Alguém disse faz umas 24 horas que tudo de errado na nossa sociedade pode ser explicado se usarmos como instrumento de análise o filme mais importante dos últimos anos. O filme que melhor explica a nossa geração, nosso mundo de fandoms, de "sou fan, quero service", de industria cultural e arte enquanto commodity.
Um filme que não busca explicar nossas aflições, que não tenta transformar em arte os anseios e os medos de qualquer criatura vivendo no vigésimo terceiro ano do segundo milênio.
Mas um filme que parece ter nascido a partir desses desesperos e, exatamente por isso, acaba funcionando como um retrato, uma polaroid da nossa época.
Gerações futuras provavelmente o usarão como uma forma de entender nossos dias fascistas e estúpidos e cheio de busca por gratificação rapida, via likes e RTs. De 5 minutos de fama no máximo (Warhol foi generoso - e otimista - em suas previsões). De personas e personas, em perpétuo estado de conflito. De inteligências reais e artificiais. De ritmos e algoritmos.
Uma obra que, de fato, só poderia ter sido concebida e criada no ano e no mundo e no contexto que a pariu.
.....eu não consigo parar de pensar a respeito disso tudo.
Enfim... para vocês que também se pegam pensando ocasionalmente em questões como "hey. Talvez eu esteja vivendo em uma distopia. Como eu vim parar aqui?" e que precisam de algum tipo de ópio que possa trazer alívio para as dores existenciais, boas notícias: aqui está a nova edição - primeira de 2023 - da MONSTER MASH, a mixtape de periodicidade indefinida do Groselha on The Rocks.
Música estranha pra gente esquisita. Como de praxe.
Nessa edição tem Father John Misty, Conway, Tim Maia, Dj Shadow, Captain Beefheart, Tears for fears, entre outros.
Agora eu deveria dizer alguma platitude como "arrastem os móveis e vão dançar" e tals, mas sejamos francos. Não é música pra dançar (bom, algumas até são, na real), é música pra fumar narcóticos de toda sorte, pra deixar de fundo enquanto tu tenta zerar alguma missão de "Saints Row: The third", pra ouvir enquanto você tá "in the zone", tentando fazer 5 km. em 15 minutos de esteira, correndo como se fosse o Flash tentando adentrar o campo de velocidade.
Enfim, escolha seu entorpecente favorito (o meu é Toddy) e dê o play. Vai ser legal, tio Hak garante.
Finalmente começando uma seção nova aqui no blog que eu já tinha rascunhada na cabeça já faz um bom tempo (acho que até cheguei a comentar sobre ela aqui, uns anos atrás...).
Bem vindos ao primeiro episódio da "Navegando pelo Multiverso", onde eu, seu host, vou, a cada duas semanas, pular de cabeça em algum grande arco ou título fechado, pra devorá-lo de uma vez e regurgitar minhas opiniões aqui (essa frase não soava tão asquerosa até eu vê-la escrita).
Em uma semana, podemos falar sobre o universo 2099. Na seguinte, vamos discutir sobre a natureza da existência com a StrikeForce Murituri. Na seguinte? Só os grandes anciões galácticos sabem.
Para tal empreitada, usaremos minha recém construída, totalmente original e em absolutamente nenhum aspecto semelhante à TARDIS do Doctor.
Ultranave Randômica Senciente Omniversal
Mais pura força de vontade e gambiarragem. Eu a chamo de Ultranave Randômica Senciente Omniversal. Porque é um trenzão, que vai pra onde quer, pensa por si só e não se limita a um ou dois multiversos distintos. Tenho certeza de que existe um acrônimo em algum lugar do nome dela, mas me falta imaginação pra tal. E vocês sabem, as únicas coisas que um nerd ama mais que funko pop são máquinas e organizações sinistras cujo nome é um acrônimo. Mas enfim...
No episódio de estréia, vamos nos debruçar sobre TERRA-X. A idéia é em um textão, falar das séries inteiras que eu vier a ler. Mas, no momento da confecção destes posts, eu estava particularmente inspirado e acabei fazendo um textinho relativamente curto para cada uma das 13 (as 12 e mais a edição zero) edições desta série. Ou seja, 13 textos garantidos e mais dois cobrindo as sequências, Universo X e Paraíso X. Talvez, BEM TALVEZ, um final, com comentários sobre a saga por completo.
Bora?
So... tudo começa em 97 quando a finada revista Wizard faz uma matéria com Alex Ross, pedindo pra ele imaginar como vai ser o futuro do universo Marvel. Como resultado, artes mostrando versões bem próximas das que terminaram nas páginas de Earth X de alguns dos personagens mais famosos da editora. O negócio foi bem sucedido em um nível tal que a edição da Wizard que trazia estas artes acabou esgotando rapidamente.
A editoria da Marvel, vendo o rebuliço, decidiu que dava pra milkar essa vaca. Conversas rolaram com Ross que se interessou pela idéia de se aprofundar nesse mundo, contanto que ele não precisasse fazer o roteiro ou as artes. De fato, o artista terminou fazendo apenas as artes de capa da série e de suas sequências. Na parte mais laboral do trampo, ficaram Jim Krueger nos argumentos e John Paul Leon na arte.
