quarta-feira, 25 de janeiro de 2023


 O que explica claramente porque eu me sinto motivado o tempo todo...

sábado, 31 de dezembro de 2022

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

quinta-feira, 10 de novembro de 2022


 

 ....


....e aí um dia, conversando com Stella, falamos sobre Jesus, aquelas capirotagens de sempre que saem da minha boca e comentamos bem "en passant" sobre como quase ninguém fala do ladrão impenitente, manja? É sempre uns papos sobre o nazareno na cruz e o ladrão gente boa mas o coitado do outro cara, tendo que aguentar uns papos super estranhos dos outros dois enquanto ele LITERALMENTE agonizava entrou pra história apenas pela infâmia de ter mandado um "fica pra próxima" pro filho de Deus.

Aí eu fiquei com isso na cabeça.

Corta pra umas duas semanas atrás. 

Fui chamado pra passar um tempo presencialmente no trampo que, normalmente, faço remoto. Já tendo terminado o que tinha pra fazer e PUTO por estar lá fazendo porra nenhuma, rascunhei um roteiro sobre a curta saga do terceiro homem crucificado lá no monte Gethesemane.  

E em seguida, fiz um sobre um sujeito com fobia social no meio do olho do furacão que foram aqueles primeiros meses do COVID e o medo que dava em botar o pé pra fora de casa.

Dois rascunhos de roteiro em menos de duas horas. 


....tem gente que só funciona na base do ódio, né? Caraio...


Ainda tô burilando os negócios antes de fazer....bom, algo com eles. Talvez eu vá caçar desenhista, talvez eu só poste aqui e foda-se. Mas tá sendo uma experiência divertida. 

Eu não escrevo histórias "minhas minhas" mesmo desde os 8 anos de idade. Meu professor da terceira série, o seu Carlitos, costumava dizer que eu tinha jeito pra coisa. 

De lá pra cá, é o que vcs sabem: eu prefiro ficar brisando em cima das artes dos outros. A tal "crítica" que eu sempre fiz questão de deixar claro que eu NÃO faço pq, né? Eu nunca partilhei da filosofia do Zé Wilker de que ele era especialista em cinema só pq viu mais de 4000 filmes. 

Só recentemente que eu peguei uns livros de crítica de hqs e linguagem dos quadrinhos (salvo quando precisei desse tipo de teoria na época do meu TCC). 

Mas é isso. Talvez role um dia gibizinho meu. Talvez não. Mas confesso que, uma vez que tu dá o start no negócio, começa a brotar idéia pra outros projetos. 

Eu nunca quis ser roteirista pq, afinal, eu sou um control freak. Se não é pra eu fazer 100% do projeto e sair exatamente como eu tenho na minha cabeça, eu só não faço e pronto. Mas agora, confesso que bateu aquela vontade de pelo menos tentar.

Pode ser que eu faça o grande romance gráfico latino americano. Ou pode ser que tudo isso termine na grande biblioteca do Lucien de obras jamais concretizadas. 

Mas enfim....

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

sábado, 1 de outubro de 2022

 No caminho pra Avaré (depois de dois anos achando que toda e qualquer ligação telefônica recebida era alguém me avisando que meus pais tinham sido vítimas fatais da Covid) eu vi uma imagem daquelas que deixam pateticamente claro o quanto a gente está numa distopia e o quão tudo está errado e, provavelmente, quem ainda nega isso é alguém severamente iludido ou parte da meia duzia se beneficiando com o caos: onibus saindo de SP, passando ao lado do rio Tietê. Ao redor, barracos improvisados com materiais à mão. De fundo, a loja da Havan, aquele tumor em forma de cafonice e colunas gregas.

E em primeiro plano, outdoors anunciando o novo projeto de casas de luxo em Alphaville, com imagens de pessoas jovens e sexy jogando tênis, nadando e coisas do tipo. 

Pq o roteirista do pesadelo distópico no qual atualmente vivemos não é um artista particularmente versado nas belezas da sutileza. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

terça-feira, 9 de agosto de 2022

segunda-feira, 1 de agosto de 2022


Yes, you are.

Mural da Divine num edifício em Baltimore. 
 


 

Nada a ver com nada, mas...

