terça-feira, 14 de julho de 2020

Conversando com o Starman #4

Dia novo, música nova, e vamos direto ao ponto.
A música de hoje é: SEVEN YEARS IN TIBET


Contexto: Eu não vou aqui adentrar sobre a complicadíssima situação geo-política do Tibet e sua relação ainda mais tensa com a China porque eu precisaria de livros e mais livros para falar do tema com a devida justiça. Vamos apenas nos manter no superficial: Bowie teve seu primeiro contato com o budismo ao final da adolescência, tendo inclusive escrito canções que abordam a religião já no seu trabalho de estréia ("Silly boy blue")
Um dos pontos de referência para o jovem David enquanto se aprofundava em seus estudos pela religião indiana foi o livro "Seven years in tibet" de Heinrich Harrer. A obra, que deu origem a um longa-metragem com o mesmo nome (e que, por sua vez, não tem nenhuma relação direta com a canção aqui comentada) nos anos 90 narra a viagem do austríaco Heinrich para o Tibet, depois de fugir de um campo de prisioneiros na Índia e é elogiada por mostrar o olhar ocidental para a região, um dos raros registros desse território antes da invasão chinesa. 
Textos resenhando tanto o livro quanto o filme descrevem os dois como aquele típico olhar de fascínio do ocidental diante do "oriente misterioso", com tudo de bom e ruim que vem com isso. Okay, façamos justiça: os mesmos reviews elogiam Harrer por não omitir certos detalhes inconvenientes da sociedade tibetana que podem parecer menos atraentes para o público que pode vir a consumir esse tipo de literatura esperando algo no nível de "comer, rezar, amar". Mas ainda assim, vale a observação. Com os anos, a situação no Tibet só ficou mais e mais tensa.
Paralelo a isso, algumas informações a respeito do autor da obra desconhecidas na época do lançamento, vieram a tona, jogando algumas sombras sobre sua jornada (me refiro a revelação de que Harrer pode ter sido um membro do partido nazista durante a década de 30). Se isso invalida sua jornada rumo a uma suposta "iluminação" ou só mostra o poder que sua viagem teve em um processo de torna-lo um ser humano melhor, deixo que a História e os senhores julguem. 

Sobre a música: "Seven years..." berra anos 90. O começo tranquilo e a súbita mudança para um som que é praticamente uma parede de guitarras berra indie rock noventista (Pixies é o nome que mais salta a memória, além de seu "sub-produto estilístico" mais famoso, o nosso adorado grunge). Além disso, essa foi a década onde vimos o ocidente vocalizando de forma mais explícita sua voz sobre a questão Tibetana, então, acho justo declararmos a canção de hoje como uma filha perfeita de sua época. 
Faixa quatro do disco "Earthling", de 1997, esse é um dos trabalhos tardios da produção Bowieana dos quais eu mais gosto e uma das minhas portas de entrada para esse multiverso que é sua discografia. São 14 linhas de letra antes da música se entregar a repetição (mantra?) das frases
"I praise to you. Nothing ever goes away". Uma invocação em meio ao caos sonoro. Um sutra sobre a finitude das coisas e a permanência de.... algo.  Budismo techno-punk

Como vai ser o seu dia: Segue seu caminho. Construa sua história. Componha sua narrativa da forma que melhor lhe convier. Só lembra que "memento mori". Tudo morre. YOLO. 
Ou, citando Mia Matangi, talvez, TALVEZ, YALA (You always live again). Mas na dúvida, viva uma vida da qual você possa se orgulhar. Mas..... adentremos os paradoxos aqui, okay?
Mesmo com as melhores intenções, ainda é um produto comercial, como toda a arte sendo vendida (e isso não é intrinsecamente ruim, só deixando claro). Um cântico de ordem em meio ao caos de guitarra, bateria, sax, teclado e demais sons eletrônicos. O livro também, coordenava o tal olhar de fascínio com os elementos mais cotidianos, pueris e mundanos daquela sociedade, retratando o custo pessoal daquela busca por elevação espiritual numa comunidade inserida dentro de um mundo capitalista. Meu ponto aqui? Eu não sei se tenho um. E na verdade, acho que este é o ponto da música. Carnal e espiritual, físico e arcano, dialeticamente convivendo e se chocando.
Lembrei de uma sequência em "Invisíveis" do Grant Morrison, onde os personagens discutem o paradoxo do rio Ganges: segundo os mitos locais, mergulhar naquelas águas vai te trazer iluminação espiritual. Morrer enquanto está mergulhado nelas, segundo eles, vai te tirar imediatamente do ciclo de reencarnação. Mas claro, porque, afinal, não existe almoço grátis, há também o fato de que o  Ganges é bastante poluído. Então, é possível que esse processo de limpeza espiritual vá resultar em uma ou duas viroses e talvez alguns parasitas nesse veículo imperfeito que usamos para existir nesse plano de realidade. 
O personagem da canção é alguém literalmente morrendo. O horror dos momentos finais vem mas com o conforto da possível transubstanciação, da sublimação do físico. Paz e terror, de mãos dadas. 
Dicotomia. 
Então, busque a perfeição mas entenda que talvez, no caminho, um ou dois improvisos mais profanos vão se fazer necessários. A jornada até o paraíso envolve descer ao inferno. Confuso? Bom, essa é a filosofia que te questiona sobre o som de uma mão solitária batendo palma. O que você esperava?

