 viajantes levam Terasawa e a psíquica Miki (lembram dela? a mesma do filme anterior e que vai continuar aparecendo até o reboot da série em Godzilla 2000) e o  professor Misaki (especialista em biologia) para a tal ilha do dinossauro que mencionei no parágrafo anterior (olha só as pontas da história se amarrando). 

Os 3 viajantes do tempo.


Segundo eles, dali a 10 anos, em 54, uma bomba nuclear vai explodir perto da ilha e o tal dinossauro vai ser afetado pela radiação. Sim, crianças, como os mais espertos entre vocês já devem ter adivinhado, o dinossauro em questão vai se tornar o Godzilla. A missão dos viajantes é teletransportar o bichão para outro ponto antes da bomba explodir e impedir o surgimento do monstro arrasador de cidades. Obviamente, no entanto, as boas intenções dos 3 homens do futuro não são tão boas. Quando eles chegam, vemos 3 criaturazinhas adoráveis, bichinhos de estimação da tripulação, conhecidos como Dorats (uma espécie de dragão fofinho). 

Dorats


Quando o grupo, já tendo se livrado do dinossauro, volta pra nossa época (no caso, 1992) Godzilla supostamente sumiu............ mas no lugar dele, temos seu nêmesis, King Ghidorah, tocando o terror. 

Wibbly wobbly timey wimey em toda sua gloria. Dois terços da tripulação dos viajantes do tempo não estavam satisfeitos com o futuro papel do Japão como principal potência mundial e decidiram deixar os Dorats na Ilha Lagos pra que estes fossem mutados quando a bomba explodisse. O resultado disso é que os três dragõezinhos fofinhos viraram o King Ghidorah e agora ele, ao invés de Godzilla, vai varrer o Japão do mapa. 


Dracarys!!!! Antes....

...e depois...

Isso é o que eu chamo de concorrência desleal. Vejam, é por isso que viagem no tempo é uma idéia que me causa calafrios.

NO ENTANTO..... anos e anos vendo doctor who me ensinaram que mudar o curso do espaço tempo não é tão simples assim. O fato é que o surgimento de Godzilla é um ponto fixo no tempo e, como tal, o universo dá um jeito de arrumar a zoada que os time travellers pilantras tentaram dar no mundo. O local onde o Big G foi teletransportado foi, décadas depois, onde teria ocorrido o vazamento do combustível nuclear de um submarino. E o resultado.....




…..BOOOOOM, CHUPA ESSA!!!! WIBBLY WOBBLY TIMEY WIMEY!!!!  E a partir daí é a boa e velha

Porrada!!!

do pescoço pra baixo é canela....peraí, é isso mesmo?? Sou péssimo com metáforas futebolisticas....


Godzilla senta a moléstia pra cima do dragão de 3 cabeças (principalmente porque a nova versão do lagartão é mais forte, maior e mais foda ainda do que antes) e impede que Ghidorah destrua o japão....

BOOOOOOOOMMMMMM!!!!!!!


aeeee, caraio, estamos salvos........pelo menos até o próprio Godzilla decidir q era uma boa idéia obliterar a cidade. E aí alguém surge com o plano brilhante: por que não vamos ao futuro, ressuscitamos King Ghidorah e trazemos ele de volta pra esbudegar com o Big G?

ao que os demais personagens respondem “brilhante idéia”

NÃO, NÃO É. Porque o Ghidorah solto pelo Japão, espalhando seu mau humor sobre os pobres japoneses incautos foi o que provocou toda essa zona.....

Bem, como de praxe, ninguém me dá ouvidos e decidem ir ressuscitar o dragãozão. E não apenas, dão uma turbinada no bicho, transformando-o no MECHA KING GHIDORAH.





Apelação, não? Sim, porque isso é tudo que o universo precisa, pegar esse bicho mega poderoso e torna-lo ainda mais forte. Anyway, o bicho, sob o comando de Emmy (uma das 3 viajantes no tempo, lembram?) senta o cacete no Big G e o manda de volta pro mar, salvando o Japão e consequentemente o mundo.

Alguns pontos:

- “Mr Spielberg”. Que awesome
- O filme tem pelo menos duas cenas absolutamente lindas. A dos soldados japoneses agradecendo, em 44, ao dinossauro que viria a se tornar Godzilla pela ajuda contra os americanos e o reencontro de Shindo e do monstro, 50 anos depois. Linda a cena em que os dois se contemplam por algum tempo, antes do inevitável ocorrer. 

Tá, eu chorei aqui. E aquilo é uma lágrima no olho do Big G? Enfim, mega cena emocionante e aí....