E o resto é história, publicada entre Março de 99 e Junho de 2000. Com o sucesso, Universo X foi publicada no ano seguinte, com a parte final da série, Paraíso X, saindo em 2003.
A idéia, sejamos honestos aqui, era imaginar como seria o Kingdom Come da Marvel. "E a história é tão boa quanto Reino do Amanhã?", você me pergunta, kemosabe.
Não. E sim. Mas não. Mas em alguns momentos, sim. No final, é algo MUITO diferente, apesar de partir da mesma premissa. Muito distinto em tom e na estrutura do storytelling, em como quer contar essa história.
Earth X tem idéias bem interessantes, com uma boa execução, mas o ritmo pode ser meio cansativo. Apesar de vermos os eventos diretamente, eu diria que na maior parte do tempo, testemunhamos a guerra entre Steve Rogers e o novo Caveira Vermelha, as ações de Reed Richards e a chegada de uma ameaça espacial como jamais vista, através de diálogos entre Uatu, o Vigia, e Aaron Stack, o X-51. Eu entendo que isso, esse volume de exposição, pode ser meio over the top, mas eu gosto de imaginar que o ritmo e o estilo de narrativa são pra acentuar o aspecto ao mesmo tempo documental e teatral dos eventos que estamos assistindo. De fato, Aaron e o Vigia estão assistindo ao "documentário em tempo real" narrando o fim da Terra 616. O que vai diretamente em direção ao tema principal da série: ação vs passividade. Registrar histórias como um observador imparcial ou se tornar um agente da História, essa com H maiúsculo, ao invés de simplesmente reagir a ela? É aquela metáfora do documentarista na selva, vendo um predador espreitando sua presa. Fazer algo pra salvar o bichinho, acabando com qualquer perspectiva de isenção enquanto observador daquele espaço ou só deixar a natureza seguir seu curso, se abstendo de qualquer tipo de julgamento moral a respeito dos eventos documentados?
Recentemente, a Marvel lançou um prequel para a série, Marvels X, que mostra como aquela versão do universo 616 chegou no estado distópico que chegou.
Ainda não li Marvels X, mas pretendo pegar um dia. Se prestar, eu comento aqui.
Por hora, no entanto, vamos falar de Terra X. This is how the world ends.
EARTH X Nº0
Certo dia, Aaron Stack acordou de sonhos intranquilos. Mas, ao contrário de Gregor Samsa, o rapaz não haveria por que temer perder a própria humanidade ou que seu corpo adotasse formas inumanas.
A metamorfose ocorrendo neste momento, seria conceitual e, de certa forma, coletiva, compartilhada com a raça com a qual tenta conviver em paz.
Uma porta que vai leva-lo para o infinito. Despido de sua aparente humanidade, mas escolhido exatamente pelo aspecto real que ele carrega consigo.
"I don't have the eyes of my father"
Depois do mergulho nas trevas, Aaron se vê diante de uma "deidade" cega, um vigia incapaz de enxergar e precisa tomar seu lugar como o par de olhos que registra os eventos diante dele.
Vigia "morto", vigia posto.
"I got eyes but I'm not a watcher"
A partir daí, o time criativo nos leva pela mão para assistirmos algumas centenas de milhões de anos da Terra 616. Quando Deuses criaram a humanidade. Quando anos depois, a julgaram indigna.
Quando retornaram pela terceira vez e encontraram guerra e, finalmente paz. O resultado de seu trabalho, no entanto, já apresentava sinais de vida. A semente Celestial, parte estrutural das espécies que caminham pelo terceiro planeta do sistema solar.
"why do you show me this?"
"the celestials are evil".
A retórica de Uatu parece excessivamente fria ao descrever a natureza meramente conceitual de conceitos como bem e mal, mas é preciso lembrar que à História, com H maiúsculo, é reservado o papel de julgar eventos ocorridos em um determinado período. É o distanciamento histórico que vai permitir a clareza de julgar o que é, de fato, bom ou mau. O que é bem e mal aos olhos de um Deus?
Quando a faísca potencial que os celestiais implantaram na humanidade começaram a finalmente queimar, a humanidade se viu invejosa. "prego que se destaca leva martelada".
Algo sobre a grama do vizinho ser mais verde...
Se uma árvore cai na floresta enquanto ninguém está perto pra ouvir, ela faz som?
O gato da caixa de Schroedinger está vivo ou morto?
Uma história ocorre de fato se não houver pelo menos um par de olhos para testemunhá-la e passar tais eventos adiante para que possam correr mundo afora?
Enquanto houverem eventos extraordinários acontecendo naquela Terra, é preciso que haja uma testemunha para se emocionar com as aventuras de tais maravilhosos gigantes.
É preciso público, é preciso um leitor, é preciso um observador.
Nossa história é cheia de criaturas fantásticas. Demônios, esqueletos (ninguém vai apagar a memória do bone soldier original), cafetões, coelhinhas. É uma história cheia de traição, violência, coragem, violência, lealdade e muita, mas MUITA violência.
