quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Por dentro da Kojima Productions...



Nossa mano...coisa mais linda esse estudio novo do Kojima, não? Depois de anos de altos e baixos na Konami, o criador de Metal Gear, PT, Death Stranding e fã de comidinhas maneiras e filmes igualmente bacanas (como sempre registra com câmera, a essa altura já implantada no córtex cerebral do artista) abriu as portas do Kojima Productions pro mundo ver onde seus projetos são desenvolvidos e......pqp.......... inveeeeeejaaaaaa........... Tem matéria no IGN com videozinhos e outra no Siliconera com fotos do local.
Só postando isso aqui pra mais pessoas questionarem suas escolhas profissionais na vida, como estou fazendo, inclusive agora, enquanto escrevo este post. Fucking hell......


Gaiman e Ishiguro.....


Pros que manjam bem da lingua inglesa e quiserem ler um review estratosfericamente melhor que o que este relativamente humilde urso humanóide mal e porcamente digitou abaixo para "O gigante enterrado" de Kazuo Ishiguro, ninguém menos que Neil fucking Gaiman escreveu uma crítica do livro pro "The New York times" em 2015. 
Quem quiser dar uma conferida, é só clicar aqui.
E depois disso, o Newstatesman botou o autor de Sandman e Ishiguro pra conversarem sobre os tropes e limites da literatura de fantasia, diferença entre esta e o que se convencionou chamar de "alta literatura" e outros temas igualmente interessantes.
Podem ir lá conferir a discussão clicando aqui

"O gigante enterrado" de Kazuo Ishiguro


Tem uma história sobre as origens de Dark Souls  que ressoou na minha mente durante quase toda a leitura de "O gigante enterrado". No "Design works book" da série, um dos artistas responsáveis pelos concepts dos personagens estava encarregado de criar um dragão zumbi e a primeira idéia do sujeito foi fazer o bicho o mais gore possível, com pus e carne putrefata. Ao ver o resultado final, o diretor do jogo, Hidetaka Miyazaki não gostou e sugeriu o seguinte: 

“This isn’t dignified. Don’t rely on the gross factor to portray an undead dragon. Can’t you instead try to convey the deep sorrow of a magnificent beast doomed to a slow and possibly endless descent into ruin?"

A versão final do Undead Dragon
Se eu tivesse que descrever o clima constante do mundo que serve de cenário para a obra de Kazuo Ishiguro, eu usaria o termo "decadente". Um dia, aquele lugar foi lindo, mágico, encantador. Mas então veio "a visita cruel do tempo" e o que sobrou foi apenas um pálido reflexo daquele universo glorioso. Ou, pros fãs de Adventure Time: sabem a profunda sensação de melancolia causada ao final do episódio "Lemonhope part II", quando a princesa Bubblegum canta "the song of lemonhope" e assistimos à cenas do futuro de OOO, onde só sobraram cinzas e monumentos abandonados do que um dia foi um reino vivo e divertido? Mesma coisa. 


É bem essa a ambientação da obra. Cada página é uma adaga cravada no coração do leitor que estiver minimamente envolvido com a trajetória daqueles personagens adoráveis. Os protagonistas são o casal Axl e Beatrice. A dupla, já de avançada idade, se vê numa perigosa e exaustiva jornada através da Inglaterra medieval para encontrar seu filho, que se encontra numa cidade vizinha. No caminho, eles encontram o jovem Edwin e o cavaleiro Wistan, além de algumas personagens menores e outros deuteragonistas cujo nome vou me abster de mencionar apenas pq seria um puta spoiler.  Por todo o país, uma névoa sinistra nebula a memória das pessoas e logo, os personagens acima vão se ver numa road trip tentando investigar a origem de tal miasma. 