BOOOOOOOOM!!!!! Godzilla sendo Godzilla. Emoções são pros fracos!!! ^^


As pessoas tendem a tratar filmes do Godzilla apenas como se fossem entretenimento bobo e babaca, mas mesmo os filmes mais galhofados da franquia possuem um ou outro momento mais sublime (e isso desconsiderando o filme original de 54, que é belíssimo e cheio de momentos tocantes).
- Só eu achei o andróide T-1000 style (a cena da corrida foi referência óbvia a Exterminador do Futuro 2 misturado com o homem de 6 milhões de dólares) uma versão menos bonita do Michael Fassbender?
- Um ponto do roteiro que me incomodou por boa parte do filme foi: se apagaram o Godzilla em 44, como diabos, em 92, todo mundo lembrava da existência do bicho? Bom, o fato é que resolveram isso com o lance do submarino afundado.
- Pra quem está se perguntando, sim, a porradaria entre os monstros é épica. Aliás, em termo de qualidade de pancadaria, a série vai de forma ascendente até o ultimo filme antes do reboot da franquia, “Godzilla vs. Destroyer”.

Depois desse filme foda, falemos de um dos mais chatinhos da série.

GODZILLA VS. MOTHRA (1992)
Direção: Takao Okawara



Mano, eu odeio o Mothra. Serião, porra de borboleta gigante fofinha amiguinha das crianças é o cacete. E eu odeio as gêmeas Cosmos. Mano......eu odeio musicais. eu odeio filmes da Disney por isso, Diabos, a última coisa de que preciso é de gente cantando no meio dos meus filmes de kaiju. Enfim, a história desse filme envolve um explorador Indiana Jones Style, a Miki e uma empresa que explora recursos naturais de forma predatória, o que acaba trazendo Mothra e seu irmão gêmeo maligno, Battra, à vida.



Mothra no estágio larval.
Mothra no estágio final. E sim, eu sei, essa piada é óbvia.


yadda yadda yadda, porrada entre os 3, Battra muda de lado e decide ajudar Mothra a salvar o Japão do Godzilla, que decide reaparecer porque......bem, pq ninguém detona o Japão senão ele próprio. 

Mothra, a amiguinha das crianças......

 
E Battra, a Evil Mothra, espalhando caos, medo, horror e desespero.

Sério, com a frequência com que esses monstros saem na porrada apenas para defesa territorial, a impressão que fica é que eles possuem um sexto sentido tipo Highlander que avisa quando tem outro monstrão vivo e tocando terror no quintal deles. E aí....bom... só pode haver um.

Anyway, o filme é chatão. Próximo.


continua na parte III

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

JAEGERS VS. KAIJUUS - MARATONA GODZILLA - Parte I



Afinal, monstros também tem coração....


E aí crianças? Siiiiiiiiiiiiiiiiiimm, continuando a maratona de filmes de mechas e monstros gigantes, agora.....bom, agora a coisa fica séria.  Se eu queria fazer isso DIREITO, não dava pra ignorar a maior cinessérie de Kaijus que já existiu (chupa, Gamera). Sim, senhores, vamos embarcar no maravilhoso mundo de lagartos gigantes, anquilossauros super desenvolvidos, borboletas tamanho família, atores usando roupas gigantes (e potencialmente letais) esmagando maquetes e tudo que vem à memória quando falamos de (pausa dramática aqui...) .....GODZILLAAAAAA!!!!!!

                                              O tema de Godzilla, composto por Akira Ifukube
                                                 
Faz tempo que eu queria ver os filmes da série (só tinha visto um ou outro que passava, errante, pelas tardes do "cinema em casa", no SBT, além daquela abominação norte-americana de 1998), tava com uns 12 ou 13 deles aqui no computador, de um torrent que baixei há algum tempo, então, oras bolas, pq não?
Vou escrever sobre os que vi, em ordem cronológica, começando com o filme original, de 1954 e culminando no megalovax foda "Godzilla Final Wars", de 2004.

Mas primeiro, um pequeno contexto

.....senta que lá vem história...

Ishiro Honda, o diretor,  que também é um dos roteiristas do filme e "quem manda nessa porra"

"Mankind had created the Bomb, and now nature was going to take revenge on mankind."
                                                                                       Tomoyuki Tanaka

Tanto em termos narrativos como de produção, reais, a história do Godzilla começa 9 anos antes da sua produção, em 1945. Sim, com as duas bombas, Hiroshima e Nagasaki sendo reduzidas à cinzas. Menos de uma década depois, o produtor Tomoyuki Tanaka queria realizar alguma obra que tratasse do tema (reza a lenda que a idéia do filme surgiu numa viagem de avião de volta pro Japão, depois de ver o projeto de um filme que viria a produzir na Indonésia ser cancelado), afinal, as feridas ainda estavam bem abertas. A principio a idéia seria a de um filme dramático sem elementos fantásticos, mas a coisa foi evoluindo na cabeça do rapaz e ele chegou a conclusão de que seria interessante fazer alguma coisa no gênero do Kaiju Eiga (filme de monstro).

Tomoyuki Tanaka, produtor do primeiro filme e pai da idéia. Mano, sério, eu adooooorooo essa foto.