A diferença fundamental de outros contos fabulescos da mesma natureza, que também normalmente envolvem homens e mulheres enfrentando deuses, máquinas e toda sorte de monstros é que, ao contrário daqueles, este não começa com uma princesa. Mas um príncipe.
Hoje, dia 03 de Maio de 2023, a maior facção da história do pro-wrestling completa 10 anos. E sim, eu sei que vai ter meia duzia já esperneando dizendo "mas e a NWO?" e, não só vou passar os próximos parágrafos tentando provar porque, a longo prazo, o grupo do qual iremos falar neste texto é mais influente e com histórias melhores do que aquele que lhe serviu como fonte de inspiração, mas porque, também, ele segue como uma continuação, como a nova geração de outsiders. Da mesma forma que a AEW é filha direta da pipebomb do Punk, a NWO também evoluiu para algo maior que ela própria.
E este texto narra um pouco da história desses homens e mulheres. Porque hoje é o aniversário de uma década do BULLET CLUB.
Como eu disse antes, nossa história, e a do BC, começa com um príncipe. Mais precisamente, Prince Devitt.
Depois de muito sucesso como parte da Jr. heavyweight (o equivalente aos cruiserweights da WWE) da New Japan Pro Wrestling e igual sucesso na divisão de tag teams, onde, junto com Ryosuke Taguchi, formava a Apollo 55, Devitt decidiu tentar vôos mais altos, mirando na main division e seu troféu máximo: o IWGP Heavyweight Title. O mesmo título que foi erguido por nomes como Antonio Inoki, Bob Sapp, Yuji Nagata, Masahiro Chono, Tatsumi Fujiname, Big Van Vader e Brock Lesnar, entre outros. E que, nesse momento, estava em posse de Hiroshi Tanahashi.
O cabelo mais bonito do pro-wrestling
Ciente de que mudanças precisariam acontecer para que ele fosse reconhecido como um competidor digno do cinturão, Devitt assumiu uma postura mais rebelde, adotando a persona do "real rock-n-roller". Após uma derrota contra os time splitters (Kushida e Alex Shelly) em uma disputa pelo cinturão de jr. tags, Devitt decide que a hora é agora: ele ataca seu então parceiro de time, Taguchi e, junto com Bad Luck Fale, que havia acabado de retornar de sua turnê de treino, eles avisam ao mundo que o resto do roster da NJPW estava sob ataque.
Posteriormente, com a chegada de Tama Tonga e do "machine gun" Karl Anderson, teríamos a geração original do Bullet Club.
Com o tempo, novos nomes iriam se juntar as fileiras do time, entre eles: Doc Gallows, Yujiro Takahashi, o irmão de Tama Tonga, Tanga Loa, o bone soldier original (never forget), os Young Bucks e por aí vai.
Esse trope do "grupo de estrangeiros e bullies" é algo bem comum no pro-wrestling. Diabos, eu citei acima a NWO e tals (seu elemento de alteridade não era serem de um país diferente, mas serem de uma outra companhia. Mas isso é história pra outro dia). E desde o princípio do pro-wrestling, botar um estrangeiro escroto como vilão (ou heel) do herói (ou babyface) nacional é algo normal. Lembram do Wrestlemania 7? No mesmo período da primeira operação tempestade do deserto, o Mania VII tinha como main event o ULTRA-americano Hulk Hogan vs o evil colaborador dos iraquianos Sgt. Slaughter, luta que acontecia em meio a dezenas de milhares de fãs berrando a plenos pulmões "U.S.A!!! U.S.A.!!!!!.
'Murica.
Mas, no caso do Bullet Club, algo aconteceu. Com a popularização da New Japan em território americano e posteriormente pelo resto do mundo, o grupo passou a ganhar popularidade. Cada vez mais, era normal ver fãs, em todas as promotions que os senhores imaginarem, com a camiseta com o logo da caveira e das balas.
O tempo passou e pessoas entraram e saíram do time. Prince Devitt se tornou Finn Balor na WWE. AJ Styles tomou seu lugar e algum tempo depois, também partiu para a companhia americana. Kenny Omega lideraria o grupo em seu período mais popular, até também deixar a New Japan com os bucks, Cody e Hangman Page para formarem juntos a AEW. Jay White seria o líder seguinte, tendo recentemente deixado a promotion e ido para a All Elite onde a vaga de novo comandante do BC segue em disputa, com David Finley ocupando a posição ainda que de forma meio instável.
Contexto dado, esse texto, minha singela homenagem ao grupo que é um dos responsáveis por fazer de mim um viciado em luta-livre, vai, a seguir, listar meus 10 momentos favoritos do grupo.
Agora, prestem atenção: eu disse "os melhores"? Nope
Eu disse "os mais importantes"? Não.
Eu disse os MEUS momentos favoritos do grupo. Provavelmente vão diferir dos seus e, hey, sem problemas com isso. Mas estes são os momentos que me trazem aquele quentinho no coração quando eu lembro que, "hey, eu tava lá, em 2016, vendo essas paradas rolando e pirando enquanto assistia".
Lá, em 2016. Não lá no Japão. Infelizmente.