Frase do dia:

"The stars look so special 
And the snow looks so old 
The frail form is drifting 
Beyond the yoga zone"


ah sim, um aviso: eu disse que a seção seria de segunda a sexta mas esqueci que quarta eu praticamente não entro na internet (salvo uma ou outra espiadinha em alguma rede social porque ninguém é perfeito e eu gosto de acompanhar nossa coletiva descida ao inferno em tempo real) para passar o dia vendo seriados e filmes com Stella. Então, minhas sinceras desculpas, meus Bowieanos e Bowieanas que já constroem todo seu dia a partir das pérolas de sabedoria que este moderadamente humilde urso compartilha com vocês nesta coluna bloguística, mas.... vocês que lutem. 
São 24 horas, vocês vão sobreviver.
E caso eu esteja errado....bom.... YALA, eu imagino. 
Nos vemos na quinta. 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Conversando com o Starman #3

Nosso primeiro cover, senhores.
A música de hoje é NIGHT FLIGHTS


Contexto: Porque, afinal, nossos heróis também tem seus heróis. Um dos ídolos de adolescência de Bowie, informação que ele tornava pública sempre que possível, era Scott Walker.



O cantor e compositor ganhou fama nos anos 60 como parte do trio The Walker Brothers, antes de se lançar numa bem sucedida carreira solo. "Night Flights" é também o nome do último disco lançado pelo trio. Separado em 3 partes distintas, o disco é visto como, na verdade, uma espécie de compilação de 3 álbuns menores, cada um deles feito de forma isolada por cada membro do trio, não muito diferente do que ocorreu com o Outkast em seu "Speakerboxx/The love below" de 2003. A canção aparece como a faixa 6 do já comentado aqui "Black tie, white noise" de 1993, décimo sexto trabalho de estúdio Bowieano e seu primeiro novo lançamento solo em 6 anos, depois do período em que o artista atuou como parte do Tin Machine. Alguns (eu incluso) diriam que este é o marco zero da retomada da carreira de David Bowie nos anos 90 e onde ele deu a guinada em direção aos sons eletrônicos que marcaram sua obra até o seu trabalho final, Blackstar. 

Sobre a música: Enquanto ambas firmam pé no rock, a original se faz notável pela belíssima orquestração acústica, enquanto seu cover carrega forte nos elementos eletrônicos. Lançada em 78, a faixa, que Bowie ouviria enquanto concebia seu Lodger, já deixaria marcas no artista, influenciando-o em uma das músicas deste mesmo álbum, intitulada "African night flight". "Night Flights" tem o mesmo tom mezzo-apocalíptico das outras músicas das quais já falei aqui nesta série. Desta vez, um casal saindo sem rumo em meio à noite, sem a promessa de que verão um novo dia surgindo. Os perigos rondam. O horror é iminente. Mas pelo menos, existe a esperança de que, enquanto tiverem pelo menos um ao outro, tudo vai ficar bem. 

Como vai ser o seu dia: Tudo bem se, no meio da tormenta que tem sido os dias atuais, você se sentir perdido. É fácil, em meio à tempestade, se sentir sem rumo. O importante é lembrar que não estamos sós. Todos temos nossos nortes para os quais nos voltar em períodos particularmente turbulentos. David Bowie tinha Scott Walker, entre outros. Os protagonistas da música tinham um ao outro. Eu tenho meus salva-vidas emocionais. Vocês tem os seus. E recorrer a eles, de tempos em tempos, não é um sinal de fraqueza. As vezes, é aquela "retirada estratégica emocional" da qual a gente necessita antes de podermos seguir adiante nessa gigantesca "jornada noturna" que chamamos de vida. 

Frase do dia: "Be my love, we will be gods on nite flights. Only one promise, only one way to fall"

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Conversando com o Starman #2



Bom dia, senhores.
Episódio novo do seu fake oráculo mais realista e preciso da interwebz. 
Dia novo, música nova, mensagem nova (um pouco mais curta porque tenho alguns corres para fazer aqui de compras da semana). 

Música do dia: "The pretty things are going to hell"


Contexto: Faixa 7 do álbum "Hours", de 1999. "Hours" surgiu, inicialmente, como trilha sonora para o jogo "Omikron: the nomad soul" (que conta com a participação de Bowie e Iman em cutscenes) e que, se minha memória não me falha, foi disponibilizado gratuitamente pela produtora depois da morte do cantor. 