Quando eu digo "dark fantasy" qual a imagem vem imediatamente na cabeça dos senhores? Berserk? A supra citada série Souls? Eu diria que a associação funciona aqui. Não, apesar de existir sua cota de ação e violência, não esperem as cenas épicas do mangá/anime protagonizado por Guts. E não, apesar de criaturas fantásticas fazerem parte do cotidiano dos moradores das ilhas britânicas que protagonizam essa história, não esperem colossus descomunais ou titãs enraivecidos. Aliás, abandonem qualquer hipérbole ou adjetivo grandiloquente. 
Não existe "épico" aqui. Apesar dos personagens encontrarem conflitos cada vez mais complexos durante sua jornada, mesmo a aventura aqui é despida de seu caráter "maior que a vida". As espadas aqui não reluzem ao sol, que aliás mal aparece, obscurecido sob uma camada constante de sombrias nuvens, mas apenas se mostram embaçadas de talhos de guerra e ferrugem do sangue coagulado. Uma figura da mitologia britânica, constantemente descrita como heroica e quase messiânica, é mostrada como uma homem falho e capaz de decisões extremamente cruéis em nome do "Bem maior", aquele mesmo que vem justificando montanhas cada vez maiores de corpos de inocentes empilhados por todo o decorrer da história humana. 



Sério: eu acho que, com esse blog existindo desde o longínquo ano de 2008, vcs já devem estar cientes de que eu gosto de histórias sem final feliz, sombrias, tristes ou simplesmente trágicas. É aquilo: meu passado de adolescente gótico sempre manda lembranças, permitindo que eu facilmente encontre beleza no grotesco, no bizarro e na tragédia. Isso posto, eu levei quase um ano lendo esse livro. Por que ele é arrastado? De forma nenhuma. Eu diria que em uns 3, 4 dias, uma pessoa com hábito de leitura razoável consegue terminar a obra. O lance é que: eu tinha um profundo carinho por todos os personagens ali, então, voltar pra ler "o gigante enterrado" era sempre algo difícil, quase torturante, por vc, antes da metade do tomo, saber que o que vem pela frente não vai ser bonito ou justo, apenas inevitável. 
Mais do que melancolia ou tragédia, o grande tema do livro é a memória.
O efeito dela e da sua ausência. As verdades que ela esconde e as nada bonitas feridas que ela expõe e que são inescapáveis, não importa quanto tempo passe. Em um determinado momento, todos ali vão ter que escolher entre se manter na confortável letargia do esquecimento ou trazer a verdade de volta, doa a quem doer e mesmo sabendo que diante dela, amizades e amores vão desmoronar diante do peso do rancor, ressentimento e ódio. 
O livro nunca perde o ritmo, inclusive com Ishiguro mudando, aqui e ali, o estilo de escrita, alternando entre primeira e terceira pessoa de forma muito confortável. Legal como ele também brinca com o tempo através dos capítulos.

Kazuo Ishiguro
Num livro sobre memória e a falta desta, é fascinante como mais de uma vez o autor apresenta um fato ainda não ocorrido para, apenas algumas páginas depois, descrever a origem daqueles eventos citados. Pelo menos duas vezes, durante a leitura, me peguei pensando que havia esquecido quem era algum personagem ou que havia pulado alguma página, apenas para descobrir depois que a gênese daquele acontecimento ainda não havia sido mostrada. Novamente, apropriado as hell. 
Mas no final, por mais que os estilismos do escritor sejam bem legais, o que nos mantém preso ali até o melancólico final é o apego por todos aqueles personagens, cada um em sua via crucis pessoal. 
E a dúvida sobre se vale a pena construir um mundo melhor ainda que erigido sob o cadáver escondido de um golias ou se o mais humano a se fazer é despertar certos gigantes enterrados, independente da dor e das toneladas de sangue derramado que isso pode causar.*
O mundo desse livro é exatamente como a árvore que figura em sua capa: majestoso em algum momento longínquo, mas melancolicamente reduzido a fragmentos pela implacável ação da entropia e de erros gigantescos demais para serem esquecidos.


*Pra gente aqui no Brasil, o título do livro faz tanto, mas TANTO sentido. No final, o gigante do livro não é muito diferente do nosso, o tal gigante que "acordou" lá pelos idos de 2013 e que vem despertando em diversos países do mundo desde mais ou menos a mesma época. Um gigante menos ficcional do que a gente gostaria......