Mas enfim, sigamos.
PRÓLOGO: "WHAT YOU GONNA DO WHEN THE NWO COMES FOR YOU?"
Porque, convenhamos, estamos todos "sobre os ombros de gigantes" aqui.
Devitt após trair Taguchi, usando a máscara do Capitão New Japan. Não perguntem.
O começo de tudo, né? E uma luta insana de boa. A rapidez típica dos jrs. e seu ritmo insano e high fly moves, somada com a agilidade típica de tag matches. E ao final, com a traição de Devitt e a chegada de Fale, o mundo do wrestling jamais seria o mesmo.
Eu não vou mentir: mesmo sabendo do final da luta, quando Devitt FINALMENTE consegue acertar seu finisher, o 1916, em Tanahashi, eu prendi a respiração aqui.
Rei morto, rei posto. O "phenomenal one", tal qual o homem que o antecedeu, também mirou na main division da NJPW. Mas se a missão já seria difícil antes, quando o campeão era o az do universo, agora, o homem no topo da montanha era o Rainmaker, seguramente um dos melhores wrestlers do mundo em atividade (ainda hoje, veja bem, 10 anos depois). Mas nada que não pudesse ser resolvido "with a little help of my friends". E finalmente, o Bullet Club consegue o cinturão de pesos pesados.
Uma digressão: eu adoro o tema de Styles na WWE. Mas, pela mãe do guarda, o tema dele na NJPW era algo especial, não? Eu adoro como sua sucinta letra resume perfeitamente o pathos do "phenomenal one".
Depois de perder o título principal contra Tanahashi, AJ mira no segundo cinturão mais importante, o intercontinental title. O homem que precisava derrotar para consegui-lo: Shinsuke Nakamura, o rei do "Strong Style". E temos um clássico. Pela primeira vez, esses dois iriam um contra o outro e o resultado seria algo mágico que jamais seria replicado (e veja bem, a WWE tentou).
Na real, eu queria mesmo falar dos Bucks vs Suzuki gun, que foi quando os irmãos Jackson conseguiram os cinturões da jr. tag division pela primeira vez na promotion japonesa. Mas como eu não achei link pra luta, fica essa aqui, que eu também gosto muito. Sério: daqui a alguns anos, quando já estivermos todos mortos, a geração seguinte vai se perguntar "pessoal sabia que estavam vendo a melhor tag team que já existiu escrevendo seus nomes na história, diante dos olhos deles?". Se o pós vida existir, eu vou rir de todo mundo que prefere ignorar a importância insana dos Bucks pro pro-wrestling. E veja bem: isso apenas de uma perspectiva in ring. Nem estou falando do fato deles terem ajudado a fundar a companhia que FINALMENTE faz frente a WWE, depois de mais de década do quintal dos MacMahons ser quase um monopólio de luta livre em solo americano.
Essa luta provavelmente não está na lista de favoritos de nenhum fã sério de wrestling, mas foi um dos meus primeiros contatos com a NJPW e eu ri feito um animal vendo então, tá aqui. Sério, Steve Corino tendo que parar tudo pra rir com o "rico"linguajar dos G.O.D. bota um sorriso no meu rosto toda vez que eu revejo esse combate.
Não só uma luta muito boa, mas que vai reintroduzir o lore envolvendo os Golden lovers, agora na NJPW. Rápido contexto pros novatos: Em um passado não tão distante, Kenny Omega e Kota Ibushi foram parte de uma tag team famosíssima chamada, vocês podem deduzir, Golden lovers. Com o tempo, e discussões sobre qual dos dois seria o melhor wrestler, houve uma cisão na dupla. Kota continuaria na promotion de origem, a DDT, enquanto Kenny iria pra New Japan, agora como parte do Bullet Club. O momento mais importante dessa luta ocorre quando Ibushi está prestes a finalizar o combate usando seu movimento, o phoenix splash, em Styles, quando, e eu vou tentar descrever isso da forma mais piegas possível, "seu olhar encontra o de Kenny por apenas um segundo, mas que parece durar uma eternidade". Esse lapso de hesitação permite que Styles contra ataque e consiga derrota-lo. O payoff dessa trama só viria anos depois, com a reunião dos GL.
Okay, kemosabe... o que eu posso dizer sobre essa luta que já não foi dito milhares de vezes por pessoas melhores que eu? COM CERTEZA uma das melhores lutas de todos os tempos? Talvez uma séria candidata na discussão de "A" melhor luta do pro-wrestling? Eu diria que sim. A NJPW já vinha com popularidade em ascensão, mas foi ESTA luta, realizada na 11ª edição do evento principal da promotion, o Wrestle Kingdom, que botou o olhar do mundo inteiro na direção da companhia. Seria impossível, imaginaríamos, repetir a magia desse combate. E no entanto, eles conseguiram, mais duas vezes (convenhamos que, apesar de legal, a luta no G1 empalidece perto dos outros combates). No segundo maior evento da companhia, o Domínion, Kenny tentaria mais uma vez derrotar o rainmaker. Depois de 60 minutos insanos, o sino iria tocar, o tempo iria acabar e a luta terminaria como um empate. Apenas um ano depois, na edição seguinte do Dominion, Kenny conseguiria derrotar Okada e alcançar o topo da New Japan.