Sobre a música: Industrial salvou carreiras nos anos 90, não? O estilo com suas guitarras rasgantes, batidas pesadas que lembram as máquinas de uma indústria (daí o nome do estilo) e elementos eletrônicos foi o gênero de escolha de vários artistas que saíram dos anos 80 já com certa curiosidade pela música gerada por máquinas, caso do artista foco deste texto e de outros favoritos aqui do blog como o sempre excelente Gary Numan. De fato, a aproximação com a música eletrônica fez muito bem para David, que vinha de discos, como lembramos ontem, não particularmente inspirados. Além disso, havia também a frustração vinda do fracasso do projeto paralelo dele, o Tin Machine. Por sorte, no começo da década de 90, alguns eventos vieram para mudar os rumos da carreira de Bowie. Além da já citado caso de amor com a música eletrônica (ou melhor, da REaproximação, já que, sejamos justos, o interesse do cantor pelo gênero vem desde a parceria com Brian Eno que resultou na confecção da trilogia de Berlim - Low, Heroes e Lodger -, no final da década de 1970), veio também o matrimônio com Iman Abdulmajid em 92.

Como vai ser o seu dia: Oh boy....  Okay. É uma canção sobre sobre finais, não? Um olhar para o passado (o título retoma músicas como "oh you pretty thing" e "you're pretty face is going to hell" dos Stooges) antes de seguir adiante. 
Em entrevistas, Bowie afirmou ter Evelyn Waugh como referência para o título (tirado do livro "Vile Bodies", originalmente intitulado "Bright young things"), sobre a música ser sobre o nosso mundo e como "as coisas bonitas ficaram para trás". Elas existiram tiveram seu tempo, mas se desmancharam no ar. Então, vamos na direção oposta à mensagem de ontem: se joga. 
Não importa a grandiosidade ou insignificância aparente de seu objetivo, vai de cabeça.
As tais "pretty things" tem esse caráter de não-perenidade, mas lembremos: são elas que nos mantém vivos e sãos. 
Em 100 anos (ou menos) eu e você vamos estar mortos. Em 5 bilhões de ano, o sol vai virar uma supernova e a Terra vai ser obliterada. "Lágrimas na chuva", como diria Roy Batty.
Então, aproveita o seu tempo. Porque como todo ciclo, este também vai acabar e virar uma "coisa bonita" na sua memória. E no final, é só isso que sobra, não? 

Frase do dia: "Life's a bit and sometimes you die" 

quinta-feira, 9 de julho de 2020



Capa da edição do mês da "Little white lies", anunciada agorinha no perfil da revista no twitter.
A arte é de Laurène Boglio.
Linda né?

Conversando com o Starman: sua dose diária de Bowie



Eu nunca acreditei em oraculos.
Minto: num momento particularmente frágil da minha vida, recém-chegado em SP, atravessando a semana indo de domingo a domingo no cursinho, vivendo numa pensão pra homens e sobrevivendo com apenas o dinheiro que meus pais me mandavam de Avaré (e exatamente por isso, economizando sempre onde dava), eu confesso que lia com interesse o horóscopo de um dos jornais diários que eram assinados pelo pessoal lá do ACEPUSP, pré-vestibular de caráter popular visando atender pessoal de baixa renda tentando entrar numa universidade pública. E, como eu já narrei diversas vezes, meu pai, tentando me presentear com um livro de ciências, acabou por engano me trazendo obras de ciências.....ocultas. Então, não, não aprendi sobre física e biologia mas, por outro lado, não existem muitas crianças de 8 anos de idade que já tem noções básicas de leitura do tarot e runas (já completamente esquecidas, obviamente). 
Mas meu ponto é: nunca tive uma relação de proximidade com quaisquer métodos de leitura do futuro. Até porque, como vocês sabem, tendo ao niilismo "fofinho". Niilismo em si me soa um pouco frio. Se nada é verdade e todas as formas de ideologia são igualmente falhas, a única verdade é a realidade fria e impessoal. Eu por outro lado penso o seguinte: não, não existe Deus, nem deuses. Nenhum oráculo funciona, tudo é só projeção nossa. E isso porque, obviamente, queremos acreditar que nossa vontade influencia o universo. Palavras e pensamentos tem poder. 
Só que.... não, não tem. E eu estou bem com isso, até porque, se nada existe além da nossa realidade factual, prefiro uma postura de "vamos transformar esse mundo em nosso paraíso para aproveitarmos o pouco tempo que temos nele" do que a alternativa apática. 
Mas claro, existem dias e dias. 
E existem dias em que... bom, vocês conhecem aquela frase do "num avião caindo, ninguém é ateu".
E o mundo de 2020 pode ser descrito exatamente assim: como um avião em queda livre. Um trem desgovernado.
Nessas horas, a parte mais primal e reptiliana do meu cérebro anseia por aquele conforto que a crença em alguma mitologia traz, a de que existe alguma forma de inteligência cósmica ordenando as coisas e que vai garantir um final feliz (apesar de, spoiler alert, eu saber que não).
E aí fica essa dualidade: como aplacar essa necessidade, sem abrir mão da minha capacidade crítica e da minha auto-consciência de que oráculos são apenas o medo da morte somados a nossa necessidade de acreditar que temos algum controle sobre nosso meio além daquele que envolve arregaçar as mangas e ir, vocês sabem, fazer coisas. 