Lembremos que algum tempo antes, dois filmes americanos haviam feito sucesso absurdo no mundo inteiro, Japão incluso: o King Kong, de 1933 (que teve relançamento mundial nos cinemas, 19 anos depois) e 'The beast from 20.000 fathoms" de 1953, marcos iniciais dos filmes de monstros. Com esse embrião de idéia, Tanaka procurou o estúdio Toho e lá, junto com o diretor Ishirô Honda, o diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya (e se esse nome lhe soa familiar, fã de tokusatsu, não é a toa. O cara é o "pai" da Família Ultra) e os roteiristas Takeo Murata e Shigeru Kayama (na verdade, um escritor de ficção científica famoso que foi contratado pra conferir legitimidade ao roteiro e que fez a primeira versão da história, que depois vai ser um pouco modificada por Murata e Honda), eles desenvolveram a idéia de um filme onde o monstro gigante seria uma metáfora dos horrores sofridos ao final da II Guerra Mundial.

Eiji Tsuburaya, the (Ultra) Man!!!!

A coisa foi sofrendo mudanças aqui e ali. O monstro, que em estágios iniciais foi concebido como um polvo gigante ou um gorila aos moldes de Kong, foi virando uma espécie de dinossauro mutante. Pro visual do bicho, o diretor de arte Akira Watanabe combinou a aparência de um T-Rex, um Iguanodonte, um Estegossauro (sim, a formação óssea maneira nas costas do monstrão) e um crocodilo. A textura da pele do lagartão teria aquele tipo de crosta quelóide, que remetia ao tipo de deformidade ocorrida nos sobreviventes das bombas nucleares.
Num estágio inicial, inclusive, como dá pra ver no concept art embaixo, o formato do crânio do monstro evocava a imagem do cogumelo nuclear.

Primeiro concept do crânio do Big G, feito por Kazuyoshi Abe, lembrando um cogumelo nuclear.

Ainda na fase de estudos do visual final do bicho, um dos modelos mais próximos do resultado final.
Enfim, a idéia deu frutos e em 03 de Novembro de 1954, estreou "Godzilla" (ou Gojira no original. Sim, tem aquela história de que é a junção das palavras que em japonês significam gorila e baleia, mas encontrei também uma versão que diz que o nome veio de um camarada que trabalhava na produção e que era muito alto, por isso, apelidado de "Gojira", portanto, batizaram o monstro com o apelido desse sujeito. Eu sinceramente prefiro essa versão da história. Fico feliz em imaginar que em algum determinado momento, o rapaz em questão se pegou pensando que um dos principais produtos culturais de exportação do Japão foi batizado em seu nome ^^).
Haruo Nakajima, o primeiro ator a usar o body suit (como traduz isso? roupa de látex?) do monstrão diz que a fila, na noite de estréia, era imensa, de dobrar esquina. Imediatamente ele disse para o diretor Honda, que estava ao seu lado "olhe só pra toda essa gente. Vamos ter que fazer uma sequência". 

....profético, não?

Enfim, o sucesso foi absurdo. 29 filmes (contando aquela aberração norte-americana de 1998) divididos em 3 "fases" distintas.

1ª - A fase Showa, que vai do filme original, "Godzilla", de 1954, até "O Terror de MechaGodzilla", de 1975
2ª - A fase Heisei, que vai de "Godzilla 1984", que foi lançado em.....bom, vc pode adivinhar... até "Godzilla vs. Destroyer" de 1994.
3ª - A fase milenium (ou "new reality"), que vai de "Godzilla 2000", que foi lançado em......1999 (RÁ, já tava se sentindo o fodão, né?) até o ultimo filme da franquia (até agora) "Godzilla Final Wars" de 2004.

As vezes focavam só nas patas do monstro então o coitado do ator era poupado de usar o uniforme todo

A altura e peso do Godzilla vão meio que oscilando dependendo do filme, variando entre 50 e 100 metros de altura e entre 20 e 60 mil toneladas de peso. A cor da criatura também é passível de discussão. Nos filmes mais recentes decidiram de vez que o bicho era verde, mas até então a cor dele, entre uma e outra variação mais bizarra, ficava entre o cinza meio carvão. 
Onze atores interpretaram a criatura, nesses 50 anos de existência. E elenco aqui um por um, pq sempre acho que esses atores de bodysuit em filmes de monstros merecem bem mais reconhecimento do que acabam tendo: 

- Haruo Nakajima



- Katsumi Tezuka



- Seiji Onaka
- Yú Sekida
- Ryosaku Takasugi
- Shinji Takagi
- Isao Zushi
- Toru Kawai
- Kenpachiro Satsuma



- Mizuho Yoshida
- e por ultimo, mas não menos importante, Tsutomu Kitagawa



Ah sim, pro caso de estarem se perguntando, não tem fotos dos demais atores da série aqui pela mesma razão que não tem fotos dos dois roteiristas: porque o mundo é uma droga. E eu juro que procurei com afinco... Enfim.....