Tal qual as 2 lutas anteriores nessa lista, essa aqui também combina movimentos de cair o queixo e um forte impacto emocional. Expulso do Bullet Club, Kenny e Ibushi finalmente fariam as pazes e poderiam se reunir como os Golden Lovers. No processo, fortes rusgas surgiriam entre Kenny e os Bucks, o que levaria a este combate. Não haviam cinturões em disputa ou posições no ranking da promotion. Não se tratava de nada além de 2 times em disputa pela posição de "a melhor tag do planeta". Em lutas anteriores, Matt havia machucado a parte inferior das costas, o que seria usado nesse combate e boy, OH BOY, como isso acrescentou pro combate. Assim como os olhares, os momentos de hesitação. Picos de fúria, seguidos de momentos de melancólica contemplação. Tudo culminando no instante em que Kenny vai pro seu finisher, o One winged angel, contra Matt. Ele inicialmente hesita, até que Matt lhe diz pra ir adiante.
Dude... arrepia tudo aqui só de lembrar.
Estes são meus momentos favoritos do Bullet Club. Tive que deixar um monte de coisa legal fora, incluindo as lutas de Jay White contra Okada ou a guerra civil entre os membros do time.
Dez anos depois, é fácil apontar que o BC não conta mais com a popularidade que já teve, apesar das onipresentes camisetas continuarem um sucesso de vendas. Em termos de influência, no entanto, o grupo continua imbatível. Devitt, agora Finn Balor, viria a ser NXT Champion e o primeiro Universal champion da WWE. AJ Styles seria - e ainda é - uma das jóias no roster da WWE, já tendo ganho o WWE title, teve uma feud lendária contra ninguém menos que fucking John Cena e continua, ainda que longe do main event, sendo presença garantida da companhia. Kenny, como já disse, iria pra AEW onde, anos depois, seria o campeão. Um dos maiores de todos os tempos, Omega vem em um ritmo insano. Já é bem público que, durante um tempo, ele lutou doente, aparecendo não só na All Elite mas também na IMPACT e na mexicana AAA. Depois de um período de molho, ele voltou e agora novamente, se divide entre os Estados Unidos e o Japão, onde é, atualmente, o NJPW united states champion. Diabos, Jay White deixou a New Japan não faz nem 3 meses e as discussões entre o fandom giravam em torno de com qual companhia ele acabaria assinando (spoiler: foi a AEW).
A WWE viria a tentar, com o Balor Club e os OC, emular o sucesso do BC, sem muito sucesso. Hoje, temos membros do time em pelo menos 4 ou 5 promotions, em pelo menos, se minha memória não me trai, 3 continentes diferentes (até recentemente eu nem sabia que existia um braço australiano do grupo).
E sim, a atual formação do time carece de star power. Talvez alguém se junte aos atuais membros para desafiar a liderança de Finlay. Talvez, a New Japan acredite que possam "criar estrelas" e fazer do filho de Fit Finlay, um potencial main eventer. Mas com ex-membros tendo passado pela maioria das promotions nos rincões mais distintos do planeta, o poder de influência de fato do Bullet Club segue gigante. Ironicamente, provavelmente as duas únicas logos de pro-wrestling que a maioria dos fãs vai identificar, batendo os olhos na hora, são a da NWO e a do BC.
Não dá pra dizer o que o futuro reserva pro grupo. Mas seu passado já garante um lugar de destaque na história do pro-wrestling junto com os Horseman, a NWO, a DX e outras stables de igual fama e influência. Quanto ao futuro? Ficam os meus mais sinceros desejos de que o amanhã do Bullet Club seja tão bizarro e subversivo e punk quanto foram em seus dias de glória. Que ele retome o status dentro da NJPW e no inconsciente do fandom de pro wrestling em geral. Que seja violento e divertido. E principalmente? Que seja too sweeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeet.
Esse vai ser um texto mais curto que os demais nessa série cobrindo a longa estrada dos mutantes, de sua fortaleza na Escola Xavier até a ilha nação de Krakoa. E isso por um motivo simples: eu não gosto dessa saga.
Inclusive, cogitei pular esse arco e ir direto para o período dos mutantes sendo derrotados pelos Reavers e passando pelo portal do destino , mas decidi não fazê-lo apenas porque existem alguns tópicos que são abordados nessa trama que me são queridos e que são importantes por englobarem os macro-temas que Claremont vem desenvolvendo por todo seu período nos x-títulos.
Publicado entre final de 88 e começo de 89, a parte que nos interessa aqui é a que pode ser encontrada no gibi dos X-Men (239 a 243) e X-Factor (36 a 39). Esse arco pode ser considerado outro dos pontos de catarse do período Claremont nos roteiros mutantes.
Primeiramente, preciso dizer que é impressionante como não tem um respiro entre o arco anterior, dos mutantes em Genosha, e esse. Eu posso não gostar de Inferno, mas reconheço suas qualidades e, principalmente, como ele é outro argumento a favor do nível de excelência desse título e da sua equipe criativa nesse período histórico.