A resposta é óbvia: CRIAR MEU PRÓPRIO ORÁCULO. Exatamente por isso, este é o primeiro episódio da nova seção aqui do Groselha on the Rocks: Conversando com o Starman. 
Precisa saber se vai correr tudo bem, se é um bom dia pra tocar os projetos adiante ou se o ideal é ficar dentro de uma sala protegida com sigilos mágicos desenhados com sangue? É só vir aqui, de segunda a sexta, e ver o que as canções desenvolvidas por David Robert Jones tem a dizer.
Eu sempre disse que vocês podem encontrar todas as respostas sobre as grandes questões da vida dentro da obra Bowieana. Pois bem, este sou eu pondo essa crença à prova. E falando de DEUS. 
O único Deus em que eu acredito, pelo menos. O que é sempre divertido. 
So, como vai funcionar: todo dia, uma música randômica escolhida da discografia do Homem. 
Uma rápida olhada na letra e no contexto da canção e uma reflexão tirada das profundezas da minha orelha sobre como as proféticas palavras redigidas por Ele vão afetar (ou não) o nosso cotidiano.
E ao final, uma frase, tirada da supra-citada canção, que pode (ou não) servir como norte do dia. Ou apenas que foi legal o suficiente pra chamar a minha atenção. 
Okay? Okay. 
So..... pra dar início as atividades: 

A música do dia é: DANCING WITH THE BIG BOYS

Contexto: Faixa final de Tonight, disco de 1984 e o décimo-sexto lançado por Bowie. 
Yeah.... um começo não muito auspicioso. Uma música inchada de um LP inchado e que, sejamos francos, não é um dos momentos mais brilhantes da carreira do artista. E que, em retrospecto, antecipava o tom do seu trabalho seguinte, "Never let me down" (de 87), que receberia críticas igualmente negativas. Da mesma forma que aquele, este álbum teve vendas inicialmente boas mas que foram caindo conforme as críticas saiam. Apesar do tom deste preâmbulo, tem pelo menos 3 faixas bem boas: a título (um dueto simpático com Tina Turner) e os dois clássicos "Blue Jeans" e "Loving the Alien". 
De fato, os anos 80 não foram particularmente gentis com Bowie. Foi a década que o viu encher estádios e atingir visibilidade popular como nunca antes (basta lembrar que a obra anterior a essa, "Let's dance" é seu lançamento que mais vendeu), mas cujo preço foi certa perda de foco, com discos que, apesar de ainda terem algumas faixas boas, careciam de coesão e pesavam na produção excessiva. Esse labirinto criativo só vai ser vencido na década seguinte, com Black Tie White Noise (de 1993). Mas essa é outra história...


Sobre a música:  Bem intencionada. Tem backing vocals do Iggy Pop. E é sobre o apocalipse, o qual é, vocês sabem, um dos meus temas favoritos, narrando sobre um personagem que conseguiu "chegar no topo" apenas pra ser ver esmagado pela indústria e tão solitário e miserável quanto estava antes de atingir seus objetivos. 
A música foi concebida numa jam entre David e Iggy no estúdio, regada a algumas garrafas de cerveja, numa espécie de brainstorming criativo. A idéia era caçar um tipo de som que fosse ao mesmo tempo experimental e referencial ao método criativo de décadas anteriores. Se a experiência foi bem sucedida ou não, deixo que os senhores decidam. 

Como vai ser o seu dia: No improvável caso de que, tal qual o personagem retratado nesta canção, você se veja em meio a uma situação de potencial apocalipse (o que, curiosamente, descreve nossos dias atuais com precisão cirúrgica. Sério, temos inclusive um cardápio de opções para que o cliente possa optar pelo juízo final de sua preferência), eu diria (mesmo que não estivéssemos em contexto de pandemia) que não é um bom dia pra tentar algo ousado. Aquele negócio pedindo por uma decisão final, aquela guria ou guri que parece estar a uma investida mais definitiva de se tornar seu "mozão"? Eu, se fosse você, esperaria por mais 24 horas. Que tal aproveitar a pandemia para maratonar uma série ou ouvir uma discografia inteira? Talvez aprender uma atividade nova via vídeo do youtube. Quem sabe, se juntar ao exército cada dia maior de padeiros amadores caseiros e se aventurar na confecção de um pão "escrito, roteirizado e dirigido" por você? 
Conselho de amigo: Qualquer atividade mais importante que as descritas acima? Melhor não. Deixa pra amanhã. 