E cito os nomes deles pq vcs não tem idéia do quão difícil é ter que se mexer dentro daquela fantasia de látex mega pesada (a saber, 17 versões da fantasia já existiram, ao longo da franquia, sendo que a original pesava quase 100 quilos!!!), incômoda (o contato do latex com a pele suada dos atores geralmente causava de alergias à feridas, fora que o material não era muito flexível, logo, fazer qualquer movimento mais complexo do que, simplesmente, andar pra frente, era impossível), quente (a temperatura interna dessa porra passava dos 50 graus), sem poder ver direito, já que os buracos no pescoço do monstro não podiam ser grandes a ponto de serem vistos na versão de cinema (e de qualquer maneira, o suor torrencial dos atores dentro da fantasia tapava os buracos, tornando tudo ainda mais complicados) e tendo que se mover velozmente, já que o filme era gravado 3 vezes mais rápido que um filme normal, em 72 frames (chupa, Peter Jackson) de forma a que, quando tivesse a velocidade reduzida, passasse uma idéia de movimentos grandiosos e pesados.


Tokyo is going dowwwnnnnn!!!!

Fora que frequentemente haviam cenas aquáticas, e pra dar alguma merda, do tipo nego caindo e perigando morrer afogado, até alguma fiação interna da roupa, que estava lá pros efeitos de luz na pele e olhos do Big G, soltar e quase matar o ator lá dentro eletrocutado, era um pulo. E se, com o tempo e a tecnologia de efeitos especiais cada vez mais sofisticada, tecnicamente tudo deveria ficar mais fácil pros atores, devemos lembrar que agora a roupa tem motores pesados responsáveis pelos movimentos faciais do Lagarto gigante, então, ainda é um suplicio se mover dentro daquela coisa (não precisam acreditar apenas na minha palavra e em meus belos olhos castanhos. Vejam o próprio Kitagawa falando de como já quase morreu em uma determinada cena, nas filmagens).



 O monstro é um dos patrimônios culturais do Japão. Dono de uma estrela com seu nome na calçada da fama, nos Estados Unidos. E foco da maratona que registro a seguir. Groove ^^

GODZILLA (1954)
Diretor: Ishirô Honda

Ok......então, apesar de já ter feito um pequeno exercício de contextualização acima, vamos continuar nos entornos do filme. O longa-metragem abre com um navio militar em alto mar, os marinheiros descansando no convés e do nada, DO NADA, um brilho aparece e no momento seguinte, o barco está em chamas.
Sim, todos sabemos que o monstro simboliza o perigo nuclear e todo mundo lembra das bombas no final da segunda guerra, mas esta não foi a ultima vez que armas nucleares tornaram a vida dos japoneses consideravelmente mais difícil.  Pelo contrário, a ameaça era iminente. Guerra fria correndo solta e o Japão no meio de duas potências realizando testes nucleares. De um lado os soviéticos, e do outro os norte-americanos na base localizada nas Ilhas Marshall. De quebra, a Guerra da Coréia rolando, e a ameaça de que as consequências de um possível ataque nuclear originado ou da China, ou da própria Coréia, resultasse em fallout (eu não sei como se traduz isso, acho que em português fica algo como "Cinzas negras" ou algo assim. Vcs sabem: as bombas explodem e a radiação residual - além de destroços contaminados - são levados pelo vento, contaminando tudo no caminho) em território japonês. Pois foi de um teste nuclear norte-americano que veio a tragédia: no dia primeiro de Março de 54, os ianques executaram uma ação conhecida como "Operação Bravo", que consistia na explosão de uma bomba de hidrogenio de 15 megatons (só pra constar, 750 vezes mais potentes que as duas bombas que mandaram Hiroshima e Nagasaki pro espaço) no Atol de Bikini. O resultado superou todas as previsões feitas e o material contaminado pela radiação acabou indo muito mais distante do que imaginavam os militares norte-americanos. A mais ou menos 160 quilometros a leste do atol, encontrava-se o Daigo Fukuryū Maru (第五福竜丸, Dragão da sorte nº5), navio pesqueiro japonês. O resultado aqui é óbvio: material radiativo atingiu o navio. Os membros da tripulação voltaram pro Japão, doentes, apresentando sinais de exposição às cinzas nucleares e meses depois, alguns deles vieram a morrer de câncer e demais doenças ligadas à radiação. Nos meses seguintes, o ocorrido ganhou publicidade nos jornais japoneses e aí, além de toda a merda ocorrida, as pessoas ainda tiveram que passar por um período de boicote ao consumo de peixe, com medo (justificado, não?) de que a carne dos animais estivesse contaminada (conseguem entender o impacto disso, considerando que peixe, junto com arroz e macarrão, é um dos principais alimentos consumidos pelos nipônicos? Imaginem uma merda dessas contaminando todo o arroz e feijão brasileiro e vcs vão ter uma idéia). E é aí que entra a cultura pop. Do mesmo jeito que a crise da bolsa de 29 vai provocar o surgimento dos super-heróis, ou o ataque às torres gêmeas em 2001 vai meio que servir pra catapultar de volta pro idéario popular a figura dos heróis encapuzados, os contadores de história japoneses resolveram usar a arte pra mexer nessa ferida aberta. Como eu disse, o filme abre e vemos uma reprodução do incidente do Daigo Fukuryu, só que agora com um navio militar japonês. Um segundo navio é enviado para descobrir o que ocorreu e o final é exatamente o mesmo. Nos arredores, os moradores, um grupo de pescadores, tem seu vilarejo atacado por algo descrito como um monstro gigantesco.
O acúmulo dos relatos vai preocupando as autoridades japonesas, que decidem enviar um grupo liderado pelo Dr. Yaname, famoso paleontólogo, para investigar.
E aí, o que eles encontram é.......