Meus problemas com essa história giram mais em torno do fato de eu nunca ter me conectado emocionalmente com Maddie Pryor e, no geral, não gostar do tom geral do arco.
Recentemente, no entanto, li alguns textos sobre Inferno que me fizeram ter certo respeito pela trama.
Se ela parece meio que vir do nada, do mais absoluto nada e tem uma premissa relativamente básica - personagem que é secretamente mutante faz pacto com demônios e fica ainda mais poderosa - é porque, de acordo com o que vi, Chris Claremont tinha tanto apreço pela idéia que girava em torno dessa história quanto eu, ainda que por motivos diferentes: Madelyne Pryor deveria ser o plot device que permitiria que Scott Summers pudesse abandonar de vez a vida super heróica e ter seu final feliz.
Quando o editorial da Marvel decidiu não só ressuscitar Jean Grey mas dar um novo título para os 5 alunos originais de Charles Xavier, o roteirista ficou PUTO.
"Inferno" nada mais é do que a literalização do mau estar que ele sentia não só com a decisão tomada, mas também com certa desilusão com os quadrinhos de super heróis em geral.
Pra quem nasceu mais tardiamente, isso pode não ser tão claro, mas é preciso lembrar que o que hoje em dia chamamos de "a era Image" não começou do nada. O tal processo de "Imagecomiczalição" dos quadrinhos dos anos 90s obviamente antecede a editora de McFarlane, Jim Lee e Liefeld. Ela é um sintoma, o resultado final de um processo que vinha de dentro da própria Marvel. Temos um grupo de artistas sendo alçados a posição de superstars e absolutamente cientes do próprio valor.
Temos uma editora, a Marvel, que pretendia mante-los sob o mesmo parâmetro a respeito de royalties e participação criativa, que já vinha praticando a décadas.
E além disso, temos o tom geral das histórias mudando em virtude do envelhecimento do seu grupo de leitores mais fiéis. Quem tinha 10, 15 anos lendo gibis nos anos 70, agora tinha 20 e poucos, indo pros 30 e tantos. Com seu envelhecimento, vem o aumento do poder aquisitivo. E claro, historicamente, não podemos desconsiderar o contexto geral do mundo. Inferno é uma típica história filha dos anos 80 e seu cinismo pós-moderno desconstrutivista.
Desta vez, o adversário dos heróis mutantes é o próprio universo ao redor deles. De humanos, passando por vilões e agora, literalmente, até os objetos inanimados, de elevadores à caixas de correio. Os desafios vinham de todos os lados. Isto é o grande tema da era Claremont sendo transformado em plot point.
Porque, afinal, os mutantes já tem o fato de serem personagens de quadrinhos como seu maior adversário. Os tropes típicos de quadrinhos são exatamente o que os mantém em perpétuo estado de alerta.
A diferença é que Madelyne tem o poder e a habilidade de perceber isto e do alto de sua auto-consciência, se rebelar contra este estado de coisas.
Ela deveria ser apenas uma coadjuvante, o final feliz para Ciclope, sua esposa e a mãe de seus filhos. Quando isso lhe foi negado, ela foi se unir ao time principal de mutantes, onde deveria ser apenas o olhar "civil" para aquelas aventuras. Mas ela acabou se tornando algo muito maior.
Na trama, Maddie, inicialmente uma vítima dos planos do demônio N'astirth, consegue superpoderes e decide usa-los para se vingar não apenas de Scott Summers, o marido que a abandonou e que levou o filho dela com ele - supostamente - mas do mundo que tão cruelmente trata os mutantes (novamente: este arco vem IMEDIATAMENTE depois dos horrores testemunhados em Genosha).
Não é de se estranhar que a conclusão lógica da vilã neste momento é simplesmente queimar tudo e deixar que algo, com sorte, melhor cresça das cinzas.
Claremont, com a clareza de alguém que está não só dentro da indústria mas escrevendo o gibi que mais vendia nesse período, sentia que os quadrinhos pós-Dark Knights Return e Pós-Watchmen tomavam uma direção potencialmente complicada. Não me entendam mal: X-Men era um gibi BEM violento. Mas ele não era um gibi adulto PORQUE ele era violento. Ele era adulto porque tratava de temas difíceis e com a devida sensibilidade. Essa confusão entre a maturidade dos quadrinhos e a presença de sexo e violência nestes como causa ou consequência era uma linha difícil de ser trilhada e facílima de se perder.
Com o ganho de status de Lee, Liefeld, McFarlane, Erik Larsen e Marc Silvestri e seu crescente poder sobre os rumos dos roteiros das histórias que desenhavam, as tramas acabavam perdendo em qualidade e ganhando em "massaveíce". Páginas belamente desenhadas (isso é discutível no caso dos gibis do Liefeld) com tramas com um fiapo de evento ocorrendo nelas. Splash pages com cenas violentíssimas ocorrendo apenas porque elas podiam render belas páginas. Uma cobra mordendo o próprio rabo. Liefeld ativamente tentando diminuir a importância de Louise Simonson no título dos New Mutants.