Frase do dia: "Where there's trouble there's poetry". ("Onde há problemas, há poesia")

Sobre bardos e reis....

Vendo "Trono de sangue", adaptação japonesa de MacBeth regida por Akira Kurosawa, eu me peguei pensando o quão gangstas são os textos de William Shakespeare. Reis em queda, atentados traiçoeiros, proteção de território, muito, MUITO ego se interpondo entre estes homens e seus objetivos. Mas indo além, já que hip hop é mais do que narrativa gangsta: rap é sobre poesia e voz aliadas para investigar as grandes sombras da existência humana. Exatamente como Shakespeare fazia, 500 anos atrás. O território britânico (só para ficar em seu cenário mais famoso) funcionando para esse autor e seus personagens tal qual Baltimore, cidade cuja alma era constantemente colocada em disputa nas 5 temporadas de The Wire, série que, pelo menos para mim, é "O" show mais gangsta já feito, além de uma das melhores obras já concebidas pela indústria de entretenimento norte-americana. MacBeth e Stringer Bell. Omar Little e Hamlet. 
Procurando um pouco e descubro que não só existe muita gente concordando comigo, mas inclusive um grupo de teatro inglês cujo foco é traçar os paralelos entre o bardo inglês e suas contrapartes modernas como Kendrick, 2pac, Biggie e Eminem. 
Abaixo, deixo um TED talk feito pelo porta voz do grupo, Akala, explicando o que existe em comum entre o estilo musical mais popular dos dias atuais e a obra do poeta e compositor teatral mais famoso da história. 


quinta-feira, 2 de julho de 2020

nada a ver com nada, mas....



Acho.....que o último filme de super heróis que vi foi "Avengers: Endgame" (que eu, sempre que vou escrever sobre, insisto em chamar de "Ultimate". O processo é sempre o mesmo: escrevo, bate a dúvida, vou no google e vejo que estava errado. Sim, é o "evento" cinematográfico de uma geração, mais de uma década de concepção. E eu mal consigo lembrar do nome). Teve "BrightBurn", não teve?
Aquele foi um filme de heróis legal. Antes disso teve "Spider-Verse". Meu favorito de todos que eu já vi e o motivo pelo qual eu comemoraria a notícia de um cancelamento dos longas em live-action da Marvel e sua substituição por animações em 2D e 3D como se meu time tivesse ganho a final do mundial de interclubes. Claro, fosse eu um fã de futebol. Nem sei do que estou falando. 
Comemoraria como se meu wrestler favorito tivesse se tornado campeão mundial dentro da empresa na qual se consagrou. David Starr na OTT.... claro... antes de.... vocês sabem. #exposed.
Inclusive, quão desconfortável pra mim é lembrar que David Starr vs Jordan Devlin era minha top luta de 2020 e já era certeza na cabeça da minha lista de melhores do ano?
Dois mil e vinte em versão resumida, imagino. Mas divago.
Enfim, eu adoro Spider-Verse. E eu adorei Birds of Prey, filme que vi, finalmente, na semana passada. Não vou entrar no mérito de explicar o roteiro aqui porque quero acreditar que os senhores pertençam a um dos dois grupos: ou são fãs de filmes do tipo e já viram e reviram a obra várias vezes. Ou odeiam filmes baseados em quadrinhos, o que significa que vocês não se importam com isso.
Meu ponto é: Eu vi Birds of prey. Aliás, "Birds of Prey and the fantabulous emancipation of one Harley Quinn". Que depois foi reduzido pra "Harley Quinn and the birds of prey", pq é nesse tipo de mundo sem graça que a gente vive. 
Adorei o filme. Longe de ser perfeito. É outro que cai na minha triste teoria de que filmes de hqs são excelentes filmes, mas sempre desabam quando lembram que são filmes de HQ. Quando precisam abraçar os tropes e os elementos típicos dos gibizinhos. Porque, afinal, como eu sempre bato, uma coisa é uma coisa e ...bom, vocês sabem.
Adorei as cores, a grandiloquência, a auto-consciência de não se levar a sério demais. Adorei até personagens os quais eu normalmente não gosto. A Canário tem seus momentos. E se for pra adaptar a Caçadora pras telas, ainda bem que escolheram uma atriz como Mary Elizabeth Winstead. 
A trama sobre independência e a tal "emancipação". O filme é da Harley, né? Dela e de suas hienas.
Odiei apenas, como dito, os momentos super. Tá a ação acontecendo e a gente lá, hipnotizado. 
Bala voando em proporções que fariam John Woo abrir um sorriso imenso.
Aí, lembram que a Canário tem poderes e o usam num Deus ex Machina nunca mencionado nem antes, nem depois desse momento. E ao final, as personagens aparecem usando seus superuniformes.
Que. coisa. brega. Mas até aí, por mais densos que sejam os filmes do Batman solo, sejam os do Christopher Nolan ou os mais recentes dirigidos por....bom, quem se importa?...., ainda é uma história de tragédia, dor e ressurgimento das próprias cinzas protagonizadas por um milionário vestido de morcego. Um ninja, bilionário que leva o horror aos corações covardes e supersticiosos dos criminosos enquanto usa orelhinhas de gatinho. 
Acho que vocês pegaram a idéia. 
Enfim, tem seus defeitos. Mas são momentos tão curtos que não afetam a experiência em si, essa sim, absolutamente satisfatória. Até animei em ver mais coisa com a Harley, sejam suas hqs solo, seja sua série de animação. 
Por hora, adiciono esse filme na minha extremamente curta lista de filmes de super-heróis live-action recentes dos quais gosto. Mas assim: gosto MESMO. Lista essa onde constam "Thor: Ragnarok", "Iron Man III", o último filme dos Vingadores e "Black Panther". 
"Birds of prey and the emancipation of one Harley Quinn". Uma viagem lisérgica e extremamente divertida. 
E cujo título, aliás, eu lembrei de cabeça, sem necessidade de googlar. Mais de 40 caracteres. Mais que o dobro, pra efeitos de perspectiva, de "Avengers: Ultimate Endgame"
Falemos de impressões duradouras aqui.... 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