Eu acredito ter morrido pela primeira vez antes mesmo de completar meu primeiro aniversário. Diz minha mãe, única testemunha dos eventos a serem descritos, que um dia ela seguia a vida normalmente, quando escuta um BUMP ao longe. Sem nenhum som a seguir, ela ignorou o que ouviu e continuou com seus afazeres.... até vislumbrar o resultado do estrondo. De acordo com ela, alguns segundos depois um bebê - como vocês podem deduzir, o pequeno hak the bear - adentra o quarto, engatinhando. Um sorriso no rosto e um filete de sangue descendo da testa. Segundo mamãe, o que ocorreu em seguida é uma sequencia de eventos amorfos, como é típico de situações de trauma e grande impacto emocional.

Pra ela, claro. Pq, segundo ela, eu seguia tranquilo. A calma de um bebê na primeira infância, inabalado pela torrente de sangue que macabramente banhava meu corpinho não tão miúdo (nasci com 5 quilos. Um pacote de arroz, basicamente). 

Pausa: quando eu digo que eu "morri", não quero dizer que eu literalmente faleci. Não é uma daquelas circunstâncias em que eu digo algo supostamente chocante pra parecer que eu tive uma vida mais interessante do que ela realmente foi. 

O que eu quero dizer é o seguinte: vamos supor que o multiverso exista e que cada decisão que eu tomo gera um novo plano de realidade. Vamos, nesse exercício hipotético, supor que exista uma infinita rede de dimensões para cada decisão tomada e não tomada, não só minha, mas de todos nós.

É razoável, portanto, deduzir que existe uma dimensão em que o pequeno Daniel decidiu virar a direita ao invés da esquerda, ou decidiu ficar no lugar, parado, admirando curiosamente o liquido vermelho que descia da sua testa aberta. Então, deve existir um plano dimensional em que minha mãe achou o corpo do pequeno ursinho depois dele, silenciosa e calmamente, ter sangrado até a morte. 

Daí pra diante é um pulo: aos 17 anos, seguindo pela subida de terra batida pela qual eu tinha que passar pra ir pra casa, eu pisei em falso e a seguir, tudo virou uma imagem borrada. Racionalmente, eu sei que eu segui rolando pelo declive próximo e caí em queda livre por uns 3 metros até o corregozinho ao lado da linha de trem que tinha ali. A água e a lama amorteceram minha queda e eu saí com uns machucadinhos mas nada muito sério - o único dano real foi no meu orgulho, já que algumas pessoas testemunharam o acidente. Mas, novamente, existe um plano dimensional em que eu caí uns dois metros pra direita, em cima dos trilhos do trem e provavelmente abri meu crânio. R.I.P Hak The Bear.

Anos mais tarde, durante minha passagem pelo RJ, eu saí da casa onde estava, depois de um comentário infeliz da pessoa que me hospedava e fui, magoado e precisando de distância, caminhar pelas noites de Niterói. Nada aconteceu. Mas neste plano dimensional. Porque em algum outro....

Mais tarde ainda: talvez, na noite em que fiquei preso no banheiro da pensão em que morei em meus primeiros anos em SP e tive que subir na privada que estava solta, pra poder chegar na janela e pedir pra alguém abrir a porta por fora, o vaso mal chumbado tenha cedido aos meus mais de 100 quilos e eu tenha desabado junto com ele. Ou da vez em que eu quase fui atropelado ao atravessar fora da faixa e quase colidir com um carro em alta velocidade, eu tenha dado aquele passo um segundo mais tarde.

Ou pode ter sido ainda mais estupido. Quando tentei trocar a fiação do chuveiro com a eletricidade ligada. Quando não reagi aos dois assaltos que sofri na vida. Quando tive uma infecção na perna em 2013. Eu quase morri vitima de septicemia. Mas, em um plano dimensional adjacente, talvez Hak não tenha QUASE morrido. 

É bizarro pensar que eu sou não apenas a versão "mais sortuda" minha que existe (pelo menos, no presente momento), mas que eu também deixei uma pilha de corpos - todos MEUS - atrás de mim. E no entanto, eu sou uma das versões que conseguiu cruzar a fronteira dos 40. E a cada dia, deixa uma versão sua pra trás. Vítima de acidente, doença ou que apenas, em todas as vezes que pensou "pq não simplesmente se matar?" não conseguiu uma resposta convincente pra faze-lo seguir mais um dia. 

Descansem em paz, HakS The BearS. Que a fortuna e sorte que vocês não tiveram siga comigo e que eu ainda tenha um bom tempo antes de me juntar a vocês e virar assunto do blog de um outro Eu. Versão minha que, não só sobreviveu a o que quer que tenha finalmente me mandado pra vala, mas ainda tenha tido leveza de espírito para escrever sobre.