Algo não cheirava bem no reino da Grã Bretanha. Vou me permitir uma digressão aqui: a Sequart tem um documentário bem legal sobre o período Claremont e nele, tem uma passagem com Rob Liefeld que eu JAMAIS vou me esquecer. Em um momento EXTREMAMENTE masturbatório, ele diz que o gibi dos x-men precisava de "renovação" e usa como exemplo disso as edições 244 e 245 de Uncanny X-Men. Pra quem não lembra, essas são duas edições de respiro, pós-Inferno, em que vemos, respectivamente, as meninas mutantes e os caras do time, saindo para uma noitada como forma de relaxar após todos os horrores enfrentados. São dois gibis EXTREMAMENTE divertidos e, de fato, um momento de relaxamento antes do arco seguinte que vai quebrar de vez o status quo do time e encerrar o período do título no deserto australiano.
Que o homem famoso por ser o autor do "clássico" YOUNGBLOOD e por sua incapacidade de desenhar pés utilize exatamente uma trama ousada exatamente pelo aspecto fora de caixa de ser um "bottle episode" dos mutantes, despretensioso ao extremo, como um exemplo da fase "ruim" do gibi já denota muito da qualidade dessa primeira geração da Image enquanto storytellers.
Voltando para Inferno, os poderes de Madelyne, agora a Goblin Queen - lembremos que o comics code ainda existia nesse período e não permitiria o uso de DEMON Queen - iniciam um processo de "infernalização" de Nova York, não apenas afetando seus moradores e objetos inanimados, mas também os heróis.
Aqui, os autores aproveitam para ressaltar os efeitos que a vida heróica tem nos personagens, mesmo - e principalmente - nos mais inocentes entre eles. Longshot e Dazzler acabam cedendo sob efeito de toda a "bad vibe" acumulada. Alex Summers, por sua vez, tem que conviver com o fato de ter usado seus poderes de forma letal - ainda que em legítima defesa e em uma circunstância de escolhas impossíveis - contra alguém. E este é um dos principais pontos do personagem: ele é extremamente poderoso, mas a incapacidade de controlar a potencia de seus disparos faz com que ele prefira não utilizar seus poderes, já que sempre há o risco de danos colaterais indesejados no processo.
Colossus, o homem de metal, escapa incolume apenas porque seu corpo de aço o protege dos efeitos "mágickos" influenciando seus colegas. Já naqueles com tendências sinistras como Ororo, Logan e Rogue... well....
O custo da vida heróica nestes personagens é algo que vemos sendo discutido desde o período em que Claremont e Byrne co-escreviam juntos. A primeira incursão contra o Clube do Inferno, a saga da Fenix Negra, a luta inicial contra Nimrod, o Massacre de Mutantes e tudo que veio depois, todos estes arcos trazem alguns momentos de reflexão individual dos personagens sobre o efeito "endurecedor" que isso teve em seus corpos e almas. E de fato: eu conheci vários ativistas na vida, desde gente trabalhando com moradores de rua até galera trampando com comunidade LGBT e alguns grupos que iam interior do país adentro tentar achar fazendas com trabalho ilegal de menores e análogo à escravidão e meio que um tema comum entre toda essa gente era como eles precisavam de períodos de desintoxicação entre um dia de trampo e outro porque o que eles viam... Bom, no processo de tentar criar o melhor dos mundos possível, você vai, inevitavelmente, ter que testemunhar o pior que a humanidade tem a oferecer.
Os X-Men, e este é um ponto que eu bato desde o primeiro texto desta série de artigos, se enfraquecem toda vez que tentam assumir uma postura super heróica. Pior: falham com aqueles que deveriam proteger e, na melhor e mais gentil das análises, terminam em uma situação de soma igual a zero.
Mas, o outro polo disso é: o que acontece depois de testemunhar o pior da humanidade? Magneto terminou se radicalizando ao extremo (ainda que, convenhamos, ele nunca tenha passado frio porque sempre esteve coberto de razão).
Quando a pressão chegou ao seu extremo, mesmo Charles Xavier, o "pai celestial" se viu quebrado e com seus piores aspectos aflorados e voltando para atormentar seus protegidos.
A gradual demonização no visual dos X-men durante inferno nada mais é do que a exteriorização das sombras que estes personagens carregam internamente, fruto da guerra travada. Nada mais é do que o ódio que eu e você carregamos e que é criado pelo simples fato de existirmos em um mundo quebrado e extremamente injusto.
Interessantemente, temos esse contraponto entre os X-Men e o X-Factor, que permanecem "puros" durante a trama. Mas a conclusão, ao final da história, não é que o X-Factor está lutando de forma "melhor" que o time australiano. Ao final, os dois grupos reconhecem que ambos estão lutando o bom combate, apenas "de formas diferentes". Seria muito fácil uma discussão moralista sobre nos mantermos puro e "tomarmos cuidado para não usarmos o método do inimigo a ponto de não podemos nos distinguir deles". Essa é uma discussão MUITO presente atualmente, em que conseguimos identificar o jogo sujo dos fascistas em nossa sociedade enquanto, ao mesmo tempo, nos perguntamos se deveríamos ou não usar dos mesmos métodos.