"I believe in violence"


Oh, acreditem, senhores.
Bruiser fucking Brody





Mais de 3 horas de massacre, gore, ultra-violência e esculhambação.
Separem a cerveja e o fandangos, crianças.
E se joguem!!!!

O poster vem desse perfil do twitter.

quinta-feira, 25 de junho de 2020


nada a ver com nada, mas...

Licença poética é o cacete. Eu SOU velho o suficiente pra ter feito curso de datilografia. CHUPA ESSA!!!
Quando eu paro pra pensar, escrever é uma das poucas constantes na minha vida.
Eu comecei a ler muito cedo, graças a minha mãe. Dois orgulhos: ter aprendido a ler com gibis, aos 4 anos de idade. E poder encher o peito e dizer que eu não devo isso à escola. 
Acho que nunca escondi que minha relação com a escola sempre foi extremamente tensa. Meus primeiros bullyings (que nem tinham esse nome na época), passando por momentos de certo destaque e chegando à posição - permanente, deve ser dito - de não dar meia foda pra todo o processo. Então, fico feliz que ler, habito que me define, não seja algo que me force a ser grato a uma instituição pela qual não tenho o menor carinho. 
Escrever, no entanto, me obriga a ser humilde. Aprendi na primeira série, aos 6 anos. Nunca gostei, admito. Minha caligrafia é horrorosa. Mas tomando pela memória, seja de forma literal, seja de maneiras menos diretas, eu venho criando histórias por minha vida quase inteira. 
Lembro que aos 9 anos, consegui certo destaque na minha classe por causa de algumas histórias cujos temas eram sugeridos pelo meu professor. Uma redação em especial, sobre um romance entre a Terra e o Sol, renderam elogios que me são memórias carinhosas ainda hoje. Com o estímulo, veio certa empolgação.
Infelizmente, já no ano seguinte, minha personalidade tímida fez com que o professor de redação me visse como o "coitado" da turma e meus textos eram recebidos com certa condescendência. Mesmo sem conhecer esse termo, eu "sentia" seu significado e ficava puto com isso. Soma-se a isso o irritante hábito dele de deixar o caderno corrigido em cima da minha carteira, o que dava margem pros colegas de sala - e o termo é utilizado aqui de forma genérica. Eu odiava todo mundo ali - lerem minhas mal traçadas palavras e transformarem aquilo em escárnio. Só joguei a toalha.
Pra além disso, só quando escrevia tramas épicas enquanto brincava com minhas tartarugas ninjas, quando arriscava tentar desenhar (pq fã de quadrinhos sempre termina mordido com esse bichinho de querer criar o seu, em algum momento) ou, filho único, quando falava sozinho e tinha altas discussões sobre a vida, o universo e tudo mais com meus interlocutores imaginários. 
No entanto, em 99, meus pais me deram meu primeiro computador. Daí pro primeiro blog foi um pulo.
E nunca mais parei, desde então. Durante um período sem internet por causa de um defeito no meu monitor, me vi tão desesperado querendo escrever que, pela primeira e única vez nessas 4 décadas, esbocei um diário físico. Mas claro, ao invés de narrar meu cotidiano, eu contava histórias de meu futuro. Um diário das coisas que viriam.
Salvo a permanência de UMA pessoa, obviamente o jovem Hak errou todas as previsões. Aquele futuro virou o sonho fantasma de uma versão minha que não existe mais. Dias de um futuro esquecido, de fato. 
Eu tenho certo prurido em admitir que o que eu faço são histórias, já que na maioria esmagadora das vezes, eu prefiro resenhar o que eu leio e/ou assisto. Mas, na real, ainda são pequenas narrativas contando a história de Hak, the Bear e como tal livro, gibi, game, filme ou série mudaram sua vida, suas idéias e sua visão de mundo e pq, talvez, tais obras vão mudar as de vocês também.