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Pixo

À luz dos eventos recentes em SP, envolvendo pixação, grafite e aquela abominação corporativista que ocupa o cargo de prefeito local, eu recomendo ENFATICAMENTE que vcs tirem uma horinha de seu dia e assistam o documentário abaixo. "Pixo",  lançado em 2010  e com de autoria de João Wainer e Roberto T. Oliveira, registra nas telas um pouco do dia a dia dos responsáveis pelos onipresentes grafismos urbanos que alguns amam e outros odeiam mas ninguém consegue ignorar. 
Como o vimeo não permite que eu embede o negócio, quem quiser ver o filme completo, é só clicar aqui


Tem um momento no filme, lá pelo final dele, imediatamente após a invasão da Belas Artes, onde o Reitor (ou um dos professores, acho) da instituição, em todo seu "brilhantismo", resolve discorrer sobre o que é ou não arte que, na boa, fala tanto, mas TANTO sobre o nosso contexto atual......
Seria engraçado se não fosse patético....

Fire walk with me: os funkos de Twin Peaks

2017 vai ser um ano melhor que 2016, com certeza. Não que seja muito difícil. Hey, eu sou o cara que acha besteira esses negócios de "Acaba, 2016" ou "outra vítima de 2016", apenas um paliativo pra nos distrair de que a real é que estamos todos ficando velhos e o pessoal que já era moderadamente velho quando éramos crianças.....bom..... you know......
Mas convenhamos: ano passado foi o ano em que Deus nos deixou, em que vimos um avanço digno de começo do século XX de movimentos de extrema direita e, claro, é o ano em que o povo americano decidiu que eleger aquela piada laranja como homem mais poderoso da Terra era uma boa idéia. Mas por outro lado, e vou puxar a sardinha pra minha querida cultura pop: esse ano já teve "A series of unfortunate events" (spoiler alert: salvo algumas ressalvas, gostei bastante), e ainda tem temporada nova de Doctor Who, a estréia de American Gods, filme novo de Velozes e Furiosos, a comemoração dos 100 anos de Jack Kirby e do enmascarado de plata, el Santo e, cereja no topo do bolo, o retorno de Twin Peaks.
E, preparando terreno, a Funko Pop usa de um ataque de oportunidade muito bem vindo e anunciou, na London Toy Fair, uma nova série de funkos focada nas personagens da série de tv de David Lynch. 
Tb tem a série de vinyls produzida pela empresa, but no one cares for that...... bonecões feios da porra...

Enfim, segue a lista de bonequinhos que, COM CERTEZA, tal qual a série de Labirinto e da WWE, COM CERTEZA não virão pro Brasil, só podendo ser encontradas por valores superfaturados nos mercados livre da vida: 

A personagem que deu origem a tudo isso, Laura Palmer. "Wrapped in plastic".


Audrey....


Uma das minha favoritas, a Log Lady

DALE!!!!! E seu inseparável copo de café!!!!!
Evil Leland!!!!

E claro, o "homem" que matou Laura Palmer, o Demogorgo Killer Bob!!!


Mais informações, além de outros anuncios de lançamentos da empresa na London Toy Fair, vcs podem ver clicando aqui (caralho, esse ano vai ser foda pro meu bolso.... Lord of The Rings, Reservoir Dogs, Mr Robot e Death Note tb já estão com linhas de Pop! Vinyls anunciada. fucking hell......)

sábado, 21 de janeiro de 2017

"She is hardcore"


 Nessa jornada revendo Wrestlemanias, não foi preciso me esforçar muito pra ver a diferença de tratamento entre homens e mulheres pelas décadas de 80 e 90 e parte da 2000. Enquanto os lutadores se engalfinhavam em ladders e tables matches e sangravam feito porcos antes do natal, as gurias, mais modelos do que atletas efetivamente, eram restritas a coisas ridículas como as butterfly matches e as auto explicativas "panties and bra fights".  Diabos, ainda hoje tem nego chiando quando falam de botar o roster feminino em eventos mais importantes tipo hell in a cell ou royal rumble. 
O argumento? Quem vai querer ver mulheres trocando tapas e puxando cabelos, certo? E afinal, garotas não conseguem ser hardcore.......certo?

Well.......... Gostaria de apresenta-los a uma wrestler chamada Candice LeRae:



Wow..... just.......WOW!!!!!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017


Ser o Batman não é, ao contrário do que pode parecer, a coisa mais fácil do mundo. Toda a tragédia, a quantidade obscena de vilões, psicopatas, genocidas e aberrações que cruzam seu caminho diariamente. Fora o fato de você viver numa cidade que sofre crises num ritmo tão frequente que classifica-la como "suicida" não seria, de forma nenhuma, um exagero. Mas ser o ALFRED? Jesus amado, ser o Alfred é dos trabalhos mais cruéis e ingratos de todo o multiverso DC. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

nada a ver com nada mas.....