O primeiro contato com a fera
 O filme segue, basicamente, duas linhas narrativas. A primeira, óbvia, é a do Japão lidando com uma besta enraivecida de 50 metros de altura vindo pra cima deles. A segunda, gira em torno da família do Dr. Yaname. Sua filha, Emiko, está apaixonada pelo militar Ogata. O problema é que ela está prometida para se casar com o Dr. Serisawa, cientista japonês envolvido num projeto pessoal secreto. 

Sejamos francos: nem sempre, mas em alguns dos filmes seguintes, já menos dramáticos, o drama humano soa meio enfadonho, já que o que a maioria (eu incluso) quer ver é monstro se moendo de porrada. Nada errado, até aí (mas tem algumas das sequencias que sabem equilibrar bem os dois lados da história. A maioria dos filmes da década de 90, por exemplo). Mas como o tom aqui é COMPLETAMENTE outro, bem mais dramático, a trama envolvendo o triângulo amoroso entre os 3 personagens acima citados acaba encontrando seu lugar no filme. Até porque a vida de Emiko, Ogata e Serisawa vai ser diretamente afetada pelo surgimento do Kaijuu. Por diversas vezes Emiko vai tentar contar a verdade para Serisawa e desfazer o relacionamento entre eles, mas em todas estas vezes a chance é perdida por algo relacionado ao monstro ou aos esforços para detê-lo. 

Ogata e Emiko


Eu citei, no texto sobre "The Host", que os governantes se mostravam extremamente ineficientes. Pois bem, isso vem daqui, já que os políticos, ao invés de se juntarem para achar a melhor solução possível, preferem discutir a respeito de pormenores (a expressão de desesperança no rosto de Yaname, ao assistir a desavença entre os políticos locais, entrega que qualquer salvação que possa resolver o problema do Godzilla NÃO virá dos esforços conjuntos dos governantes). 

Dr. Yamane

Entre discussões e a construção de uma cerca eletrificada anti-godzilla que sabemos que não vai durar nem cinco minutos, o inevitável acontece: o monstro chega a Tóquio.
E sério, eu sei que existe a possibilidade de que vcs estejam pensando "ah, riariaria!!onze11, Godzilla, mó galhofa, mega divertida" e SÉRIÃO: o tom não poderia ser mais diferente. O lagartão surge aqui como uma metáfora da morte e da tragédia e as consequências são apresentadas de forma bem pouco sutil, a ponto do filme se tornar REALMENTE perturbador.


Família reunida, segundos antes de serem mortos em um dos ataques do monstro





Vemos familias morrendo, pessoas perdendo seus entes queridos, indivíduos sendo esmagados pelos escombros de prédios derrubados. Vemos sobreviventes feridos, se juntando aos montes em hospitais, apenas esperando para morrer. Vemos crianças sendo diagnosticadas com envenenamento nuclear, dor, medo e desesperança vindo de todo lugar. Tudo muito cru, sem sutileza nenhuma, atingindo todo mundo ali como uma bomba (o trocadilho foi obviamente intencional). E no meio disso tudo, Serisawa, completamente perdido. Com o tempo, descobrimos que sua pesquisa secreta envolvia o estudo do oxigenio e uma das descobertas do cientista foi um elemento que desintegra o oxigênio local. Serisawa utiliza a arma (O Oxygen Destroyer) num aquário, pra mostrar os efeitos para Emiko, e os resultados são assustadores: as criaturas morrem imediatamente e seus corpos são desintegrados. E aí surge a dúvida: usar tal arma contra o Godzilla e correr o risco de ver tal criação, talvez com potencial ainda mais letal que as armas nucleares que criaram o monstro, acabar sendo usado para fins bélicos ou ficar de braços cruzados e assistir o Japão ser apagado do mapa pela criatura?
Devo dizer que, mesmo aparecendo muito pouco, Serisawa domina o filme e é, facil, o humano mais memorável de toda a franquia. 

Nos rápidos momentos em que aparece, vemos o peso da decisão a ser tomada corroendo o personagem e é impossível não simpatizarmos com ele. Também é digno de nota que o diretor, Honda, foge do clichê de criar tensão entre os personagens envolvidos no triangulo amoroso. Ogata e Emiko são tão carismáticos quanto Serisawa e tem profundo respeito pelo personagem, daí a necessidade de contar tudo para o cientista antes de efetivamente se envolverem de alguma forma mais aprofundada. Um diretor menos talentoso provavelmente tentaria vilanizar os dois e, ao fugir do clichê, acabamos nos envolvendo mais no conflito dos 3. 
Sem um Anguirus, uma Mothra ou um King Ghidorah pra salvar o dia, cabe a Serisawa finalmente usar seu invento para salvar o que sobrou do país. 