Esse texto é menos, ao contrário do que pode parecer, um arremedo de crise de meia idade nostálgica e mais uma reflexão surgida a partir de outras. Eu sempre quis lançar minha voz pro mundo mas sempre achei que eu não tivesse talento absolutamente algum. Só recentemente eu me toquei que eu não faço tão feio quando digito palavrinhas em sequência. Gostaria de ter tido essa reflexão uns 20 anos antes, mas tudo bem. Amo minha jornada até aqui e tudo que ela me trouxe, de bom e ruim. 
Tenho lido sobre fanzines, sobre como roteirizar quadrinhos. Talvez eu tenha ambições de criar algo com a minha voz de fato? Não sei. 
No momento, eu não sei de nada.
Só sei que, o que quer que aconteça, espero que me renda bons textos. 

terça-feira, 23 de junho de 2020


Achei aqui

and now for something completely different...




Vai sim, fiote.
Pega nada, não.

Achei aqui

"Quem vai contar a minha história?"

Se vcs achavam que o hype de Hamilton já tinha passado...
Se vcs já estavam incomodado com até gente como eu, que odeia musicais, cantando as canções do show inteiras...
Se vcs nunca conseguiram entender todo o hype ao redor de um espetáculo que, tirando alguns poucos afortunados, geral só viu graças a uma versão bootleg postada no pirate bay....
Se vc acha que não vai ter até lancheira, caderno universitário e bonequinho do mc donalds com os rostos de Alexander, Burr e Lafayette....



.... só esperem, motherfuckers...
Só esperem....

Estréia em duas semanas lá fora, no Disney+. Pros países que contam com o serviço disponível, claro.
Pro resto, provavelmente vai poder ser encontrado no mesmo dia no site de torrents de sua preferência. 

O novo normal

Há pouco mais de uma semana eu tive não apenas que quebrar a quarentena, mas de me jogar num dos pontos mais concentrados de gente aqui em SP. 

...

...

Okay, eu entendo se já tiver gente desistindo deste texto. Esse geralmente é o começo de artigo que você espera vindo de um blog negacionista, daqueles que dizem que o COVID-19 é apenas "uma gripezinha". Que é "coisa da esquerda". Que (insira sua doença favorita aqui) mata bem mais. #forçafeefoco

Mas sério, ursem comigo: não vou entrar em detalhes em excesso aqui, mas tive que ir pra Santa Ifigênia, bairro de lojas de produtos de tecnologia famoso aqui da capital. Se tu precisas de itens de informática, jogos e tudo relacionado a essa área, lá é o lugar pra ir. Precisava de uma bateria de notebook. Sim, lojas online foram pesquisadas. Não, não dava pra pedir online, já que as taxas de entrega eram abusivas. E se os senhores se lembram, eu ainda sou um homem desempregado. E o computador pedindo por uma bateria nova era justamente o usado pra trampos aqui em casa. 
Enfim, este era o cenário. Sem opções, peguei as roupas mais grossas que tinha, minha máscara, meu tubinho de álcool gel. E fui. 
Não, eu estou fazendo parecer que esse foi um processo fácil. Não, não foi. Sair de casa pra qualquer coisa, nos últimos 90 dias não é um processo fácil. Nunca. Saio uma vez a cada 15 dias. Ocasionalmente, se surge uma emergência, vou no mercadinho que fica há uns 200 metros de casa. Mas raramente. 
Sério, eu estou no modo Howard Hughes. Pânico descreve.

Anyway, voltemos ao conto de horror que foi minha incursão em plena pandemia a um dos locais com maior concentração humana desta cidade: armado com as roupas e as armas de 2pac, eu fui.

Uma representação visual bem próxima de como eu sai de casa nesse dia
A ida foi tranquila. Metrô quase vazio, o que é sempre uma coisa ao mesmo tempo confortadora e ligeiramente perturbadora. Menos de 10 minutos, saio pela estação São Bento e vou a pé pelo resto do caminho. 
A estada lá, no entanto, foi bem menos "de boa": fui o mais cedo que deu e chego às 9h40 no local. Mas a pandemia e as leis municipais determinam a abertura das lojas ali somente às 11. Ou seja, mais de uma hora lá. Parado. Esperando. De máscara, com sede e fome mas sem poder tirar pra nada pq vcs ESTÃO LOUCOS???
Tem um vírus matando gente por aí, sabe?
So...... só resta esperar. As 11, as lojas abrem. As gurias donas da loja onde vou estão reorganizando a loja, depois de levarem todo o estoque pra casa pra venda via Mercado Livre. Mais uns 30 minutos até uma delas ir até em casa e pegar a bateria que eu precisava. Volto pra casa.
Metrô igualmente vazio na volta, com nem 1/3 da carga que deveria ter nesse horário.
Entro em casa, direto pro banho. Missão cumprida.