Na nossa sociedade com fortes influências cristãs desde sua formação, existe um discurso meio "dar a outra face" e de combater nossos inimigos - NÃO oponentes, mas inimigos - "no campo das idéias" e tals. Eu sempre vou me lembrar da pessoa criticando Jean Willys naquele episódio em que o então deputado mandou uma catártica cusparada na cara do também deputado Jair Bolsonaro. "Erraram ambos".
Porque sentir raiva e ódio é algo PROFUNDAMENTE rejeitado na nossa sociedade. Só recentemente que geral começou a difundir a idéia do ódio justificado e da raiva como meio de transformação social contra um sistema cruel e massacrante.
Scott Summers, o "messias" mutante, o "filho original" de Xavier, ao dar seu selo de aprovação para a geração seguinte de X-Men está, talvez pela primeira vez, reconhecendo que existem métodos e métodos de lutar o bom combate.
O X-Factor é a cara sociável, "limpinha", do sonho de Xavier*. O atual time dos X-Men, é a face oculta, disruptiva, punk as fuck, desse mesmo sonho. Não faces opostas desse sonho.
Mas complementares.
Outras idéias
- As ultimas 20 edições de UXM vem num ritmo de crescendo, construindo em tom de tensão ascendente, preparando para falar também de "expiação" e de um "acerto de contas". Todos os líderes mutantes em um determinado momento vão ter que se ver julgados por seus erros e talvez, condenados por suas decisões na luta pela raça mutante. Começa com Magneto, na clássica edição 200. O julgamento vem para Xavier ao final da era Claremont, na saga da Ilha Muir. Inferno é um gigantesco acerto de contas para Scott Summer por seus pecados não apenas como líder mutante - como DEMÔNIOS demorou tanto tempo para os alunos da escola X descobrirem a existência de Genosha? E o quão alienados eles estão da própria causa a ponto de não terem ciência disso? - mas como pai ausente e marido falho. De fato, ele abandonou Maddie. Okay, posteriormente ele pensou que ela estivesse morta, mas nada disso teria acontecido se essa decisão inicial não tivesse sido tomada. Summers é brutalmente confrontado com sua decisão e termina com sua cota de cicatrizes. Os julgamentos de Tempestade e SOBRETUDO Wolverine, líderes do time australiano, estão logo ali e vão cobrar sua cota de sangue. Por fim, o arco envolvendo o portal do destino é a hora do julgamento dos membros restantes do time, eles também líderes da causa e, portanto, passíveis desse processo.
- *Mencionei o X-Factor como a face "social" do sonho de Xavier, mas eles não estão alheios a sua cota de sombras e cicatrizes. Warren Worthington se tornou, literal e metaforicamente, um anjo sombrio. Bobby Drake perdeu o controle de seus poderes após uma viagem a Asgard. E sabemos, do alto de nossa posição aqui no ano de 2023, que o futuro vai ser ainda mais cruel com Jean Grey (tem pelo menos mais uma morte esperando ela nos anos vindouros), Scott Summers (eu nem sei onde começar com Scott. Começa com ele perdendo o filho novamente e daí pra diante é ladeira abaixo) e SOBRETUDO, Hank McCoy (que teve a trajetória traumática de começar como o "nerdão gente boa" e mais sociável dos mutantes - favorito de um monte de fã dos X-Men e dos Vingadores - para a atual posição de criminoso de guerra, pária Krakoano e "Henry Kissinger" da comunidade gene-x).
- Preciso dizer que uma parte do meu mau-estar com esse arco vem muito do fato de ele se dividir, majoritariamente, entre os títulos do x-factor e dos x-men. Enquanto eu vejo méritos em ambas as partes, individualmente, preciso dizer que quando você pensa neles como uma história só, algo se perde. Não há muita coesão, até em termos de tom, incluindo visualmente, nesses saltos de um título pro outro. O que, lendo agora, eu racionalizei como sendo apenas o fato de que os dois títulos tem tons diferentes. X-Factor inicialmente tinha de fato, o objetivo de ser um gibi pra quem cresceu lendo o time original e queria algo com um tom mais de "velha guarda" e "clássico" enquanto o título principal, era pra molecada e pra todo mundo cool que se identificava com aquelas figuras punk.
- Também tenho que mencionar que Inferno é o primeiro grande arco - porque em "Massacre de Mutantes" ele só operava nos bastidores do evento - em que Nathaniel Essex, o Sr. Sinistro, é o grande vilão e o "final boss" a ser combatido. Essex, junto com Amahl Farouk (o Shadow King) e os Reavers, viria a ser "O" grande vilão da era Claremont. Um personagem com altos e baixos até cair nas mãos de Kieron Gillen e virar uma das figuras mais interessantes do lore mutante. Ele próprio um constante lembrete para Xavier a respeito dos riscos de se sentar à mesa - ainda que "em nome do bem maior" - com um fucking nazi e eugenista. Porque, afinal, certos pecados estão além de qualquer perdão.
A seguir: "talento, coração puro e um tiquinho de sorte"