Dr. Serisawa


Mano.....tudo funciona nesse filme. O que vou dizer pode parecer absurdo, mas mesmo tendo um ou outro momento em que a contenção de gastos do filme se faz notável (vejam bem, sim, Godzilla foi o filme mais caro da história do Japão, até então, mas isso se deu pq os custos de produção eram caríssimos, sendo que um terço do orçamento total - 62 milhões de Yen, o equivalente a 900 mil dólares - foram gastos exclusivamente nos efeitos especiais, desde a construção de maquetes até a criação da body suit do monstro, além de alguns puppets e mais efeitos do tipo stop motion, particularmente caros pra época) eu prefiro esses tipo de efeito, conhecido como pratical effects, ao uso onipresente de CGI e tela verde de hoje em dia. #prontofalei!!! ^^ 
Tanto que minha primeira ressalva ao Godzilla do ano que vem é exatamente a substituição dos atores com body suits por uma versão digital do Big G. Entendo que a franquia precisa desse tipo de coisa pra se reinventar pra um novo público que, de outra maneira, continuaria vendo a série de uma forma mais rasteira, mas sei lá. Tal qual o uso indiscriminado do 3D (convertido, quase sempre), o excesso acaba cansando. Claro que a culpa não é da ferramenta, mas de quem a usa e de como ela é usada, mas fica aqui minha crítica. 

Anyway, a força do filme está mesmo nos ataques do monstro e nas consequências destes ataques. As duas cenas emblemáticas disso são a do hospital, em que vemos uma garotinha no instante em que perde a mãe, ferida nos ataques e quando assistimos um grupo de repórteres que não desiste de sua função mesmo diante da morte iminente, que vem sem misericórdia (e o que fortalece tal cena é saber que se existe um povo capaz de permanecer, em nome do dever, desempenhando suas funções, mesmo com uma máquina de matar furiosa vindo pra cima deles, é o povo japonês - os kamikazes da segunda guerra são exemplos históricos que comprovam essa crença no dever, mesmo que a custo da própria vida, do povo nipônico)

Um dos momentos mais tensos do filme....
Como não podemos ignorar que AINDA é um Kaiju eiga (filme de monstro) falemos do próprio: como eu já disse, Eiji Tsuburaya utiliza varios recursos pra mostrar a criatura na tela, desde uma ou outra cena de stop motion até alguns bonecos pequenos. Mas o mais impressionante elemento aqui utilizado é mesmo o body suit, recurso que mesmo à época, alguns especialistas em efeitos especiais achavam meio caído. 
Welll......chupa mundo!!!! A fantasia REALMENTE impressiona. É claro que os recursos de câmera, a decisão de Honda mostrar o bicho, na maioria do tempo, em cenas noturnas e ao longe e o fato do filme ser em preto e branco ajudam, mas mesmo nas cenas em que aparece em close, o resultado é assustador.
O visual do bicho é impressionante e eu só consigo imaginar a cara de awesomeness das pessoas quando a criatura apareceu de corpo inteiro pela primeira vez, na tela do cinema, na estréia, em 54. Os elogios devem ir para todos os envolvidos: o visual inicial, criado por Akira Watanabe, tornado tridimensional pelo escultor Teizo Toshimitsu e que veio a ganhar forma final no body suit que todos conhecemos e amamos através das mãos dos irmãos Kanji e Koei Yagi e de Eizo Kaimai)
E é como os meninos do JCast disseram em um dos episódios do podcast, onde destrinchavam o filme: foi realmente surpreendente ver o bicho soltando seu atomic breath em cima das pessoas, já no filme de estréia, principalmente por eu, na minha ignorância sobre a franquia, achar que esse era um elemento que veio posteriormente, nos filmes menos dramáticos, mais voltados pro UFC entre monstros. 
Mas não. Quando puto, o bicho dá o famoso charge que faz as formações ósseas em suas costas brilharem e aí.....
Unleash Hell!!!!!

E o bizarro é que, mesmo com toda essa tragédia, o filme não se priva de mostrar o monstro como vítima também, afinal, foram os humanos, com suas armas atômicas que o criaram. Com, aliás, as mesmas armas que, anos depois, o libertaram de seu esconderijo, ao fundo do oceano (sim, "Pacific Rim" style. Ponto pro Del Toro por evidenciar a referência já no título).

Karma is a bitch, enfim.....
"When I first saw Godzilla at the studio screening, I couldn't help crying when I watched Godzilla become a skeleton, (...) I thought,'Why did mankind have to punish Godzilla like that?'... Mankind seemed like a bigger villain than Godzilla, and I felt sorry for him. I think sympathy for him still exists today. If Godzilla were truly evil, people wouldn't have loved him so much. We were responsible for triggering Godzilla's violence."
                                                                                Akira Takarada, ator que interpreta Hideo Ogata
O sacrifício final de Serisawa
Os restos mortais do gigante caído....
O final do filme é trágico, e não poderia ser diferente, convenhamos. O monstro é morto e Serisawa morre junto, não apenas para garantir que os segredos envolvendo a criação do Oxygen Destroyer não caiam em mãos erradas, mas também, para permitir que Emiko e Ogata possam, enfim, ser felizes juntos. 
O "Oxygen Destroyer", a arma definitiva anti-Godzilla.