Nesse caminho, no entanto, o olhar vai e volta aos lugares. Fazia tanto tempo que eu não saia de casa de fato, que eu cruzava a linha de 1km daqui do apartamento. Pq afinal, quarentena é coisa séria.
Foi estranho notar que o mundo entrou naquilo que o pessoa da área de estética e computação gráfica chama de uncanny valley. Resumindo: uncanny valley é aquela sensação de estranheza que temos ao ver réplicas humanas imperfeitas. Pensem no personagem do the Rock em "Scorpion King". Nos bonecos digitais de Matrix Revolutions e Blade II. Nas cenas de close naquela animação do Bewulf. Perfeitos, mas com olhos mortos. Algo errado.

Uncanny valley
Bem isso. O mundo pós-corona, pelo menos na parte que cabe do meu quintal, virou um gigantesco uncanny valley. Reconhecível, mas....
Quase todo mundo de máscara nas ruas. Inclusive, vendedores informais tirando o do mês vendendo máscaras. Descartáveis ou de pano, fica como opção pro cliente.
Na saída da mini-galeria onde ficava a loja em que fui, um segurança com um daqueles termômetros digitais portáteis, medindo a temperatura de todo mundo entrando e liberando apenas um por vez. 
A espera lá, até as lojas abrirem, era tensa. Ninguém muito perto uns dos outros. Mesma coisa no trem, como se as pessoas já pensassem em suas posições no transporte em relação a possíveis freadas súbitas, evitando que, nesse caso, fossem surpreendidas encostando umas nas outras. Inclusive, imaginem isso: assentos vazios. Não muitos, mas o suficiente pra chamar a atenção. 
Lojas anunciando horas especiais de reabertura. Restaurantes, apenas com delivery. 
A impressão que dá é que mesmo o pessoal sem máscara parece assustado. Como se sua credulidade estivesse por um fio de ser quebrada. Deus pode ser grande, mas mesmo ele parece assustado sob a sombra de um vírus tão pequeno e tão gigantesco.
Esse é o uncanny valley ao qual me refiro. A cidade tenta voltar ao normal, mas eles ainda não entendem, apesar de num nível subconsciente provavelmente já suspeitarem, de que as noções de normal vão ter que ser redefinidas.
"Normal" implica frequência. Perenidade no tempo. O cotidiano. E elas sabem que o normal que existia pré-virus se foi. Os trabalhos, a escola, as faculdades, o entretenimento vai ter que ser repensado neste mundo de novo normal. Tudo vai demandar um redesenho. Não existe "voltar ao que era antes". Talvez, apenas por um tempo. Talvez, pra sempre.

Old man Burns me entenderia.
Esse texto é só uma crônica. Se vcs estavam esperando alguma reflexão sobre o que nos espera que fosse terminar com um insight brilhante, que tudo acima escrito fosse um preambulo precedido por "mas" ou outra conjunção adversativa e que agora eu fosse dizer algo edificante sobra a resiliência do espírito humano.....bom, a vida é isso, fiote. Um amontado de decepções.
Essa é só mais uma. 
E eu estou no mesmo barco que vocês, senhores. Sem certeza de nada. Sem saber se o chão vai estar adiante esperando meu pé pro próximo passo. Pós-modernismo tornado quase literal. Kali-Yuga. 
Fim do mundo. 
A única certeza: em conversas informais, "nerds" adoram discutir sobre seus cenários distópicos favoritos. Apocalipse zumbi. Mad Max, Matrix. Invasão Lovecraftiana.
Bom.... ninguém esperava que a nossa distopia tivesse a cara que tem. Uma mistura de neo-fascismo pentecostal, crise climática e de saúde. Morte por excesso de capitalismo + uma arbitrariedade da natureza. A roda da História, acelerada por um organismo microscópico 
Nada quebrando o mundo num nível irreconhecível, pelo menos até o momento.
Apenas isso. Algo parecido com o normal. Mas errado. E uma cicatriz formada por, só pra me concentrar aqui no Brasil, 50.000 vidas ceifadas (até o momento). Que vc pode fingir que não vê, mas que vai estar lá, chamando teu olhar, tirando você da zona de conforto. 
Bem vindo ao novo normal. Puxa uma cadeira.

Mas higieniza as mãos com álcool depois.