Fui passear pelo shopping Eldorado com Stella nesse final de semana....
E veja bem, já me antecipando: eu sei que esse não é um fenômeno recente, já vindo de pelo menos uma década e uns quebrados e tals, mas ainda assim: 
- saío da C&A, entro na Renner, da Renner pra Marisa e em TODAS, uma seção destinada à "estampas nerds"
- pelo menos uns 4 ou 5 stands com coisinhas voltadas pra esse mesmo público...
- nas lojas, ao invés das "populices" ou das tecneiras genéricas, Arcade Fire, Bloc Party e outros sons que não fariam feio de forma nenhuma se saídas do programa do Kid Vinil na finada e saudosíssima "Brasil 2000 FM"

Como eu disse, não é um evento recente, mas....caralho, é muito estranho perceber isso de "cultura nerd/geek/hipster" deixou de ser só um nicho. E por favor, não me entendam errado: isso é uma celebração, ok? Não sinto saudade nenhuma de quando vc só dizia que curtia quadrinhos ou vídeo games em um tom de voz baixa e de forma envergonhada. E não nos iludamos aqui: isso não ocorreu por uma valorização da cultura pop ou da arte (bem relativamente) menos mainstream. Nope, isso se deu apenas pq alguém com tino pra negócios notou que nerds gastam dinheiro em coisas caras e numa frequência mais ou menos regular....so......

Commodities, anyway...mas ainda assim..... curioso..... e nem por isso, menos fascinante de se analisar.....

Arte como profecia....

"We look to art for prophecy and new languages. But what happens when nobody knows what to say? Can art help make sense of this moment—of partisan Twitter armies, so-called “fake news,” and the mainstreaming of conspiracy theories? Will earnestness and conviction continue to seem insufficient in the face of cynical trolling? On “Panther Like a Panther (Miracle Mix),” Mike reminds us that sometimes our wildest imagination has difficulty keeping pace with real life. He spent much of 2016 involved in politics, as one of Bernie Sanders’s most visible advocates. He recalls sitting “with potential presidents” to talk about the war on drugs, and wonders, “Who thought the son of Denise would be the leader of people?”"



Puta vontade de imprimir e enquadrar esse texto pra deixar como referência do que uma resenha, uma BOA resenha faz. Pq esse é o papel da crítica especializada: expandir a percepção das pessoas sobre as qualidades e defeitos da obra criticada. 
Queria escrever assim.... 

Pra quem quiser ler o resto desse texto, o review da New Yorker pro mais recente disco do Run the Jewels, o "Run the Jewels 3", é só clicar aqui.

Zef

"I'm old enough to bleed
 I'm old enough to breed
 I'm old enough to crack a brick in your teeth while you sleep."



Dois vagabundos andando pelas ruas de uma cidade africana, sem grana, sem comida, sem nada além de seus hoods, suas cadeiras de roda.....e suas submetralhadoras. O curta, protagonizado por Yo-Landi e Ninja é uma produção da Vice e seu título, Umshini Wam pode ser traduzido como "traz minha metralhadora". Uma das pérolas que eu achei enquanto zanzava pelo youtube procurando por vídeos do Die antwoord em um dos dias de minhas já saudosas férias. Me lembrou de um amigo meu que dizia que tudo que vc precisa na vida é um amor e uma arma carregada. O resto vem no percurso. 

Unleash hell!!!!!!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017


Duas palavrinhas.
Two words pra abrir as atividades nesse ano da graça de nosso senhor de dois mil e dezesSATAN: UNLEASH HELL!!!!!!!



As férias acabaram, a felicidade acabou, o bom humor acabou. Cheiro de sangue no ar.
O mundo como uma gigantesca Suplex City, bitch!!!!
Bem vindos à temporada 2017 do Groselha on the rocks, onde pôneis fofinhos e rios de chocolate convivem com demônios ancestrais e horrores visando suas almas como sobremesa.
So.....choose your path wisely, kemosabe.....