E claro, o final acena profeticamente para o fato de que, caso a humanidade não tome jeito e aprenda a usar a energia nuclear (e a ciência, como um todo) de forma responsável, o resultado vai ser o surgimento de um novo Godzilla, ainda pior.

Eu não apostaria minha vida nisso, cara-pálida!!!!

Epílogo.

Ok, o filme estreou e pegou todo mundo de guarda abaixada, mas e aí? Bom, teve 27 sequências e mais o filme norte americano de 1998, então, os senhores podem deduzir que mal das pernas, o filme não foi. 
Mas, só pra podermos nos apoiar na fria certeza proporcionada pelos números, sigamos: Como já dito, o filme teve orçamento de mais de 60 milhões de yenes (ou, deixando de preguiça e indo atrás do valor exato, 62.893.455 yenes) e rendeu, ao final de sua temporada nos cinemas, 152 milhões de yenes (ou 2,25 milhões de dólares). Ou seja, EPIC WIN!!!!!!

Com relação às críticas da época, elas se dividiram entre gente que amou o filme e os efeitos especiais e uma parcela que criticava o diretor Honda por "capitalizar em cima da tragédia"
Obviamente o tempo mostrou que essa parcela estava errada, rendendo todas as homenagens ao filme original e ao papel do monstro na cultura pop. Segundo o livro "Japan´s favorite Mon-Star: the unauthorized biography of the Big G" (que foi uma das fontes pra esse texto) escrito pelo jornalista Steve Ryfle, "em 1984, o prestigiado jornal de cinema ´Kinema Junpo´ listou Godzila como um dos 20 melhores filmes japoneses de todos os tempos. Em 1989, foi publicada uma pesquisa feita com 370 críticos de cinema japoneses, conhecida como Nihon Eiga Besuto 150 (Os 150 melhores filmes japoneses) que colocou o filme na 27ª posição"

E o resto, é história... ^^ e parte dela vem a seguir......
(continua na parte II)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

JAEGERS VS KAIJU: Gwoemul - The Host

“Era uma vez, um reino milenar, onde homens malignos amaldiçoam um rio, criando um monstro terrível que sequestra pessoas e as leva para uma caverna escondida para devorá-las. Depois de perder sua irmã num dos ataques da fera, o tolo, o mago, o ancião e a arqueira precisam  descobrir seu esconderijo e destruir a criatura, antes que seja tarde demais. No caminho, vão ter que lidar com a separação do grupo, magos inimigos, traições e várias perdas, até poderem se reunir para o confronto final com o monstro.”



Que filme lindo. Simplesmente lindo, man. 
E como eu posso ter indicado acima, ele é uma bela fábula disfarçada de kaiju-movie.
Eu, que durante essa série de posts, vivo reclamando que a parte dos filmes de kaiju dedicada ao desenvolvimento dos personagens humanos geralmente é só legalzinha, quando muito, tive que engolir essa. HAH!!!! Um filme em que o importante é o crescimento da party (e vcs vão me ver usando vários termos de rpg no decorrer desse texto. Assistam o filme e vão entender pq) e como eles vão se transformar no decorrer da história, até o confronto final com o adversário. Mais campbelliano impossível.
Na história, depois de uma mancada fenomenal ocorrida num laboratorio militar situado em solo coreano (a Coréia do Sul. Ou simplesmente a “Good Coréia”), uma caralhada de produtos químicos vaza pra um rio próximo. Não precisa ser um gênio pra imaginar o que ocorre em seguida: uma criatura daquele rio sofre uma mutação e cresce ao ponto de devorar pessoas.


E a coisa parte nesse nível mesmo, do nada (como aliás, costuma ocorrer com tragédias ocorridas no mundo real). Com pouco mais de 10 minutos de filme e sem aviso nenhum, o bicho sai do rio e começa a devorar gente, o que inclui a pequena Hyun-Seo. Desolada, a família dela, formada por seu pai, Gang Du (o tolo), sua tia, a atleta olímpica Nam Joo (a arqueira), seu tio e o filho mais novo da família,  o intelectual  Nam Il (o mago), e seu avô, o patriarca desse grupo todo, Hie-Bong (o ancião), parte pro resgate. Party formada, hora de partir numa quest, fazer grind, juntar xp, subir de level e quebrar o boss final na porrada. 

Hyun-Seo

Mano, tanta coisa pra falar desse filme, nem sei por onde começar. Roteiro primoroso, que mescla o tom kaiju com o fabulesco (sem esconder isso em momento nenhum. A cena em que um soldado encontra uma nota jogada em baixo da ponte em que o monstro vive e é devorado em seguida joga na cara o tom de alegoria da história. Pontes aliás são esconderijos habituais de trolls que também costumam atrair suas vítimas deixando presentinhos e apelando pra ganância delas) e uma puta crítica social anti militarista, alfinetando principalmente os onipresentes norte-americanos. Paralela à trama da quest do clã de Gang-Du, temos um protesto popular contra um “feitiço maligno desenvolvido pelos magos negros de um país distante”..... oops, digo, contra uma arma química, o agente amarelo, desenvolvido pelo povinho da terra do Tio Sam, que teoricamente está sendo usado pra eliminar o monstro e o vírus que o bichão teoricamente libera em todos com quem teve contato. 

.....E a palavrinha mágica aqui é “teoricamente”. 

O roteiro. Já disse q o roteiro desse filme é uma perolazinha? mano, agora eu quero q todo mundo veja esse filme. Sim, é bom NESSE nível.
Enfim, o roteiro (de autoria do diretor Boong Joon-Ho) também não poupa: 
 -  a Mídia como voz corrupta a serviço de poderosos (“se o governo disse, deve ser verdade”) 
- e, em maior escala, a humanidade em geral, com diversos momentos em que pessoas usam o momento de crise como desculpa pra desenvolver o que de pior possuem em si. 

Gang Du, o herói da história
O elenco também merece um parágrafo só pra eles. Os protagonistas são todos incrivelmente carismáticos, com destaque pra Song Kang-Ho, que interpreta Gang Du, que é quem sofre o principal arco de desenvolvimento e pra Go Ah-Sung, intérprete de Hyun-Seo, que passa longe de ser só a “princesinha sequestrada” típica dos contos de fadas, e termina virando a trágica criança que precisa, como consequência das circunstâncias a que foi submetida, amadurecer rapido demais. 
E claro, os coadjuvantes também merecem todos os loas, desde o jovem cientista militar que comete suicídio ao perceber o tamanho da crise que inadvertidamente causou, até as diversas e sempre curiosas figuras que o grupo vai encontrando no decorrer do caminho. 

Nam-Il, o mago

 A história permite inclusive que o grupo se separe em determinado momento pra que todos possam ter suas próprias jornadas de crescimento (há inclusive o elemento de recompensa do roteiro, onde informações que vemos no começo do filme vão ser resgatadas ao final, como sinal de que cada um deles completou sua via crúcis pessoal). 
A direção. Benza deus, quero ver todos os filmes de Boong Joon-ho (The Pirate bay tá aí pra isso). As decisões estéticas que ele toma fazem desse filme algo bem maior que mero escapismo com monstros (nada de errado nisso, vejam bem). Pra não entregar muitos spoilers, cito apenas a cena logo na abertura, da garota desavisada que percebe a ameaça tarde demais (aliás, toda essa sequência inicial funciona maravilhosamente bem pra apresentar o monstro e toda o perigo que ele representa) e a belíssima cena do “reencontro” dos personagens com Hyun-Seo à mesa, numa clara representação audio-visual da esperança dos grupo em reencontrar a menina. 

Nam-Joo, a arqueira
Como é um filme kaiju, não posso esquecer de falar da criatura em si. Como eu já disse, a cena do primeiro ataque da besta serve pra apresentar pra gente o tipo de risco a que aquelas pessoas estão submetidas. Sim, comparando com os monstros japoneses ele é bem menor, mas o que ele perde em potência e poder de fogo, ganha em velocidade, coisa que o filme mostra com perfeição, com o monstro sempre se movendo de forma muito veloz e ágil, garantindo inclusive vários sustos decorrentes de momentos em que o bichão aparece como um flash do nada e quando percebemos o que aconteceu, tá lá mais um corpo estendido no chão. 
E se o fato da criatura vomitar os que captura pra comer posteriormente (num comportamento típico de alguns animais, outra bola dentro do roteiro) faz com que, num primeiro instante, ele pareça menos ameaçador, a cena da “cascata de ossos” dá a exata dimensão do que espera Hyun-Seo e as demais vítimas. 

Hie-Bong, Gang-Du e Nam-Il, percebendo o tamanho da encrenca....

 O governo e a mídia são corruptas, a polícia e os militares são truculentos e incrivelmente incompetentes, escolhendo como inimigos, aqueles a quem deveriam proteger. 
Resta ao grupo, liderados por Gang Du, não mais o tolo, mas agora, depois de um level up inacreditavel, elevado à categoria de “O monge” (admito que fiquei frustrado quando, depois de uma cena de operação, perdem a chance de mostrar o personagem de cabelos raspados. Não se se na Coréia é assim, mas quando alguém adota a vida monástica no Japão, ele costuma raspar os cabelos) adentrar as trevas e destruir a criatura. 
O filme, inclusive, não se priva de mostrar aquilo que os filmes de kaijuu já dizem desde o Godzilla original, de 1954: que o monstro TAMBÉM é uma vítima, surgido a partir das decisões equivocadas e egoístas de um outro tipo de monstro, esse BEM real e que está sempre mostrando seus dentes e suas garras no mundo real, procurando saciar sua fome infinita.
O filme não tem misericórdia e nos dá um final agridoce. E convenhamos, considerando o respeito que a história teve com a jornada daqueles personagens, não poderia ser diferente.
Mas, apesar disso, a cena final, marcada por uma alegoria nada sutil, deixa claro que, apesar da perpétua luta com os monstros cotidianos, Gang Du (e sua nova família) conquistou o seu “e viveram felizes para sempre”.


Excellent ^^